Praticamente desde que me conheço que sempre tivemos animais lá em casa!...
Felizmente para mim e para o meu irmão, a nossa mãe sempre achou muito saudável a convivência das crianças com os animais (ao contrário de algumas “ideologias” mais retrógradas que por aí veiculam agora, e devido às quais existem muitos cães e gatos abandonados!), porque podíamos aprender uma série de coisas com eles, entre as quais 2 muito importantes: o respeito pela natureza e pelos outros seres vivos.
De início, quando ainda morávamos num T1 na Calçada do Tojal, tivemos 2 cágados e 2 rãs... que tiveram finais de vida um pouco tristes!...
A um dos cágados, na minha inocência infantil, tentei desenhar 2 olhos com uma caneta BIC como fazia aos meus bonecos. Se repararem bem, os olhos de um cágado mal se vêem... e provavelmente, eu terei pensado que lhe fazia falta ter 2 olhitos. Claro está que lhe faziam mesmo falta, e o pobre do cágado acabou por cegar, tendo eu ficado com grandes problemas de consciência devido ao que fiz até hoje! De qualquer modo, e sem me querer estar a isentar de culpas, diga-se de passagem que, há quem faça bem pior, como o caso de um amigo meu que só por ter sido mordido por um periquito, lhe retirou, propositadamente, uma a uma, todas as suas penas, escondendo-as nos bolsos do seu roupão.
As rãs viviam felizes e contentes num pequeno lago improvisado, numa varanda enorme que tínhamos... lago esse onde os 2 cágados, também, costumavam ir beber água. Tendo um dos cágados comido, por engano, uma das tartarugas, enquanto bebia água.
Quanto ao 2º cágado (o que não era cego), quando mudámos de casa, perdeu-se na camioneta da empresa de mudanças... ou então, decidiu mesmo fugir de vez de uma casa tão alucinada.
Já na casa nova, fartava-me de pedir à minha mãe para ter um gatinho... que, pelo menos, sempre era um animal mais interactivo e interessante para brincar connosco.
Até que um dia, tinha eu 6 anos... nunca me hei de esquecer do momento em que regressei a casa, vinda de um almoço com os meus avós... e, ao entrar no quarto do meu irmão, dou de caras com um belo gato tigrado que viera directamente do quintal de uma colega da minha mãe... o
Garoto.
O
Garoto foi o meu 1º gato, o grande companheiro de brincadeiras... e, em suma, de uma vida. Era um gato muito meigo e dedicado a nós. A forma como, após 15 anos connosco, num certo sábado fatal, já quase a desfalecer (devido a um problema de rins – que afectam sempre grande parte dos gatos na velhice), nos miou de uma forma diferente do habitual, esperando que estivéssemos os 3 junto dele, para fechar os olhos de vez, impressiona-me até hoje.
Ainda o
Garoto era vivo, e a minha mãe decidiu fazer a vontade ao meu irmão, e deixá-lo escolher mais um gato para levar lá para casa. Nessa altura, a gata de um vizinho tinha tido filhotes e foi assim que o
Fofinho (inicialmente, Fofinha, por erro de visualização!) assentou arraiais lá em casa. Apesar de, inicialmente, termos pensado que o
Garoto (na altura, já adulto) fosse matar o
Fofinho (uma coisita de 2 meses e pouco), por ciúmes, eles acabaram por se entender muito bem, parecendo quase pai e filho.
A seguir veio a
Maruska (que apareceu ao parapeito da nossa janela, perdida ou abandonada, numa noite de chuva), quando o
Garoto já estava doente.
Da gravidez dela (o pai foi o
Fofinho, apesar da minha mãe sempre ter pensado que, devido à estreita convivência com outro gato adulto, ele fosse homossexual) nasceram lá em casa (e, qualquer nascimento que seja, de um animal ou de um ser humano, é uma coisa verdadeiramente extraordinária de se assistir): a
Xaninha, o
Tristão e o
Bócas (derivado das famosas “Bombócas”, lembram-se?!), com os quais acabámos por ficar, por não conseguirmos mesmo resitir àqueles focinhos lindos.
A partir daí, foi o descalabro na nossa paixão felina!...
Seguiram-se a
Selma (gata bébé encontrada perdida num tecto falso do emprego da minha mãe), a
Joana (gata muito delicada que vivia numa colónia, a quem a minha mãe dava comida, perto da Praça de Benfica ), a
Alexia (gata tripé - como os meus amigos gostam de dizer -, por ter sido atropelada ainda bébé... que eu salvei de um destino selvagem e incerto... a Lécas, de meia leca, como lhe chamamos carinhosamente), a
Bruma (gata que foi salva de uma tentativa de enforcamento com arame farpado num parque do Inatel, e por quem a minha mãe se apaixonou), a
Bia (gata muito nervosa... o que é, perfeitamente, normal, depois de ter sido por 2 vezes baleada e ter estado à beira da morte) e, por último, a
Estrelinha... que foi lá para casa, este ano, já depois de o
Fofinho (quase com 16 anos) ter morrido, em Março 05, após um sofrimento atroz e indescritível.
Pelo meio, entremeado com os gatos, tivemos 2 peixes (que foram, logicamente, comidos pelo
Garoto e substituídos por outros peixes em casa dos meus avós), inúmeros hamsters, periquitos, 1 novo cágado (de seu nome
“Touché”, que adorava brincar à bola com 2 das gatas – sendo ele a bola, claro está!)... e, no meu emprego, "tive" um cão de nome
Snoopy, a quem costumava dar comida.
Já na minha casa nova, há cerca de 10 meses, não me consegui despegar desta paixão por felinos e adoptei 3 gatas (
sobre as quais já está prometido que escreverei num outro post)... tendo uma
4ª gata "protegida", que vive nos quintais das traseiras.
Outro dos princípios muito importantes que a minha mãe sempre me dizia, em pequena, que deveria aprender, na convivência com os animais, era o facto de todos os seres vivos nascerem, crescerem e, um dia, terem que morrer… e que isso deveria ser encarado com naturalidade.
Mas a verdade é que, até hoje, e já lá vão 29 anos, continuo a chorar baba e ranho de cada vez que morre algum dos meus animais “de estimação” (palavra bem estranha de se utilizar para um bicho que, praticamente, nos acompanhou em grande parte da nossa vida)... porque, só quem já teve animais, poderá saber e compreender que, por mais estúpido que possa parecer, quando “perdemos” um gato (ou um cão ou o que quer que seja), é como se estivéssemos a perder alguém de quem gostamos muito.
Porque os animais gostam de nós e estimam-nos sem pedir nada mais em troca do que um pouco de atenção...