
NOTA: - Ambas as fotografias da autoria do Estúdio Fotográfico "Águia de Ouro".
Não há nada mais irritante do que os domingos!...
Como dia da semana, já são o que são: entediantes, pois nunca sabemos bem o que fazer quando já sentimos um leve trago a fim do descanso e início de mais uma semana de trabalho!...
Mas com chuva, praticamente o dia todo, tornam-se muito piores ainda!...
Depois de ter arrumado + ou - a casa e de ter ido tomar café com a minha mãe (para a fazer desanuviar), consegui ficar ainda mais entediada e, para além disso, irritada, com as musiquinhas (electrónicas) de Natal que agora se ouvem por todas as lojas e outros afins!
Foi, então, que me pus a navegar ao acaso na net e descobri este site com um conceito bem interessante: colocar online as fotografias de pessoas quando elas eram bebés e de como são actualmente.
Certamente que, todos aqueles que nasceram no final dos anos 70, ainda se lembrarão daquele costume (hábito ou tradição) que, sobretudo, os nossos avós tinham, de nos levar àqueles fotógrafos antigos (aqueles que tinham uma série de papéis-de-fundo diferentes para alegrar as nossas fotos, que tinham como flash um enorme chapéu-de-chuva prateado e dos quais tínhamos de esperar, pelo menos uma semana, para receber as nossas fotos), para tirarmos o retrato?!
Acredito que se lembrem, pois foram gerações e gerações de crianças martirizadas (até poderíamos criar um site só para partilhar esse nosso trauma :)!!!
Em minha casa, essa tradição tornava-se, ainda, mais agonizante na medida em que a data fatídica escolhida pelos nossos avós para irmos ao fotógrafo era, precisamente, o dia do nosso aniversário!...
Durante anos e anos sem fim, durante o mês de Fevereiro e o mês de Abril, lá íamos, eu e o meu irmão, àquela loja de fotografia antiga, ao fundo da rua onde eles moram, para ver a fotógrafa... uma senhora, de meia idade, sempre com um sorriso muito irritante -e falso- nos lábios, que nos pedia para sorrirmos para a foto. E o mais grave de tudo é que, mesmo que não quiséssemos sorrir, éramos obrigados a isso, pois ela continuava a disparar aquele flash prateado sobre nós vezes e vezes sem conta até que esboçássemos o sorriso idealmente perfeito para ela.
Apesar desta tradição, também, ser interessante como ideia, já que ao fim de um certo tempo, dava para irmos verificando as nossas transformações físicas, através de todos os retratos tirados... O facto é que, para aí a partir dos 15 anos, nos começámos a fartar um bocado de toda esta situação e démos o nosso grito do Ipiranga!!!
De qualquer modo, aqui fica para a posteridade o ar de reguila que eu tinha na altura e o nariz de batatinha, com o qual toda a gente se metia dizendo que mo iam roubar -o que me irritava à brava- (foto da esquerda - com 1 ano).
Do lado direito (com 2 anos), mais uma foto de mais um aniversário!... Esta, por sinal, tem uma história bem engraçada: quando eu era pequenina, ficava entregue à porteira dos meus avós (porque todos trabalhavam lá em casa), uma senhora a quem eu chamava muito carinhosamente « Amiguinha ». Com essa senhora, ficava também uma miúda do prédio dos meus avós, mais velha que eu. Um belo dia, influenciada por uma qualquer novela brasileira da época, eu pedi-lhe para ela me cortar um pouco a franja... Resta dizer que, para além do meu cabelo ter ficado neste lindo estado, a minha mãe ia dando em doida quando me viu!