Ontem, ao final da tarde, fui visitar o M. ao S.O. das Urgências do Hospital...
Porque os pais dele estão longe e não podiam lá ir ontem; porque os irmãos não se interessam por ele; porque a única pessoa que lá tinha ainda ido era a F.; porque somos amigos; porque ele estava sozinho e em sofrimento (e eu, se estivesse no lugar dele, também gostaria que alguém me ajudasse e não me voltasse as costas)!
Apesar da aparente calma com que ia, a certa altura, a espera e aquelas frequentes entradas de gente em sofrimento, os gritos, os idosos com um ar meio vazio e parado, começaram a pôr-me os nervos em franja.
Há locais que não são pertença de ninguém, mas onde todos nós, por vezes, passamos (os famosos
"non lieux" de
Augé) aos quais está associada uma tristeza incomensurável, que nos torna o ar demasiado pesado de respirar!...
Esta manhã, participei, pela primeira vez, no
3º Congresso da
A.P.A. (no ISCTE), onde os
habitués da
Antropologia se costumam juntar.
O texto da comunicação tinha sido feita na véspera, alinhavado entre o emprego e o hospital, com algumas últimas notas acrescentadas à noite, depois de ter chegado a casa com o corpo já moído e a cabeça feita em água.
Felizmente que todos gostaram! Às vezes, devo ter pequenos laivos de génio (gabarolice à parte)! ;)