Centro Comercial Colombo, ontem, 11h da manhã.
Enquanto ajudava o meu irmão nas suas compras de Natal, tentaram impingir-nos um qualquer livro editado para ajudar o Instituto de Apoio à Criança (salvo erro!).
“Não, muito obrigada, não estou interessada!” – respondi, como, normalmente, faço, sempre que me tentam impingir alguma coisa.
A rapariga não insistiu e foi-se embora, tentar vender o livro a uma mãe com duas crianças pequenas.
Foi a partir deste momento que tomei a firme resolução que, se me vêm tentar vender mais alguma coisa para ajudar quem quer que seja, até ao final do ano, passarei a responder da seguinte forma: - “Não, muito obrigada. Durante 12 meses por ano já ajudo públicos desfavorecidos no trabalho que faço... e não é apenas nesta altura do ano que me lembro deles!”
Posso estar a ser demasiado radical, mas uma das coisas que mais me irrita nesta época do ano é a infindável quantidade de campanhas para angariar fundos de ajuda (aos “pobrezinhos”, às criancinhas, aos sem-abrigo, às criancinhas doentes e maltratadas) que são lançadas!...
Não é que, pessoalmente, tenha alguma coisa contra o auxílio a qualquer grupo desfavorecido ou excluído que seja... muito pelo contrário!!! E até acho bem que as pessoas ajudem e tudo.
O que me incomoda sobremaneira é o reverso destas campanhas: é o facto delas serem lançadas, à priori, como se quem as concebeu pensasse que esta é a única época do ano em que os indivíduos se encontram mais sensibilizados para estas questões, como se apenas nesta altura a nossa consciência social nos obrigasse a agir.
O problema reside precisamente aí: é que, efectivamente, para grande parte da população portuguesa, apenas esta época do ano conta para as suas consciências sociais (seja porque são pressionados pelos meios de comunicação social que os bombardeiam com reportagens que apelam a “ajudar os desgraçadinhos”, seja porque, de facto, esta é uma época do ano que faz as pessoas pensarem nas situações mais tristes)!!!
Também não é que eu quisesse que todas as pessoas trabalhassem em áreas mais sociais, de auxílio à exclusão (isso sim, seria estar a ser demasiado radical), mas o que me dá mesmo a volta ao estômago é a hipocrisia de grande parte da nossa sociedade actual: que, nas restantes épocas do ano, se esconde de todas as crianças maltratadas e outros públicos excluídos, virando enjoadamente a cara a alguém que passa a pedir esmola... como se não se tratasse, sequer, de um ser humano.







