segunda-feira, 26 de dezembro de 2005

Plantar uma Árvore

Imagem da esquerda disponível em: http://rostliny.nikde.cz/view.php?cisloclanku=2004051701


Diz a sabedoria popular que um homem (ou mulher) só tem uma vida completa quando planta uma árvore, escreve um livro e tem um filho!...

Não foi propositado, mas hoje plantei a minha primeira árvore... uma Tamarix.
Na verdade, é mais um arbusto (bastante) grande do que uma árvore, mas o que conta é a intenção.

domingo, 25 de dezembro de 2005

Natal


Mais um Natal que se passou!

Há exactamente um ano, na noite de ontem (24/12/05), estivemos na minha casa nova, a estreá-la, quando eu ainda nem sequer lá morava.

Ontem, para manter a nova tradição, a ceia de Natal foi, mais uma vez, em minha casa... que já estava bem mais quentinha do que há um ano, com mais comodidades e com 3 gatas a brincarem desenfreadas com os laços dos presentes.

Durante a tarde, ainda tentei dormitar um pouco (pois a semana que passou tem sido profícua em termos de insónias), mas os telefonemas e sms's dos amigos (a desejarem boas festas), a juntar a uma enorme discussão dos meus vizinhos do R/c impediram-me de o fazer.

Depois, foi a maratona de tentar ter o jantar pronto a horas decentes!... Desde há alguns anos a esta data, que improvisamos sempre novas receitas de bacalhau (e o deste ano, com arroz tailandês e tomate, acompanhado de uma salada de bróculos e couve-flor com molho béchamel e amêndoas foi aprovadissímo).


Mais do que qualquer outra coisa, foi bastante agradável o poder estar com a minha família, assim de uma forma mais prolongada e sem quaisquer tipo de pressões.

Entre os presentes (que recebi) a destacar, a primeira caixa dessa série de culto da nossa infância: “Verão Azul”... a relembrar bons velhos tempos.

Quanto aos meus presentes, este ano, decidi ir um pouco contra a corrente consumista e oferecer apenas a cada membro da minha família um livro, que tivesse algo a ver com cada um deles.
“A Santa Aliança - Cinco séculos de espionagem do Vaticano” (de Eric Frattini) para o meu avô, “Bilhete de Identidade : Memórias / 1943-1976” (de Maria Filomena Mónica) para a minha avó, “D'este viver aqui neste papel descripto - Cartas da Guerra” (de António Lobo Antunes) para a minha mãe e “Manobras de Diversão” (Livro + DVD inédito das Produções Fictícias) para o meu irmão, foram as minhas escolhas.

Mal a noite terminara e o dia amanhecia, lá fomos para casa da minha mãe para continuar o repasto. Devo confessar que esta coisa das comidas e doces (especialmente dos fritos!) é que me acaba sempre por estragar o Natal e deixar com o estômago às voltas!...
Por esta altura já vou em duas garrafas de "Água das Pedras".

sábado, 24 de dezembro de 2005

Feliz Natal!


"Natal, e não Dezembro"
(de David Mourão-Ferreira)

Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio, num presépio,
num prédio, num presídio no prédio
que amanhã for demolido...

Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois:
somos duzentos, duzentos mil,
doze milhões de nada.

Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...

Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.




Para todos os que têm tido a paciência de me continuar a ler (aqui no blog), deixo-vos os meus votos sinceros de que passem um bom Natal junto das vossas famílias!

Um pensamento, também, muito especial para todos os amigos que contribuíram para o crescimento da minha árvore de Natal -[Foto 3 - canto inferior esquerdo], este ano!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

Concurso de Natal

Fotomontagem elaborada por AC.


Depois do post que aqui coloquei há alguns dias, descobri mais uma série de pessoas que andam a ficar alucinadas (tal como eu!) por causa das decorações de Natal deste ano!...
Podem ler os seus testemunhos aqui e aqui.

Devo, porém, comunicar-vos a todos que descobri, finalmente, o motivo que levou a que este ano houvesse uma profusão tal de iluminações (paradoxalmente, compradas nas lojas dos chineses, que nem sequer comemoram o Natal, mas têm um bom olho para o negócio) nas janelas dos lares portugueses.

A verdade é que, depois do sucesso dos bonecos do Pai Natal enforcados às janelas, este ano, foi lançado o concurso "A Varanda mais Iluminada de Portugal"... patrocinado, especialmente, nesta época natalícia pela EDP (que é quem fica a ganhar com a situação!).

Ontem à noite, ainda tentei tirar uma fotografia ao prédio mais decorado (com bonequinhos do Pai Natal em cada um dos andares) e iluminado (com uma incandescência tal de luz, que até deve ser confundido com o aeroporto de Lisboa, quando os aviões estão prestes a aterrar) aqui do bairro... que, segundo consta, é o que vai mesmo ganhar o primeiro prémio deste concurso.

Infelizmente, os seus habitantes devem ter ouvido a notícia que passou em todos os noticiários da noite sobre o acréscimo do preço da electricidade, pois as iluminações natalícias encontravam-se todas apagadas.

Sendo assim, deixo-vos aqui a fotografia da varanda mais iluminada da minha rua; que, apesar dum pouco tremida (mas, dada a qualidade deste concurso, isso até nem é o pior!) faz bem jus ao mote do concurso.

Estrela de Natal


Uma amiga do meu irmão, que tem um horto, ofereceu-me ontem uma linda Estrela de Natal.
Muito obrigada, Joana!

Aqui ficam as fotos!...

A Ronda das Prendas


Desde que me mudei para a minha casinha nova (está quase a fazer um ano!) que tenho por hábito, nesta época do ano, oferecer uma caixa de bonbons a algumas pessoas... que não fazem parte da minha família, nem do meu grupo de amigos.

Inicialmente, foi só a uma vizinha minha, a D. M., pela forma simpática como me acolheu aqui no prédio e se disponibilizou para me ajudar no que fosse preciso.
Este ano, alarguei, também, o rol de ofertas à D. L., porque é quem me guarda sempre as encomendas e cartas que não cabem na minha caixa do correio;
À equipa da clínica veterinária onde costumo levar as minhas gatas (que, também, são meus vizinhos de rua), pela forma profissional mas humana como me acompanharam aquando da doença e consequente morte da Amélie;
E, finalmente, à C., a minha cabeleireira, uma rapariga impecável, que teve a infindável paciência de me aturar quando quis deixar de pintar o cabelo e voltar à minha cor normal.

Ontem, consegui terminar de entregar todas as caixas de bonbons, acompanhadas do tradicional postalinho de boas festas home made.

Pode parecer palermice, mas penso que são estes pequenos gestos de simples agradecimento que ajudam a humanizar aquelas relações que temos uns com os outros (mesmo para com aqueles que nos prestaram um qualquer tipo de serviço).
E esse sim, é o verdadeiro espírito de Natal!...

quinta-feira, 22 de dezembro de 2005

Moleskine - II


Adoro o meu caderno novo da Moleskine!...
De capa dura (num tecido acetinado lindíssimo) e pequenino, cabe na mala e dá para andar sempre comigo, para anotar aqueles pensamentos que surgem assim quando menos esperamos (e que depois dão origem a muito daquilo que aqui aparece escrito).
Depois da agenda, este é um dos meus bens mais preciosos, para não perder em papéis soltos tudo aquilo que a minha cabeça vai produzindo.

O Homem e o Cão

Tinha o rosto duro e queimado pelo sol, deformado por feridas antigas encrustradas.
Do braço e perna do lado direito do seu corpo apenas possuía a metade superior, e andava para todo o lado numa cadeira de rodas.
Costumava estar junto à igreja a "pedir" esmola. E, depois, voltava para o terreno abandonado de um prédio embargado, onde se sabia que todos os drogados daquela zona deambulavam... mas, aparentemente, ele não era um deles.
Na rudeza do seu aspecto ressaltava o facto de andar sempre acompanhado por um cão (muito bem tratado), um rafeiro de focinho meigo e olhos doces, que seguia a sua cadeira de rodas diligentemente para todo o lado.
Por vezes, a altas horas da noite, lá ia ele, pelo meio da estrada, na sua cadeira de rodas, transportando ao seu colo o tal rafeiro, que abraçava como a um amigo.
Sempre que revejo este homem, lembro-me de uma história que, um dia, alguém me contou...
Sobre um sem-abrigo que, ao ser levado para um dos centros de abrigo nocturno da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, passou a noite a velar junto ao cacifo que lhe tinham cedido para guardar os seus pertences. Mais tarde, na manhã seguinte, alguém descobriu que, na verdade, este homem não pregara olho toda a noite, porque tentara, assim, proteger o seu fiel companheiro de infortúnio (um pombo que adoptara na rua), guardando-o no tal cacifo.


[Hoje entabulei conversa com este homem.
E fiquei a saber que, afinal, não se trata de um cão, mas sim de uma cadela.
Pareceu-me ter ficado contente por alguém lhe dirigir a palavra.]

quarta-feira, 21 de dezembro de 2005

Os Amigos não de sempre... mas para sempre!


Para compensar as imensas maldades que disse sobre o Natal nos 2 posts anteriores, aqui vai um post de pensamento mais positivo!...

Hoje tive a imensa felicidade, para poder construir a minha árvore de Natal, de receber 2 postais lindíssimos de 2 Amigas (muito obrigada Bárbara e Cristina!)... Que me deixaram mesmo emocionada com as suas palavras
(isto deve ser o espírito natalício a abater-se sobre mim, ou então, é só mesmo por nestes últimos dias andar assim meio "piriri", como diria a Patrícia)!

É bem certa aquela frase que diz que "Os amigos são a família que escolhemos"!...

E entre amigos de longa data (daqueles com quem me dou já há cerca de 11 anos) ou aqueles que conheci nestes últimos anos, a diferença não é nenhuma!...
O que conta é a amizade que vai sendo construída e fortalecida a cada dia que passa!


"Os Amigos"
(José Tolentino Mendonça)
Os amigos
Esses estranhos que nós amamos
e nos amam
olhamos para eles e são sempre adolescentes,
assustados e sós sem nenhum sentido prático
sem grande noção da ameaça
ou da renúncia que sobre a luz incide
descuidados e intensos no seu exagero
de temporalidade pura

Um dia acordamos tristes da sua tristeza
pois o fortuito significado dos campos
explica por outras palavras
aquilo que tornava os olhos incomparáveis

Mas a impressão maior é a da alegria
de uma maneira que nem se consegue
e por isso ténue, misteriosa:
talvez seja assim todo o amor.


Decorações de Natal


Hoje tenho que vos falar sobre um assunto no qual já ando a matutar desde finais de Novembro, quando começaram a ser expostas as primeiras decorações de Natal!...

A verdade é que tenho que concordar a 100% quando
alguém (de um outro blog que costumo ler) disse que, este ano, os portugueses se conseguiram mesmo exceder nas suas decorações natalícias... as quais deixaram de ter um carácter íntimo e privado para passarem a servir de verdadeiras formas de ostentação (e mau gosto)!
Já há cerca de 2 anos que, por esta época, se viam uns quantos bonecos, alusivos à imagem do Pai Natal, pendurados nas janelas de Lisboa. Tendo esta ideia surgido pela primeira vez quando, há cerca de 3/4 anos, no edifício do "Diário de Notícias", na Av. da Liberdade, colocaram uma destas figuras em formato XXL a escalar o edíficio.

Porém, este ano, todo o português que quer ser bom pai de família tem que ter um desses bonecos colocado na sua janela (e mesmo o imigrante ucraniano, como é o caso de um casal que vive no meu prédio)... tendo passado a existir em milhares de janelas, em cada um dos bairros lisboetas, bonecos vestidos de vermelho (seja a subirem uma corda branca, seja sentados num baloiço iluminado, seja o que for!) pousados como se ali tivessem aterrado via OVNI.

Tal como a algumas outras pessoas, a mim, este fenómeno também me causa um pouco de urticária!...
Bem sei que gostos não se discutem (muito menos, nestas coisas natalícias, que são sempre muito subjectivas), mas, desde adolescente, algo que sempre me incomodou foi o fenómeno de seguir modas, de ter que fazer determinada coisa, ter que ir a este ou àqueloutro lugar ou vestir a peça X ou Y, pura e simplesmente, porque os padrões esteticamente impostos pela sociedade capitalista/consumista em que vivemos assim o impõem!...

Provavelmente, no fundo, o que me chateia é pensar que estou, por exemplo, a vestir uma peça que milhentas outras pessoas (com as quais me cruzarei, seja nos transportes ou no emprego), naquele mesmo dia, estão, também, a usar.
Porque, o facto, é que, para mim, cada indivíduo é único e, como tal, deveria poder expressar a sua individualidade livremente, da forma que mais lhe conviesse, não seguindo os tais padrões impostos pela sociedade.

Tudo isto para voltar à história dos bonecos do Pai Natal colocados à janela!...
Fenómeno de moda, fenómeno de (histerismo das) massas... o que quer que ele seja, é algo que se assemelha bastante àquele outro fenómeno das bandeiras portuguesas hasteadas em cada janela de cada lar português, durante o campeonato do Euro 2004... e que, em muitos casos, carcumidas pelo pó e desbotadas pelo sol, ainda ali permanecem até hoje.