- Excertos de uma história (que está a acontecer) -
21/02/06
Tudo começara com o desaparecimento/roubo da Meg!…
Antes disso, algumas senhoras aqui do bairro tinham-se juntado e contribuido para a esterilização da Meg na clínica veterinária local. Mas nesse ponto preciso, a história ainda se resumia, apenas, a um pequeno grupo de defensores dos direitos dos animais, que ajudavam, também, um pobre homem, o Sr. M.
Agora a história tinha avançado, tinha ido muito mais longe!...
Era incrível como a onda de solidariedade em torno deste caso se tinha generalizado, não só a toda a freguesia de Benfica, como, também, através da ajuda de muitas pessoas que tinham tido conhecimento do mesmo através da internet.
Trabalhando numa ONG e conhecendo um pouco a forma como, em termos de consciência social, a nossa sociedade tem vindo a regredir, pensava que a bondade e solidariedade humanas se tinham perdido... a partir do momento em que se abandonam animais a torto e a direito (apenas porque deixaram de ser pequeninos e passaram a ocupar muito espaço e tempo lá em casa -tal como sucede com os filhos... mas que, na grande maioria dos casos, não se abandonam por esse motivo!!!)... em que se vira, ostensivamente, para o outro lado a cara, quando um mendigo passa por nós na rua... e tantas outras coisas!
E, afinal, não!...
O caso da Meg e do Sr. M veio fazer-me rever imensas coisas que eu tinha por certezas apreendidas!...
22/02/06
Conheci, esta tarde, o núcleo duro de pessoas que têm estado a tentar ajudar o Sr. M na sua busca pela cadelinha Meg (e que, anteriormente, já o ajudavam em termos humanos e financeiros). Simplesmente porque, depois de ter colocado o anúncio do desaparecimento da Meg na internet e, ao fim de não sei quantos dias, sem notícias do Sr. M, decidi ligar para um dos contactos que vinha no anúncio.
Quando lhes fui falar, tive a nítida sensação (modéstia à parte) de lhes ter aparecido como a última réstea de esperança numa busca infrutífera pela cadela... apenas porque me tinha prontificado a servir de testemunha, caso o sr. M decidisse apresentar queixa na Polícia, e porque, por portas e traversas, conheço alguém que conhece outras pessoas que moram no Bairro da Boavista (onde se sabe agora que a Meg esteve aprisionada alguns dias, após o seu roubo).
Vi-me, então, subitamente, envolvida nos meandros da própria busca!...
E, de um momento para o outro, fiquei a conhecer “toda” a história do Sr. M, por intermédia pessoa (pois, até à data, ainda não tive coragem para lha perguntar directamente): há cerca de 4 anos atrás, o carro em que o sr. M viajava foi abalroado por um combóio... a sua mulher e filha morreram, ele ficou assim, com 2 membros amputados, reduzido a uma cadeira de rodas... esperando que um dos nossos hospitais o chame, para iniciar o processo de fisioterapia, que, necessariamente, acompanha a colocação de uma prótese na perna.
Depois, não se sabe, exactamente, como ou porquê, há 1 ano e pouco, começou a aparecer ali no bairro, sempre de um lado para o outro... vivendo e convivendo com toxicodependentes, mas não sendo um deles. Há 5 meses, encontrara a Meg, abandonada perto do Centro Comercial Colombo e trouxera-a consigo... passara a ser a sua "menina", como, tantas vezes, repetia a quem quer que falasse com ele.
E agora, apenas, me questiono sobre como é que, de um momento para o outro, a vida de alguém pode sofrer uma reviravolta de 180º tão profunda, reduzindo essa pessoa à miséria... devido a um único acontecimento fatal na sua vida?
Que não tenho veia para assistente social já eu sabia, pois choro por tudo e por nada e sou demasiado crédula (acredito pura e simplesmente no que os outros me dizem)... Mas, talvez, devido à minha formação em Antropologia, só me meto em casos bicudos, como a minha mãe costuma dizer!
A verdade é que não consigo evitar deixar de olhar para o "Outro" e pensar no que esconde a sua história de vida pessoal.
21/02/06
Tudo começara com o desaparecimento/roubo da Meg!…
Antes disso, algumas senhoras aqui do bairro tinham-se juntado e contribuido para a esterilização da Meg na clínica veterinária local. Mas nesse ponto preciso, a história ainda se resumia, apenas, a um pequeno grupo de defensores dos direitos dos animais, que ajudavam, também, um pobre homem, o Sr. M.
Agora a história tinha avançado, tinha ido muito mais longe!...
Era incrível como a onda de solidariedade em torno deste caso se tinha generalizado, não só a toda a freguesia de Benfica, como, também, através da ajuda de muitas pessoas que tinham tido conhecimento do mesmo através da internet.
Trabalhando numa ONG e conhecendo um pouco a forma como, em termos de consciência social, a nossa sociedade tem vindo a regredir, pensava que a bondade e solidariedade humanas se tinham perdido... a partir do momento em que se abandonam animais a torto e a direito (apenas porque deixaram de ser pequeninos e passaram a ocupar muito espaço e tempo lá em casa -tal como sucede com os filhos... mas que, na grande maioria dos casos, não se abandonam por esse motivo!!!)... em que se vira, ostensivamente, para o outro lado a cara, quando um mendigo passa por nós na rua... e tantas outras coisas!
E, afinal, não!...
O caso da Meg e do Sr. M veio fazer-me rever imensas coisas que eu tinha por certezas apreendidas!...
22/02/06
Conheci, esta tarde, o núcleo duro de pessoas que têm estado a tentar ajudar o Sr. M na sua busca pela cadelinha Meg (e que, anteriormente, já o ajudavam em termos humanos e financeiros). Simplesmente porque, depois de ter colocado o anúncio do desaparecimento da Meg na internet e, ao fim de não sei quantos dias, sem notícias do Sr. M, decidi ligar para um dos contactos que vinha no anúncio.
Quando lhes fui falar, tive a nítida sensação (modéstia à parte) de lhes ter aparecido como a última réstea de esperança numa busca infrutífera pela cadela... apenas porque me tinha prontificado a servir de testemunha, caso o sr. M decidisse apresentar queixa na Polícia, e porque, por portas e traversas, conheço alguém que conhece outras pessoas que moram no Bairro da Boavista (onde se sabe agora que a Meg esteve aprisionada alguns dias, após o seu roubo).
Vi-me, então, subitamente, envolvida nos meandros da própria busca!...
E, de um momento para o outro, fiquei a conhecer “toda” a história do Sr. M, por intermédia pessoa (pois, até à data, ainda não tive coragem para lha perguntar directamente): há cerca de 4 anos atrás, o carro em que o sr. M viajava foi abalroado por um combóio... a sua mulher e filha morreram, ele ficou assim, com 2 membros amputados, reduzido a uma cadeira de rodas... esperando que um dos nossos hospitais o chame, para iniciar o processo de fisioterapia, que, necessariamente, acompanha a colocação de uma prótese na perna.
Depois, não se sabe, exactamente, como ou porquê, há 1 ano e pouco, começou a aparecer ali no bairro, sempre de um lado para o outro... vivendo e convivendo com toxicodependentes, mas não sendo um deles. Há 5 meses, encontrara a Meg, abandonada perto do Centro Comercial Colombo e trouxera-a consigo... passara a ser a sua "menina", como, tantas vezes, repetia a quem quer que falasse com ele.
E agora, apenas, me questiono sobre como é que, de um momento para o outro, a vida de alguém pode sofrer uma reviravolta de 180º tão profunda, reduzindo essa pessoa à miséria... devido a um único acontecimento fatal na sua vida?
Que não tenho veia para assistente social já eu sabia, pois choro por tudo e por nada e sou demasiado crédula (acredito pura e simplesmente no que os outros me dizem)... Mas, talvez, devido à minha formação em Antropologia, só me meto em casos bicudos, como a minha mãe costuma dizer!
A verdade é que não consigo evitar deixar de olhar para o "Outro" e pensar no que esconde a sua história de vida pessoal.






