sábado, 11 de fevereiro de 2006

Boneca


Tal como prometido, aqui fica a história de mais uma das minhas 'nininhas: a Boneca.
A Boneca é uma "tartaruga azul" (com uma das pelagens mais incríveis que já vi), que veio para minha casa há exactamente um ano, 1 semana depois da morte da Amélie.
Quem ma ofereceu foi a senhora a quem eu já tinha adoptado a Amélie e a Mary Poppins, que, sentindo-se triste por a pequena Amélie apenas ter vivido comigo durante 1 mês, resolveu oferecer-me a Boneca.

Quando chegou a minha casa, a Boneca era uma gata muito stressada e medrosa, sempre com uns miados graves por tudo e por nada... mas, também, muito meiguinha.
Segundo reza a sua história anterior, parece que alguém terá visto o seu antigo dono abandoná-la, ali para os lados da Parede.
A Mary Poppins, que sempre foi muito territorial e mimadinha, fez-lhe a vida negra. E eu, que ainda estava bastante abalada com a morte da Amélie, talvez, não lhe tenha dado logo de início o mimo e carinho que a pobre Boneca merecia.
Mas, ao fim de alguns meses, a Boneca tornou-se menos stressada e a Mary Poppins aceitou-a bem.
No entanto, a Boneca continua a ser a mais medrosa das minhas gatas: cada vez que cá vem alguém a casa, esconde-se logo debaixo da cama e, apenas, comigo tem mais à vontade.

Torna-se engraçado porque, com a adopção da Tucha, foi a vez da Boneca se armar em "territorial" e andar sempre a provocá-la.

(Ainda sobre a) Liberdade de Expressão


Depois do meu post, de há alguns dias atrás, sobre a liberdade de expressão, deixo-vos aqui uma outra visão (ainda) mais crítica e fundamentada (na medida em que os seus autores são investigadores dinamarqueses) sobre tudo aquilo que se está a passar!

O original deste artigo saíu no passado dia 09/02/06, no jornal francês “Libération”, mas, para quem não saiba falar esta língua, aqui fica uma tradução integral, por considerar que nem tudo é preto e branco... e, em qualquer assunto que seja, existem sempre umas nuances de cinza -importantes para a compreensão da verdade por detrás das coisas!

Para quem tiver paciência de ler até ao fim, verá que se trata de um excelente artigo!!


“Foi a xenofobia envolvente que deu origem à retórica do choque das civilizações – Um contexto caricatural dinamarquês”
Por Heidi Bojsen (professora na Universidade de Roskilde) e Johan J. Malki Jepsen (politólogo em Copenhaga)

A questão das caricaturas de Maomé é um assunto que diz respeito a todo o mundo. As representações que se relacionam com esta questão balançam entre diversos registos do universal, para se concretizarem em situação particulares: o humor que elucida, emparelha à vontade com a provocação que fere; a arrogância, o desprezo e a ignorância confundem-se facilmente entre as intenções mais nobres e os ideais mais importantes.
Todas as pessoas podem sentir-se tocadas e ver nesta situação uma questão de princípios. Cada um deles, à luz dos seus próprios interesses, da sua sensibilidade, da sua fé e da sua cota parte de senso comum.
No entanto, esta questão tem uma história muito mais ambivalente do que o possam deixar crer o maniqueísmo no qual acabou por ficar aprisionada. Pensamos que se torna um imperativo relembrar o contexto específico no qual estes desenhos apareceram (na ocurrência, o contexto dinamarquês), sem o qual toda a compreensão da questão que se encontra em jogo seria ilusória e qualquer forma de sair da presente crise seria vã.
Não pretendemos de forma alguma ditar qual deveria ser a reacção de uns e outros. A nosso intenção aqui é apenas de esclarecer e de informar. Numa só palavra, de contribuir para repôr o senso comun na via do bom senso.
Estas caricaturas não apareceram na Dinamarca a partir de uma tábua rasa. O debate público dinamarquês tem-se centrado, já há muitos anos, e com uma intensidade até à data inigualável, sobre a questão da alteridade, relevando da mesma sobre a crise identitária que atravessa o país: imigração, integração, Europa, mundialização, “valores dinamarqueses” (danskhed), constituindo os termos de um discurso público generalizado.
Este tipo de discuros acabou por dar origem à injúria xenófoba e à falta de respeito. Os esterótipos tornaram-se, em certa parte, demasiado importantes nos meios mediático-políticos, um valor absoluto da retórica do discurso público.
A inevitável consequência desta efervescência do debate público foi a de criar uma normalização e banalização da xenofobia numa não negligenciável parte da sociedade dinamarquesa, em nome do princípio sacrosanto da liberdade de expressão.
Na nossa sociedade, onde a cultura política reposa fortemente sobre o pragmatismo e o consenso, estas ideias populistas serviram, essencialmente, para estigmatizar os muçulmanos e o Islão –dos quais não conhecemos, sequer, toda a complexidade e diversidade.
A esta situação junta-se o facto de na Dinamarca a Igreja não se encontrar dissociada do Estado. Apesar de alguns defenderem que, todavia, a política está separada da religião. Contudo, apenas existe uma religião de Estado: o protestantismo Luterano. Os padres detêm o estatuto de funcionários públicos. As aulas de “cristianismo” são obrigatórias nas escolas públicas. O registro dos recém-nascidos é efectuado, exclusivamente, pela administração da Igreja Luterana.
A grande maioria dos dinamarqueses diz-se “não praticante”, apesar de alguns se considerarem “crentes”. Mas a religião não se trata de um assunto, estrictamente, privado para a maioria dos dinamarqueses: ela é entendida como constitutiva da homogeneidade cultural e da identidade nacionais. Servem-se, também, dessa mesma religião quando se querem encontrar em ritos comunitários, tais como a ceia de Natal ou as festas de casamento.
Mas o olhar essencialista predomina: servimo-nos da religião, também, para definir o “estrangeiro”, do qual não vislumbramos imediatamente a proximidade identitária. O recurso crescente à retórica da estigmatização não se limitou, infelizmente, aos termos utilizados pelo discurso público. De facto, a legislação dinamarquesa não tardou a tomar a dianteira. Desde 2002, o Governo reduziu o apoio social aos estrangeiros nos primeiros meses do seu período de residência no país.
Esta lei, segundo os seus apoiantes, deveria servir de incentivo para uma melhor integração dos estrangeiros. Porém, e segundo a análise do Centro de Investigação Social CASA, ela conduz, sobretudo, a uma acentuada marginalização.
Em 2002, foi, igualmente, votada a chamada “lei dos 24 anos”; a qual interdita os cidadãos residentes no país –incluindo os dinamarqueses- de habitarem conjuntamente com o seu esposo ou esposa de nacionalidade não dinamarquesa, no território do reino, antes que qualquer um deles atinga os 24 anos. Esta lei foi criticada pelo Comissariado encarregue dos direitos humanos, no Conselho da Europa. Uma crítica partilhada e defendida pela directora do Instituto Dinamarquês dos Direitos Humanos, em Copenhaga, e por diversos políticos da oposição.
É esta nova prática do poder, fundada sobre a ideia da “tolerância zero” (ou intolerância?), inaugurada pelo chefe do Governo actual, que foi empregue no que diz respeito aos embaixadores de países muçulmanos. Ao recusar-se a recebê-los e a dialogar no terreno da diplomacia (tal como lhe tinha solicitado), após a publicação das caricaturas de Maomé, o chefe do Governo demonstrou uma falta de discernimento surpeeendente.
O assunto transformou-se num incidente diplomático. As bases da internacionalização da questão das caricaturas foram, desta forma, lançadas.
A visita de um grupo de ímams, alegadamente fundamentalistas e residindo na Dinamarca, a certos países árabes, em busca de um apoio à sua causa, abriu o segundo acto desta história. Surpreendido e enervado com a rapidez e eficácia da campanha de boicote dos produtos dinamarqueses, o Governo preferiu negar a sua quota parte de responsabilidade e escolher a “fuga em frente”, escolhendo uma estratégia de coligação, europeianizando, assim, uma questão de política interna que subitamente o ultrapassava. A tentativa de alargar à escala internacional esta questão, colocando de um lado o Ocidente e do outro o mundo muçulmano, em torno, exclusivamente, da clivagem da liberdade de expressão, é das mais cínicas e perigosas para a estabilidade –já amplamente colocada em perigo- de uma grande parte do mundo.
Curiosamente, a oposição dinamarquesa demonstrou uma total impotência face ao desenvolvimento de todo este caso. Mas a impotência não significa a sua não-existência. A título de exemplo, colectivos de médicos, de padres, de escritores, de embaixadores na reforma, alguns jornais e um número considerável de associações tentaram expressar a sua desaprovação vis-à-vis desta orientação da política na dinamarca. Em grande parte dos casos, a sua contestação foi recusada.
Torna-se importante salientar que os dois outros diários da Dinamarca, o “Politiken” (centro-esquerda) e o “Berlingske Tidende” (conservador), decidiram abertamente, desde o início, não caírem na “armadilha” islamofóbica da pseudo luta pela liberdade de expressão –invocada pelo outro jornal que iniciou toda esta crise, o “Jyllands-Posten”.
O cerne real da questão das caricaturas não tem nada a ver com uma ameaça à liberdade de expressão. Algumas pessoas querem esconder uma floresta, apenas, com uma árvore! Os desenhos não foram publicados com vista à fomentação de um verdadeiro debate. Eles derivam, isso sim, de uma empresa de estigmatização e de propaganda xenófoba e populista para com uma minoria étnica existente na Dinamarca. O que aqui se encontra, verdadeiramente, em causa é o respeito pela diversidade, que as esferas nacional-populistas recusam –chegando ao ponto de brandir em defesa da liberdade de expressão, quando esta serve os seus interesses.
A liberdade de imprensa, também, nunca foi ilimitada! Não se tratando aqui de a amputar. Um mínimo de vigilância ética, de sentido das responsabilidades e de respeito pela diferença, talvez, nos fizessem sair dos meandros dessas pulsões destruidoras, herdadas do tempo onde justificávamos a submissão de certos povos pela necessidade de os tornar civilizáveis.
A liberdade de expressão exercida, num clima onde um dos parceiros é sistematicamente tornado como o principal suspeito, não é uma liberdade real; porque a liberdade de expressão –compreendendo-se aí, também, a sátira mais ácida- será em vão se ela não for acompanhada de um enquadramento ético, partilhado e de uma tomada de consciência das relações de força em jogo.
No presente caso, o agressor pretende transformar-se na vítima. Uma aberração!
Dito isto, a Dinamarca conta, ainda, com numerosos adeptos do bom senso, das mais diversas crenças religiosas, os quais têm necessidade de apoio para saírem desta lógica louca do “estás connosco ou, então, estás contra nós” e para defenderem o respeito pela diversidade.
O que se torna importante é viver em paz e respeito mútuo, e não cair na armadilha da ideologia do choque das civilizações, na qual sonham os dois extremismos predominantes actualmente: - o fundamentalismo religioso e o populismo xenófobo.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

Muito obrigada!...


Entrei finalmente no clube dos 30 (como me felicitou, esta manhã, uma grande Amiga)!...

Não que isso me preocupe muito em termos de estéctica (porque continuo bem conservadinha em formol, tal como a minha mãe -que já com 55 anos ainda pensam ser minha irmã) ou de me sentir mais velha (o que é importante é mesmo a juventude interior, apesar de já ter contado 3 cabelinhos brancos –que já cá devem estar há muitos anos mas, como desde o 12º ano que pintava o cabelo de ruivo, só no final do ano passado, quando recuperei a minha cor natural, é que os descobri)...
Mas a verdade é que foi meio estranho fazer 30 anos!...

É uma daquelas idades com números muito redondos, que parece que marcam de uma forma mais intensa aqueles pontos de passagem importantes nas nossas vidas: aos 10 anos é porque passámos a ser muito mais altos do que o coleguinha do lado, aos 20 é porque já podemos fazer o que nos der na real gana e chegar a casa dos pais às tantas da madrugada e aos 30... Bom, aos 30, é quando aquelas "pressões sociais" todas que já recaíam sobre nós, anteriormente, se acentuam ainda mais:
- comprar casa (pelo menos esta já está!);
- arranjar um emprego estável -preferencialmente que seja do nosso agrado- e com um salário que dê para sobreviver (metade já está, falta a parte referente ao salário!);
- constituir família (esta aqui, de momento, é que será bem mais complicada!);
- ter filhos (tirando a parte das gatas que, segundo a minha mãe, são quase como minhas filhas, posso considerar que esta está meio superada)...

Enfim...
Hoje nem sei bem o que senti... se estava alegre ou triste ou o que quer que seja.
Felizmente que lá no emprego nos dão sempre o dia de aniversário de folga (em compensação de, no dia seguinte, levarmos um bolinho para o pessoal comer). Por isso hoje, não fui trabalhar, o que foi mesmo óptimo!!!

Cheguei aos 30 e pronto, acabou-se!...
A partir daqui logo se verá! As coisas, também, não deverão ser muito diferentes daquilo que eram aos 29 ou aos 28... tem é que se ir vivendo um dia de cada vez, dando importância àquilo que realmente nos interessa e às pessoas de quem gostamos, e esquecendo as coisas que nos desgastam física e emocionalmente.
E, afinal de contas, segundo uma outra amiga minha, a Catarina, a partir de agora, é que tudo nas nossas vidas se torna mais interessante (obrigada pela dica, miúda!).

E ao terminar este dia, não queria deixar de agradecer -se as contas não me falham- pelos 16 telefonemas, 6 e-mails (com cartões virtuais ou não), 7 sms’s, pelas mensagens todas que me deixaram aqui no blog, pour le petit cadeau innatendu venu directement de Paris... e por todas as restantes felicitações que sei que vou receber em atraso (sobretudo, de amigos que se encontram a viver no estrangeiro)!
Muito mais do que fazer 30 anos, o importante é saber que temos Amigos que não se esquecem de nós (todos vocês sabem quem são, por isso, não vou citar nomes :)

30!...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

"Objectos de Culto"



Seguindo mais um desafio do Ahraht, hoje confesso vos aqui o meu maior objecto de "culto".
No fundo, não é tanto um objecto de culto (pois não sou dada a qualquer tipo de cultos), mas mais uma espécie de amuleto... pois não consisgo sair de casa sem ele e só o tiro à noite, antes de me deitar.

O meu objecto de "culto" é um anel vindo directamente da Índia, um "anvat".
Aqueles anéis que, em muitas regiões desse país, é tradição as mulheres passarem a usar no maior dedo dos seus pés, após o casamento, como forma de trazer bons auspícios.

A Índia sempre me fascinou imenso, apesar de, infelizmente, ainda nunca lá ter estado!
E considero a forma como as jóias são utilizadas nesta cultura bastante interessante: anéis, brincos ou o que quer que seja não são meros acessórios (como nas culturas ocidentais), mas fazem, isso sim, parte de um "todo" significativo e místico.

Não uso, nem nunca usei, o meu "anvat" em nenhum dedo do pé... mas sim na mão esquerda, mais perto do coração e do nosso lado mais emotivo.

Nós e as Palavras



"You are welcome to Elsinore"

(Mário Cesariny)

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos a morte, violar-nos, tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas, portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício.

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição.

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor.

E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmos só amor só solidão desfeita.

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

A Liberdade de Expressão


Nunca um tema provocou tanta polémica e uma divisão tão extrema de opiniões como a questão dos cartoons caricaturando Maomé, publicados por um jornal dinamarquês.

Nos últimos dias, tenho reflectido bastante sobre todos estes acontecimentos e devo começar por dizer que, de facto, esta é uma daquelas situações em que é bem difícil formalizar uma opinião concreta sobre o assunto!...

Se, por um lado, é lógico que existe uma desproporção desmesuradamente perigosa entre a simples publicação desses cartoons e a reacção violenta dos protestos do mundo árabe que se lhe seguiram (tal como os apelos ao assassínio numa manifestação islamista em Londres).
Por outro lado, as recentes manifestações de solidariedade de alguns jornalistas e países para com a Dinamarca (entre eles, os E.U.A. que, inicialmente, haviam criticado repetidamente tal ofensa ao mundo árabe), também, se tornam preocupantes, na medida em que se vislumbra nitidamente o alastrar de um consenso de rejeição contra o mundo árabe em geral (ou seja, pegamos no “todo” e colocamo-lo no mesmo saco, quer se tratem de muçulmanos fundamentalistas ou de muçulmanos que apenas professam a sua fé e não têm nada a ver com atentados terroristas ou o que quer que seja), que cedo resvalará para o ódio, racismo e xenofobismo.

Mais uma vez e, infelizmente, depois de séculos e séculos, repete-se a guerra dos mouros contra os cristãos e vice-versa!...

Desde muito pequena que me habituei a ouvir o meu avô dizer que “a nossa liberdade termina onde começa a liberdade do outro”... E, na presente situação, esta máxima não podia ser melhor aplicada!

É bem verdade que a liberdade de expressão é uma pedra basilar de qualquer sociedade dita democrática. No entanto, há uma enorme diferença entre a verdadeira liberdade de expressão e aquilo que, hoje em dia, se pratica muito em certos meios jornalísticos, que é a livre e expressa ofensa a alguém.
E o facto é que, se todos exercessemos o sinónimo que essa tal “liberdade de expressão” tem para muitos que agora a defendem, certamente, que andaria tudo aos insultos uns aos outros (no fundo, como está, actualmente, a acontecer, mas numa escala mais violenta)... o que, em minha opinião, não tem nada a ver com liberdade de expressão!!!

“A nossa liberdade termina onde começa a liberdade do outro”...

E é por isso mesmo que, depois de alguma reflexão sobre tudo aquilo que se tem passado nestes últimos dias, me sinto chocada ao ouvir falar sobre uma “determinada” liberdade de expressão, que não é a verdadeira Liberdade!

Caricaturistas, jornalistas, escritores ou artistas, todos eles têm o direito a manifestar as suas opiniões (favoravéis ou contraditórias), a fazerem ouvir as suas vozes livre e espontaneamente. O único direito que não têm é à ofensa gratuita de alguém ou da sua religião qualquer que ela seja (senão, porque teria o mesmo jornal dinamarquês já recusado, anteriormente, uma caricatura à religião católica, como noticiado na TSF… 2 pesos e 2 medidas?!).

Apesar do livro sagrado do Islão não proibir explicitamente a representação de Maomé, através de imagens (apenas proíbe a idolatria de estátuas e pinturas, daí que as suas mesquitas sejam bastante despojadas de elementos materiais), para mim a questão mais perniciosa subjacente a tudo isto está no facto de ter sido representado um líder sagrado para uma determinada religião como se se tratasse de um terrorista (com um turbante em forma de bomba). Logicamente que esta imagem terá chocado muitos dos que professam essa religião e que até não terão nada a ver com os fundamentalistas.

Passando a comparação algo perturbante para todos aqueles que são católicos… o que é que aconteceria se ao invés, por exemplo, tivessem caricaturado a imagem de Jesus Cristo, ao aceitar dar a outra face, como sendo um novo George Bush (por poder ser compreendido como um pouco bronco)? De certeza absoluta que nem todos os que agora defendem a dita cuja liberdade de expressão ficariam contentes!

Mas a verdade é que estamos sempre a falar do “Outro”, do inominável, daquele que é diferente de nós ocidentais e que, por isso mesmo (e muito mais), é assimilado no seu todo como sendo o “mau”, o “terrorista”, o “infiel”... aquele que podemos odiar, até mesmo, culturalmente.

Será que nós, no mundo ocidental, ao permitirmos estas novas interpretações da chamada “livre expressão”, não estaremos a contribuir um pouco, também, para uma forma de intolerância, xenofobia e consequente alastrar da violência no mundo (o exemplo da atitude do governo norte-americano após o ataque do 11 de Setembro é a prova acabada dessa violência)?
Para uma intolerância semelhante àquela que criticamos no Islamismo radical…

Porque, no fundo, o problema em si não é o Islão, a religião (senão, nós, ocidentais, também, já teríamos tido problemas com o Hinduismo, com o Budismo e com outras formas de religião), mas sim as diversas formas radicais de Islamismo que foram surgindo, adaptando o Corão às suas crenças (mais políticas do que religiosas).

E são esses, os mais radicais, que agora se batem nas ruas e perpetram actos de extrema violência contra as tais caricaturas. São esses os famosos carrascos da liberdade de expressão.
Mas, como se costuma dizer, quem é que foi "cotucar a onça" primeiro?

Por isso é que, apesar de não defender a apologia dessa mesma violência gratuita, também, não posso compactuar com a defesa de um determinado sinónimo de liberdade de expressão que, para mim, não passa de um certo racismo encapotado de alguns povos ocidentais.

Mas esta é apenas a minha opinião!...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

A Bianca continua para adopção!



A Bianca continua para adopção!

Aqui vos deixo as fotos da última campanha de adopção (realizada no supermercado "Feira Nova", do Barreiro, no fim-de-semana passado) onde esta cadelinha esteve presente.

Será que ninguém lhe consegue encontrar um dono 5 estrelas???

SPT # 7 - "All of Me"



O desafio deste mês no Self Portrait Tuesday é daqueles que nos dá para reflectir mesmo muito sobre nós próprios (o que nem sempre é fácil)!...
Seguindo o mote da canção jazz "
All of Me", o que interessa é apresentarmos auto-retratos que sigam esta perspectiva: "embrace your mistakes, love the ugly bits".

O desafio que o Ahrat me lançou ontem, ajudou-me bastante a pensar na foto que iria apresentar hoje. E, sendo assim, aqui fica mais uma das minhas manias, um dos meus "ugly bits": - o facto de, quando estou mais enervada, me pôr a tirar as peles do canto das unhas.
Sim, eu sei que é um hábito mesmo horrível e nada bonito de se ver (o meu amigo Tiago é que me está sempre a dar estaladas nas mãos, quando faço isso)... mas podia ser bem pior, se, em vez disso, eu roesse as unhas.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

5 (+ 1) Manias Minhas


Comentava eu, esta manhã, com um colega de trabalho, como aquela mania dos e-mails de "forward" de questões pessoais e/ou para nos conhecermos melhor se tinha rapidamente transposto para a blogosfera...
E eis senão quando, me fazem este desafio!...
Mas como foi o Ahraht a avançar com o jogo, vou responder :)

1. Estou sempre a fazer grandes filmes e a inventar histórias na minha cabeça com qualquer cena que veja na rua ou com qualquer bocadinho de conversa que ouça... particularmente, quando se tratam de pessoas que não conheço.
1.a. (Nota: - Esta agora vem por acréscimo da anterior)- Consigo estar a ter uma conversa de teor importantíssimo com alguém e a prestar-lhe a máxima das atenções, mas, simultaneamente, não me consigo desligar de todos os pequeninos acontecimentos que sucedem à minha volta.

2. Detesto relógios. Não os uso no pulso para aí desde o 1º ano do liceu, porque considero que são elementos "castradores" (uma forma de pressão) do verdadeiro tempo que temos para nós próprios. No entanto, chego sempre a horas aos meus encontros!...

3. O meu maior sonho... quando me reformar (para aí daqui a 30 ou 40 anos), abrir uma papelaria! Tenho uma ligeiríssima "pancada" por cadernos e blocos de notas, já para não falar de canetas.

4. Detesto tocar, ser tocada ou ter qualquer peça de roupa que me toque muito no umbigo (esta deve ter uma explicação psicológica, que ainda não desvendei).

5. Sou um bocadinho claustrofóbica/agorofóbica (ou seja, detesto estar em espaços demasiado fechados e não me sinto bem perto de grandes multidões).

6. Adoro animais (especialmente, gatos) e não me consigo impedir de ficar a pensar imenso na sua triste situação, quando os vejo abandonados.



E vou lançar este desafio a:

- A Barriga de um Arquitecto
- A Casa dos Miados
- Ponto de Exclamação!
- Sabes uma Coisa?