Desde que me conheço a mim própria que sempre tive a sensação de não querer chegar aos 60, 70 anos!... Talvez fosse melhor ficar pelo caminho!
É verdade que, para a maior parte das pessoas que alcançam estas idades, deve ser uma sensação agradável o culminar de toda uma vida, repleta de momentos intensos, de inúmeras histórias, de encontros e desencontros, do próprio acompanhar da História humana (ainda que, muitas vezes, a memória os atraiçoe e faça com que permaneçam desfasados da época em que vivem, relembrando apenas os tempos de ouro em que outrora viveram).
Mas, quando vejo estas pessoas sentadas nos bancos dos jardins à espera de algo incerto que nunca chega, tenho sempre a vaga impressão de que a grande maioria delas não é feliz!...
Não devem ser felizes porque ser feliz é estar contente de viver no mundo e no tempo em que vivemos...
E deve ser mesmo muito triste quando nos apercebemos que a maioria dos nossos amigos já partiram, que somos olhados pelo resto da sociedade como um fardo e, no fundo, que já não temos mais nada a esperar nas nossas vidas.
Tudo isto para dizer que é muito triste quando assistimos de perto ao envelhecimento de alguém que nos é querido!...
É como se a pessoa se fosse desvanecendo lentamente perante nós, sem que nos apercebamos conscientemente disso.
Apesar de um imenso número de comportamentos reveladores do envelhecimento (perdas de memória, emotividade à flor da pele, mudanças bruscas de disposição, etc.), a nossa própria memória faz com que olhemos estes factos desfocadamente... e apenas conseguimos continuar a olhar aquela pessoa como se fora o Outro que nos acompanhou desde jovens.
No fundo, para uns e para outros, a memória é traiçoeira e apenas nos faz ver aquilo de que gostávamos... e não a tristeza da velhice!