quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

A Meg e o Sr. M

- Excertos de uma história (que está a acontecer) -


21/02/06

Tudo começara com o desaparecimento/roubo da Meg!…

Antes disso, algumas senhoras aqui do bairro tinham-se juntado e contribuido para a esterilização da Meg na clínica veterinária local. Mas nesse ponto preciso, a história ainda se resumia, apenas, a um pequeno grupo de defensores dos direitos dos animais, que ajudavam, também, um pobre homem, o Sr. M.

Agora a história tinha avançado, tinha ido muito mais longe!...
Era incrível como a onda de solidariedade em torno deste caso se tinha generalizado, não só a toda a freguesia de Benfica, como, também, através da ajuda de muitas pessoas que tinham tido conhecimento do mesmo através da internet.

Trabalhando numa ONG e conhecendo um pouco a forma como, em termos de consciência social, a nossa sociedade tem vindo a regredir, pensava que a bondade e solidariedade humanas se tinham perdido... a partir do momento em que se abandonam animais a torto e a direito (apenas porque deixaram de ser pequeninos e passaram a ocupar muito espaço e tempo lá em casa -tal como sucede com os filhos... mas que, na grande maioria dos casos, não se abandonam por esse motivo!!!)... em que se vira, ostensivamente, para o outro lado a cara, quando um mendigo passa por nós na rua... e tantas outras coisas!

E, afinal, não!...

O caso da Meg e do Sr. M veio fazer-me rever imensas coisas que eu tinha por certezas apreendidas!...


22/02/06

Conheci, esta tarde, o núcleo duro de pessoas que têm estado a tentar ajudar o Sr. M na sua busca pela cadelinha Meg (e que, anteriormente, já o ajudavam em termos humanos e financeiros). Simplesmente porque, depois de ter colocado o anúncio do desaparecimento da Meg na internet e, ao fim de não sei quantos dias, sem notícias do Sr. M, decidi ligar para um dos contactos que vinha no anúncio.

Quando lhes fui falar, tive a nítida sensação (modéstia à parte) de lhes ter aparecido como a última réstea de esperança numa busca infrutífera pela cadela... apenas porque me tinha prontificado a servir de testemunha, caso o sr. M decidisse apresentar queixa na Polícia, e porque, por portas e traversas, conheço alguém que conhece outras pessoas que moram no Bairro da Boavista (onde se sabe agora que a Meg esteve aprisionada alguns dias, após o seu roubo).

Vi-me, então, subitamente, envolvida nos meandros da própria busca!...

E, de um momento para o outro, fiquei a conhecer “toda” a história do Sr. M, por intermédia pessoa (pois, até à data, ainda não tive coragem para lha perguntar directamente): há cerca de 4 anos atrás, o carro em que o sr. M viajava foi abalroado por um combóio... a sua mulher e filha morreram, ele ficou assim, com 2 membros amputados, reduzido a uma cadeira de rodas... esperando que um dos nossos hospitais o chame, para iniciar o processo de fisioterapia, que, necessariamente, acompanha a colocação de uma prótese na perna.
Depois, não se sabe, exactamente, como ou porquê, há 1 ano e pouco, começou a aparecer ali no bairro, sempre de um lado para o outro... vivendo e convivendo com toxicodependentes, mas não sendo um deles. Há 5 meses, encontrara a Meg, abandonada perto do Centro Comercial Colombo e trouxera-a consigo... passara a ser a sua "menina", como, tantas vezes, repetia a quem quer que falasse com ele.

E agora, apenas, me questiono sobre como é que, de um momento para o outro, a vida de alguém pode sofrer uma reviravolta de 180º tão profunda, reduzindo essa pessoa à miséria... devido a um único acontecimento fatal na sua vida?

Que não tenho veia para assistente social já eu sabia, pois choro por tudo e por nada e sou demasiado crédula (acredito pura e simplesmente no que os outros me dizem)... Mas, talvez, devido à minha formação em Antropologia, só me meto em casos bicudos, como a minha mãe costuma dizer!
A verdade é que não consigo evitar deixar de olhar para o "Outro" e pensar no que esconde a sua história de vida pessoal.

Em homenagem a Zeca Afonso

Imagem disponível in: http://discosantigos.com/WallpapersMUSIC/Zeca_Afonso.jpg


Zeca Afonso morreu há 19 anos, no dia 23 de Fevereiro de 1987, no Hospital de Setúbal, às 3 horas da madrugada, vítima de esclerose lateral amiotrófica.
O seu funeral realizou-se no dia seguinte, tendo sido acompanhado por mais de 30 mil pessoas, que seguiram da Escola Secundária de S. Julião para o cemitério da Senhora da Piedade (em Setúbal). O funeral demorou 2 horas a percorrer cerca de 1300 metros.

Por iniciativa do Troll-Urbano, todos aqueles que, nos seus blogs, se quiserem juntar a uma homenagem a este "cantautor" serão bem vindos!...

A minha homenagem permanecerá aqui, neste breve post... Impregnado não com as letras-poemas das suas músicas (que ouvirei mais tarde, quando chegar a casa!), mas antes com as sábias palavras de um homem que lutou sempre pela liberdade e pelo respeito e dignidade para com outrém.

"Admito que a revolução seja uma utopia, mas no meu dia a dia procuro comportar-me como se ela fosse tangível. Continuo a pensar que devemos lutar onde exista opressão, seja a que nível for."

"Não me arrependo de nada do que fiz. Mais: eu sou aquilo que fiz. Embora com reservas acreditava o suficiente no que estava a fazer, e isso é o que fica. Quando as pessoas param há como que um pacto implícito com o inimigo, tanto no campo político como no campo estético e cultural. E, por vezes, o inimigo somos nós próprios, a nossa própria consciência e os alibis de que nos servimos para justificar a modorra e o abandono dos campos de luta."

"Curioso é que nós passamos 40 ou 50 anos de uma vida a fazer determinadas coisas e um dia mais ou menos de repente, sem que renunciemos a nada do que fizemos, apercebemo-nos de que tudo deveria ter sido diferente. É apenas uma vaga sensação que se instala, sem que saibamos defini-la muito bem."

Excertos disponíveis in Associação José Afonso

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

O Senhor M.


A primeira vez que os vi foi em meados de Dezembro do ano passado, quando atravessavam a Estrada de Benfica… ele, atrás, numa cadeira de rodas, e ela, à frente, sempre olhando para ver se ele a seguia.
Depois, começámos a conversar sobre ela, enquanto ele pedia esmola à porta do café onde costumo ir todas as manhãs, e ela brincava a seu lado, no chão. Emocionou-me a forma como ele demonstrava o seu amor por aquela cadela e como cuidava dela tão zelosamente.

Até que, fatidicamente, na semana passada, ele -o Sr. M- me contou que a sua cadelinha -a Meg- lhe tinha sido roubada.
Depois desta conversa, e durante quase uma semana, o Sr. M não voltou a estar parado à porta daquele café. E por mais que vos possa parecer estranho, durante todo esse tempo, fiquei bastante preocupada, pensando no que teria acontecido àquele homem -que nem sequer conhecia-, tal era a tristeza em que deveria andar por causa do roubo da sua cadelinha. Pensando sempre que, em cada dia seguinte, ao virar aquela esquina, o iria encontrar de novo acompanhado pela sua Meg.

Entretanto, na semana seguinte, o Sr. M voltou a estar no seu local habitual de todas as manhãs. Surgiram novas pistas sobre o paradeiro da Meg e chegou-se à conclusão que tinha sido, de facto, roubada por alguém: várias pessoas, no dia do seu desaparecimento, a viram ser colocada dentro de um carro cinzento, junto à Praça de Benfica, por alguém que conhecia a Meg.
Nessa altura, só me lembrei das suas palavras, quando um dia me disse: - Grande Meg! (…) cães ou gatos, são todos iguais! Quanto mais os conheço, mais gosto deles! São fiéis, enquanto as pessoas…”.

A forma como o Sr. M fala, o cuidado que coloca nas palavras e os termos que utiliza, denotam tratar-se de alguém que não é, apenas, um pobre coitado, um mero mendigo sem eira nem beira... mas antes uma pessoa com instrução e educação.
Comecei então a interessar-me, cada vez mais, pela enigmática história daquele homem (nós, os antropólogos somos assim!... Não conseguimos mesmo evitá-lo, nem no nosso dia-a-dia). Mas, por respeito perante a sua dor, ou, talvez, com medo de parecer demasiado curiosa, nunca o questionei sobre nada... limitando-me, apenas, a encorajá-lo face à triste situação da perda da sua cadela.

Como é que alguém cai assim num estado de miséria e solidão tão extremos? O que teria acontecido na vida deste homem para o deixar assim?
O fio que nos separa da solidão e miséria profundas é tão ténue...

Corners of My Home # 5


Um outro recanto de minha casa: o frigorífico... com a "famosa" colecção de ímans de vários países.
Já aqui falei dessa colecção, que pode parecer um pouco kitsch, mas que, por outro lado, me oferece boas recordações dos locais onde estive ou de amigos meus (que, como sabem desta minha mania de coleccionar ímans, me trazem sempre algum, quando regressam de viagem).
Como a minha cozinha é toda em tons de branco (fora o chão, que tem um cinzento magnífico), estas coisinhas mais as placas publicitárias (que, também, colecciono) dão-lhe um toque de cor bastante divertido.

Mais recantos, aqui.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Metáforas com Água


Há muitos anos atrás, quando o meu avô começou a trabalhar nos CTT em atendimento ao público, referindo-se a uma 3ª pessoa, alguém lhe terá dito esta fantástica frase: - “A estupidez humana é maior do que o Oceano Atlântico!”...
Pleonasmos à parte... Por vezes, quando me ponho a observar as atitudes de determinadas pessoas (com quem tenho de lidar diariamente), começo a ponderar se a mesquinhice e a maldade humanas não conterão em si próprias água suficiente para inundar todo o planeta Terra.

SPT # 9 - "All of Me"


Mais uma fotografia de um "ugly bit" de moi-même, para o desafio deste mês do SPT: a minha pálpebra do olho direito (neste caso, na foto, ficou colocada do lado esquerdo, por causa da lente).
Quando era pequena, durante umas férias de Verão, ao jantarmos num restaurante a que costumávamos ir, faltou a luz e eu caí da cadeira... acabando por bater com o olho na madeira.
A pálpebra deste olho ficou sempre ligeiramente mais descaída do que a do outro.
No entanto, nos dias em que estou mais cansada, este pormenor acentua-se bastante... conferindo-me, a modos que, um ar de peixe de olho esbugalhado e outro quase a morrer!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

Sugestão do sítio do costume:


Seguindo o mote da minha habitual rubrica "Sugestão do Sítio do Costume" (que tem andado um pouco desleixada, nestes últimos tempos!), hoje deixo-vos aqui a referência ao "Papoila Azul".
É o blog de uma amiga de uma amiga minha, onde 2 jovens "artistas" dos trabalhos manuais têm para venda as suas criações: lindíssimas pregadeiras (como a que podem ver na imagem).

A visitar (e, já agora, comprar alguma pregadeira :)!...

Um lar para a Amélie



Continuando a falar de animais...

A Amélie é uma caniche anã que foi, recentemente, encontrada pela Dora & Daniel.
De momento, está a recuperar forças em casa destes amigos e, brevemente, irá ser sujeita a uma intervenção cirúrgica... mas, quando estiver restabelecida, precisa de encontrar uns donos 5 estrelas, que lhe dêem muito amor e carinho.

Clicando no banner, poderão seguir toda a história e o apelo original.

domingo, 19 de fevereiro de 2006

Os Gatos (e as suas manias)

Os gatos são animais mesmo muito especiais e cada um deles com a sua própria personalidade bem vincada!...
Em 24 anos de convivência com estes animais, já deveria saber bem isso. Mas a verdade é que, este fim-de-semana, a minha Mary Poppins fez-me “uma” daquelas que jamais esquecerei!...

Esta manhã, nem sequer me foi acordar, como é hábito, quando começa a ficar com fome. Não quis comer nada e comecei a achá-la demasiado parada, quando a vi deitada em cima da máquina de lavar roupa (local onde, apenas, costuma ficar a ver os pássaros nos quintais). E ficou nisto o dia todo!...
Comecei, então, a imaginar 1001 situações de doença, ou uma, eventual, alergia à vacina anual contra a raiva –que tinha ido tomar no sábado (tal foi a preocupação que, como, também, tinha levado a Boneca ontem às vacinas –para a da Leucose Felina-, até fui confirmar nas cadernetas de ambas se as vacinas tinham sido dadas à gata correcta).

Foi, então, que, já a meio da tarde, quando me pus a ver o Saw no DVD, a menina Mary P. se decidiu a vir para o meu colo... e, desde essa altura, já não me largou mais: sempre atrás de mim, de um lado para o outro, a querer deitar-se no meu colo enquanto eu jantava e tudo.
Desde então, tem estado bem!...

Conclusão…
O que se passou é que eu não dei muita atenção às gatas: 6ª à noite estive com amigos cá em casa, sábado à noite fui a casa de amigos e voltei tarde. E, para ajudar à festa, no sábado de manhã, consegui apanhar a Mary meio à socapa, enquanto dormia, para a levar ao Vet.
E, mimadinha, como a Mary P. é, fez-me este lindo “serviço”, como quem diz: - “Não me ligaste nenhuma, agora toma, vou pôr-te mal disposta o domingo todo!”
Manias de gata, tal e qual uma criança!...

sábado, 18 de fevereiro de 2006

Meg desaparecida! -[APELO URGENTE!!!]



A Meg (ou Mégui, como era carinhosamente tratada pelo seu dono) é uma cadela arraçada de podengo. Tem, mais ou menos, 2 anos e é de porte pequeno. Orelhas e focinho pontiagudos e o seu pêlo é branco com algumas manchas amarelas.
Já aqui falei dela por diversas vezes, neste blog... mas hoje, o apelo que vos faço é devido a um motivo bem mais triste!...

A Meg desapareceu (ou acredita-se ter sido roubada) na passada 6ª feira (10/02/06), na zona do Mercado/Praça de Benfica. Na altura, tinha uma coleira de metal, a qual, entretanto, poderá já ter desaparecido... bem como o paradeiro desta cadelinha poder ser qualquer local de Lisboa e arredores.

A Meg tinha sido esterilizada há menos de uma semana (aquando do seu desaparecimento), pelo que, nesta altura, ainda terá a particularidade do pêlo da sua barriga estar raspado.
Encontrava-se a efectuar
tratamento médico, pelo que se torna mesmo muito urgente encontrar esta cadelinha, antes que lhe aconteça algo de grave.
Dá-se recompensa a quem a encontrar e devolver.

Por favor, não ignorem este apelo e ajudem-me na sua divulgação, pois o dono da Meg está inconsolável!!

Telefones de contacto: 21. 764 73 01 / 91. 952 18 03 / 96. 544 25 99 / 91. 970 09 36
Ou então, contactem-me para: alexasof[arroba]gmail[ponto]com.
Muito obrigada pela vossa ajuda!