Foto de Ana Maria Duarte: Lago Kivu, Ruanda.
Sempre admirei bastante (e "invejei" um pouco) aquelas pessoas que partem em trabalho humanitário para África e outros continentes, na tentativa de ajudar os povos mais carenciados!...
E, também, já senti muita vontade de um dia o fazer...
Não porque sinta que tenho um espírito de Madre Teresa de Calcutá (aliás, a minha família e amigos mais chegados sabem bem que, de vez em quando, tenho uns certos laivos no meu feitiozinho que são mesmo muito ruins!), mas, pura e simplesmente, porque, de vez em quando, também me apetece fugir daqui, da monótona rotina do dia-a-dia... e, sobretudo, porque acho que sou daquele tipo de pessoas que, como dizia o poeta, "só se sente bem onde não está"!...
A Ana Maria é uma dessas pessoas que já partiu para o trabalho humanitário e por lá foi ficando!
Tudo começou há cerca de um ano e pouco, quando foi aceite para integrar uma equipa no Sudão. Desde então, já passou, também, pelo Chade, pela Venezuela e, actualmente, encontra-se no Ruanda (porque, segundo sizem, apesar de todas as contrariedades e precariedade pelas quais se tem que passar para fazer um trabalho deste género, o mesmo acaba por ser bastante viciante).
Conhecemo-nos no trabalho, cá em Portugal, e, apesar da nossa relação profissional não ter começado lá muito bem, (penso que posso dizer que) acabámos por nos tornar Amigas... por uma série de razões, entre as quais o facto de, em determinados momentos das nossas vidas, ambas termos vivido em França e partilharmos assim alguns points de repére comuns.
Quando olhamos para a Ana Maria, uma miúda de aspecto tão sereno e tranquilo e, simultaneamente, de uma sensibilidade à flor da pele, nenhum de nós pensaria que ela seria capaz de fazer um trabalho deste género.
Mas, actualmente, constatamos que, de facto, a Ana Maria foi feita para isto: para estar no terreno (mesmo que longe e, muitas vezes, em situações de perigo) a implementar projectos que, de certa forma, contribuam efectivamente para ajudar aqueles que mais necessitam (no caso dela, os refugiados)... e não para continuar sentada a uma secretária, como muitos de nós, a trabalhar em projectos ("experimentais") financiados pela Comissão Europeia, em que nunca vemos os frutos reais do nosso trabalho.
Por vezes, nas férias, a Ana Maria volta a Portugal (sempre dividida entre a família em Paris, e os amigos em Lisboa) para nos ver e estar connosco... Mas agora, já cá não vem há algum tempo.
Como ontem recebi algumas das fotos que ela vai tirando por esse mundo fora (a Ana Maria é daquele tipo de fotógrafas-amadoras que consegue mesmo captar, através da câmera, a alma de qualquer indíviduo e lugar), fiquei com muitas saudades da minha Amiga... e apeteceu-me escrever sobre ela!