O meu prédio tem 3 andares e fica numa daquelas ruas tipicamente lisboetas, onde praticamente todos os vizinhos e comerciantes se conhecem e dizem os “Bons dias” uns aos outros… e onde, à noite, pelo menos uma vez por semana, vem uma ambulância do INEM ou de um qualquer hospital buscar alguém, devido à média etária da população residente.
O meu prédio foi construído em 1950 e pertencia, segundo consta na certidão da 5ª Conservatória do Registo Predial de Lisboa, a famílias de militares.
Aliás, lá na minha rua, há para aí uns 6 prédios - todos lado a lado - com a mesma traça arquitectónica, cuja utilização, provavelmente, se prendia com os mesmos fins.
De há uns tempos para cá que, como boa antropóloga que se preze, tenho vindo a reparar numa série de características dos habitantes do meu prédio, que me levam a acreditar piamente que eles mais parecem saídos da ficção. Ou seja, nunca o surrealismo teve um sinónimo tão exacto e perfeito como aqui no meu prédio!...
O meu prédio foi construído em 1950 e pertencia, segundo consta na certidão da 5ª Conservatória do Registo Predial de Lisboa, a famílias de militares.
Aliás, lá na minha rua, há para aí uns 6 prédios - todos lado a lado - com a mesma traça arquitectónica, cuja utilização, provavelmente, se prendia com os mesmos fins.
De há uns tempos para cá que, como boa antropóloga que se preze, tenho vindo a reparar numa série de características dos habitantes do meu prédio, que me levam a acreditar piamente que eles mais parecem saídos da ficção. Ou seja, nunca o surrealismo teve um sinónimo tão exacto e perfeito como aqui no meu prédio!...
Provavelmente, tem tudo uma explicação muito lógica e plausível, que se prende com o facto de, durante mais de 20 anos, ter vivido com a minha família num daqueles prédios enormes: com 12 andares e 5 moradores em cada um deles, onde, ao fim de um certo tempo, deixamos de conseguir conhecer a cara de toda a gente que ali mora… porque 60 famílias num só prédio, acaba por ser muita gente junta!!!
Desta forma, talvez o facto de, há cerca de 10 meses, ter começado a viver num microcosmos proporcionalmente bem mais pequeno, me tenha afectado o juízo e feito distorcer um pouco a forma como vejo a realidade.
De qualquer modo, a verdade é que esta nova vidinha de habitante de um prédio de 3 andares se tem revelado muito interessante… daí ter resolvido escrever sobre os meus vizinhos, sem que isso implique, logicamente, que esteja a dizer mal deles ou o que quer que seja! Apenas os acho interessantes e dignos de figurarem nestas parcas 4 páginas (se este post tivesse sido publicado em versão Word, note-se de passagem!).
Por uma questão de privacidade, optei por os mencionar apenas pela primeira letra do seu nome (de modo, também, a que nenhum deles possa, eventualmente, descobrir este post na Internet... e depois ainda venho a ter problemas).
Curiosamente, nunca me interessou muito saber quem é que viveu no meu andar (o 1º Esq.), antes de mim!...
Porque, como diz a Vanessa, uma amiga minha que mora em Londres (num daqueles apartamentos do século passado, em que existem ratos nos esgotos, de um tamanho inverosímil, como os que dizem existir no Convento de Mafra), nunca se sabe se o anterior proprietário ali morreu e em que condição poderá o seu fantasma regressar (o que quer que isso queira dizer!).
Desta forma, talvez o facto de, há cerca de 10 meses, ter começado a viver num microcosmos proporcionalmente bem mais pequeno, me tenha afectado o juízo e feito distorcer um pouco a forma como vejo a realidade.
De qualquer modo, a verdade é que esta nova vidinha de habitante de um prédio de 3 andares se tem revelado muito interessante… daí ter resolvido escrever sobre os meus vizinhos, sem que isso implique, logicamente, que esteja a dizer mal deles ou o que quer que seja! Apenas os acho interessantes e dignos de figurarem nestas parcas 4 páginas (se este post tivesse sido publicado em versão Word, note-se de passagem!).
Por uma questão de privacidade, optei por os mencionar apenas pela primeira letra do seu nome (de modo, também, a que nenhum deles possa, eventualmente, descobrir este post na Internet... e depois ainda venho a ter problemas).
Curiosamente, nunca me interessou muito saber quem é que viveu no meu andar (o 1º Esq.), antes de mim!...
Porque, como diz a Vanessa, uma amiga minha que mora em Londres (num daqueles apartamentos do século passado, em que existem ratos nos esgotos, de um tamanho inverosímil, como os que dizem existir no Convento de Mafra), nunca se sabe se o anterior proprietário ali morreu e em que condição poderá o seu fantasma regressar (o que quer que isso queira dizer!).
Parece que o meu andar foi pertença do Dr. J e da Dª. ML, 2 velhinhos muito bem dispostos que, nas reuniões de Condomínio, me tratam sempre como se fosse uma neta e passam mais de três quartos da reunião a relembrar como o prédio e os seus sucessivos habitantes eram, quando eles ainda eram novos (aliás, até há bem pouco tempo atrás, antes de ter sido constituída a propriedade horizontal do edifício, eram eles os donos de mais de metade do prédio).
O Dr. J e a Dª. ML alugavam regularmente o meu actual apartamento; sendo que o último inquilino terá sido um velhote, que faleceu, mas do qual ainda hoje recebo as missivas do Ministério das Finanças.
A Dª. L é a inquilina do R/c Dto. (um dos que ainda é pertença dos supra mencionados Dr. J e da Dª. ML).
A Dª. L é a inquilina do R/c Dto. (um dos que ainda é pertença dos supra mencionados Dr. J e da Dª. ML).
É a típica vizinha que sabe (e conta) a vida de todos os vizinhos do prédio… com a leve nuance de não o fazer por mal, mas, pura e simplesmente, porque, para além de guardar religiosamente o correio XL (extra-large) que chega para os vizinhos e de tratar dos afazeres de uma velhota de um prédio do outro lado da rua, não tem mais nada para fazer.
A Dª. L tem uma gata preta (que, segundo ela, ri –ou faz um som similar ao do riso humano-, quando lhe fazem cócegas na barriga) e o cabelo mais negro que já vi em dias da minha vida (apesar de a senhora já ter para aí uns 60 e poucos anos)… conjugação essa que, inicialmente, das inúmeras vezes que a via à sua janela a observar quem passava, fazia com que, aos meus olhos, a Dª. L se assemelhasse a uma daquelas bruxas das histórias para crianças.
Mais tarde, depois de inúmeras conversas de vão de escada sobre felinos (acaba por ser o nosso ponto comum, uma vez que, também, tenho 2 gatas em casa), vim a perceber que, afinal, a Dª. L é uma pessoa muito sofrida, a quem dois dedos de conversa bastam para preencher o dia.
Por isso, cada vez que a volto a encontrar, mesmo que esteja muito cansada ou sem paciência alguma, acabo sempre por falar um pouco com a senhora sobre inúmeros assuntos, assim meio dispersos (sobretudo, quando ao final do dia, os vapores etílicos já lhe aqueceram a alma e a puseram de bom humor e a rir descontroladamente).
Pretensiosismo à parte… cada vez que "dou" um pouco de conversa à Dª. L, sinto-me sempre como a Amélie Poulain (personagem principal no filme de Jean Pierre Jeunet), na cena em que ela sussurra ao ouvido de um cego - como se de uma dança se tratasse - a descrição de tudo aquilo que há de maravilhoso e belo no quotidiano da Rue Lepic, em Montmartre.
Claro está que Benfica não tem o mesmo tipo de encantos que o 18º arroundissement de Paris (cada cidade tem a sua beleza muito própria!); mas, pelo menos, sinto que ao dar um pouco de atenção à Dª. L (de quem nem sequer conheço a história da tal vida sofrida, que se lhe espelha no rosto!) lhe alegro um pouco o dia e a sua existência de vizinha mais bem informada do prédio.
A Dª. L tem uma gata preta (que, segundo ela, ri –ou faz um som similar ao do riso humano-, quando lhe fazem cócegas na barriga) e o cabelo mais negro que já vi em dias da minha vida (apesar de a senhora já ter para aí uns 60 e poucos anos)… conjugação essa que, inicialmente, das inúmeras vezes que a via à sua janela a observar quem passava, fazia com que, aos meus olhos, a Dª. L se assemelhasse a uma daquelas bruxas das histórias para crianças.
Mais tarde, depois de inúmeras conversas de vão de escada sobre felinos (acaba por ser o nosso ponto comum, uma vez que, também, tenho 2 gatas em casa), vim a perceber que, afinal, a Dª. L é uma pessoa muito sofrida, a quem dois dedos de conversa bastam para preencher o dia.
Por isso, cada vez que a volto a encontrar, mesmo que esteja muito cansada ou sem paciência alguma, acabo sempre por falar um pouco com a senhora sobre inúmeros assuntos, assim meio dispersos (sobretudo, quando ao final do dia, os vapores etílicos já lhe aqueceram a alma e a puseram de bom humor e a rir descontroladamente).
Pretensiosismo à parte… cada vez que "dou" um pouco de conversa à Dª. L, sinto-me sempre como a Amélie Poulain (personagem principal no filme de Jean Pierre Jeunet), na cena em que ela sussurra ao ouvido de um cego - como se de uma dança se tratasse - a descrição de tudo aquilo que há de maravilhoso e belo no quotidiano da Rue Lepic, em Montmartre.
Claro está que Benfica não tem o mesmo tipo de encantos que o 18º arroundissement de Paris (cada cidade tem a sua beleza muito própria!); mas, pelo menos, sinto que ao dar um pouco de atenção à Dª. L (de quem nem sequer conheço a história da tal vida sofrida, que se lhe espelha no rosto!) lhe alegro um pouco o dia e a sua existência de vizinha mais bem informada do prédio.
Ao lado (no R/c Esq.) é o consultório do Dr. AJ (onde se costumam realizar as reuniões de Condomínio), que já servia as mesmas funções, anteriormente, para o seu pai. Ou seja, a tradição do negócio de família tem vindo a manter-se!...
O Dr. AJ, cinquentão, é médico de clínica geral mas, como partilha o seu consultório com um psicólogo, deve ter sofrido algumas das suas influências, porque também adquiriu aquele ar meio alucinado e despistado que todos os psicólogos têm (como se, também, eles precisassem de se deitar num divan ou numa méridienne –como a de Sigmund Freud- para falar sobre os seus problemas).
Fora os seus horários de consulta, o Dr. AJ não passa muito tempo lá no prédio, mas mantém uma relação afável praticamente com todos os vizinhos (tendo, até, cedido parte do quintal que lhe pertencia -e se encontrava ao abandono- aos vizinhos do R/c Fundos, a Dª. M e o seu marido, o Sr. S).
Segundo consta nos ancestrais arquivos do meu prédio (ou seja, na memória da Dª. M), em tempos que já lá vão, a família do Dr. AJ morava praticamente toda lá no prédio. Existindo até um tia do Dr. AJ que, à semelhança da actual proprietária do 1º Esq., gostava muito de dar comida aos gatos que viviam por ali nos quintais das traseiras (a única particularidade que destoa na loucura das duas figuras é que a actual moradora do 1º Esq. escolheu apenas 1 gata dos quintais para sua "protegida", ao passo que a tia do Dr. AJ era aos 20 e aos 30 gatos!).
No R/c Fundos (uma porta que mal se vê quando entramos no prédio, pois fica meio desnivelada entre o R/c Dto. e o R/c Esq., ao fundo de umas escadas), moram a Dª. M, o Sr. S, seu marido e a R, filha de ambos.
O Dr. AJ, cinquentão, é médico de clínica geral mas, como partilha o seu consultório com um psicólogo, deve ter sofrido algumas das suas influências, porque também adquiriu aquele ar meio alucinado e despistado que todos os psicólogos têm (como se, também, eles precisassem de se deitar num divan ou numa méridienne –como a de Sigmund Freud- para falar sobre os seus problemas).
Fora os seus horários de consulta, o Dr. AJ não passa muito tempo lá no prédio, mas mantém uma relação afável praticamente com todos os vizinhos (tendo, até, cedido parte do quintal que lhe pertencia -e se encontrava ao abandono- aos vizinhos do R/c Fundos, a Dª. M e o seu marido, o Sr. S).
Segundo consta nos ancestrais arquivos do meu prédio (ou seja, na memória da Dª. M), em tempos que já lá vão, a família do Dr. AJ morava praticamente toda lá no prédio. Existindo até um tia do Dr. AJ que, à semelhança da actual proprietária do 1º Esq., gostava muito de dar comida aos gatos que viviam por ali nos quintais das traseiras (a única particularidade que destoa na loucura das duas figuras é que a actual moradora do 1º Esq. escolheu apenas 1 gata dos quintais para sua "protegida", ao passo que a tia do Dr. AJ era aos 20 e aos 30 gatos!).
No R/c Fundos (uma porta que mal se vê quando entramos no prédio, pois fica meio desnivelada entre o R/c Dto. e o R/c Esq., ao fundo de umas escadas), moram a Dª. M, o Sr. S, seu marido e a R, filha de ambos.
Como já foi dito, a Dª. M, aos 57 anos, é a memória viva do nosso prédio, o registo ancestral de todos os moradores que por ali passaram e de todas as situações que se viveram… porque, noutros tempos (antes do prédio ter passado a propriedade horizontal e de ela ter comprado a sua casa), a Dª. M era a porteira - profissão que exercia há cerca de 30 anos, desde que para ali tinha ido viver e que ali vira nascerem e crescerem os seus 5 filhos.
A Dª. M vende peixe congelado na Praça (ou mercado) de Benfica (curiosamente, na banca ao lado da senhora onde a minha mãe já costumava comprar peixe, o que fez com que, desde a minha mudança lá para o prédio, se criassem alguns laços mais estreitos entre as nossas famílias – sobretudo, porque a Dª. M pensa que eu sou daquele tipo de vizinhas que não dá trabalho nenhum e não chateia ninguém), mas continua a manter alguns dos maneirismos da sua antiga profissão, pois é ela quem recebe sempre (quase) de braços abertos os novos vizinhos que se mudam lá para o prédio e quem continua a colocar o caixote do lixo na rua (tarefa partilhada com a Dª. L do R/c Dto.).
O seu marido, o Sr. S, oito anos mais velho do que ela, trabalha no ramo da construção civil (o que dá sempre jeito, quando temos algum problema na canalização e outros afins) e, apesar de ser muito castiço, quando o encontramos nas escadas ou na rua, temos que fingir que vamos sempre com muita pressa, porque ele fala pelos cotovelos (daquele “falar” que se assemelha mais a um monólogo).
A R, tem 18 anos (é a filha mais nova, fruto de uma gravidez tardia, que a médica de família pensava ser apenas um tumor no estômago da sua mãe) e entrou agora para a universidade... tal como duas das suas irmãs, para um curso que lhe dê para ser professora.
A Dª. M vende peixe congelado na Praça (ou mercado) de Benfica (curiosamente, na banca ao lado da senhora onde a minha mãe já costumava comprar peixe, o que fez com que, desde a minha mudança lá para o prédio, se criassem alguns laços mais estreitos entre as nossas famílias – sobretudo, porque a Dª. M pensa que eu sou daquele tipo de vizinhas que não dá trabalho nenhum e não chateia ninguém), mas continua a manter alguns dos maneirismos da sua antiga profissão, pois é ela quem recebe sempre (quase) de braços abertos os novos vizinhos que se mudam lá para o prédio e quem continua a colocar o caixote do lixo na rua (tarefa partilhada com a Dª. L do R/c Dto.).
O seu marido, o Sr. S, oito anos mais velho do que ela, trabalha no ramo da construção civil (o que dá sempre jeito, quando temos algum problema na canalização e outros afins) e, apesar de ser muito castiço, quando o encontramos nas escadas ou na rua, temos que fingir que vamos sempre com muita pressa, porque ele fala pelos cotovelos (daquele “falar” que se assemelha mais a um monólogo).
A R, tem 18 anos (é a filha mais nova, fruto de uma gravidez tardia, que a médica de família pensava ser apenas um tumor no estômago da sua mãe) e entrou agora para a universidade... tal como duas das suas irmãs, para um curso que lhe dê para ser professora.
No 1º Dto., ao meu lado, já não mora ninguém há alguns anos!...
Consta que foi habitação de uma senhora de ascendência inglesa, que de lady não tinha nada, na medida em que, segundo consta nos autos dos vizinhos, deixou dívidas em todas as lojas da vizinhança e na conta do Condomínio, bem como o apartamento hipotecado em 3 instituições bancárias.
Há alguns largos meses, começou a haver um corrupio lá na porta ao lado, com gente a entrar com ferramentas e a sair com baldes de areia. Tendo o Sr. S descoberto que o apartamento fora vendido a um outro senhor, que o comprara para oferecer à filha. Até à data, continua a não morar lá ninguém (felizmente para mim! Só espero que o mesmo permaneça assim por muitos e longos anos!) e as obras tornaram-se mais esporádicas, já parecendo as famosas “obras de Santa Engrácia”.
Por cima do meu andar, no 2º Esq., mora uma senhora com a filha.
O seu apelido é “Manso”, mas de tranquila ela não tem nada, pois os sons que vêm lá de cima, a altas horas da noite, e me entram pela casa abaixo, mais parecem provocados pelos pés de um elefante ou pelas mãos de um hipopótamo.
A senhora “manso” trata-me sempre com um misto de cautela, olhar de louca e uma delicadeza demasiado forçada… talvez porque, quando fomos apresentadas, o seu primo (que, por acaso, até é o actual administrador do Condomínio) pediu-me, em tom de brincadeira, para o avisar se a sua prima fizesse muito barulho (como nunca o fiz até à data, a senhora “manso” deve andar sempre na expectativa... o que deve ser mesmo aterrador!).
Consta que foi habitação de uma senhora de ascendência inglesa, que de lady não tinha nada, na medida em que, segundo consta nos autos dos vizinhos, deixou dívidas em todas as lojas da vizinhança e na conta do Condomínio, bem como o apartamento hipotecado em 3 instituições bancárias.
Há alguns largos meses, começou a haver um corrupio lá na porta ao lado, com gente a entrar com ferramentas e a sair com baldes de areia. Tendo o Sr. S descoberto que o apartamento fora vendido a um outro senhor, que o comprara para oferecer à filha. Até à data, continua a não morar lá ninguém (felizmente para mim! Só espero que o mesmo permaneça assim por muitos e longos anos!) e as obras tornaram-se mais esporádicas, já parecendo as famosas “obras de Santa Engrácia”.
Por cima do meu andar, no 2º Esq., mora uma senhora com a filha.
O seu apelido é “Manso”, mas de tranquila ela não tem nada, pois os sons que vêm lá de cima, a altas horas da noite, e me entram pela casa abaixo, mais parecem provocados pelos pés de um elefante ou pelas mãos de um hipopótamo.
A senhora “manso” trata-me sempre com um misto de cautela, olhar de louca e uma delicadeza demasiado forçada… talvez porque, quando fomos apresentadas, o seu primo (que, por acaso, até é o actual administrador do Condomínio) pediu-me, em tom de brincadeira, para o avisar se a sua prima fizesse muito barulho (como nunca o fiz até à data, a senhora “manso” deve andar sempre na expectativa... o que deve ser mesmo aterrador!).
Ao seu lado, no 2º Dto., alugou casa (a um outro morador cujo paradeiro anda, há algum tempo, desconhecido e que tem, também, bastantes dívidas no Condomínio) um casal de ucranianos com uma filha de 5 anos.
Um casal de imigrantes (portanto!), nada mal sucedido, que já conseguiu arranjar dinheiro para comprar um carrinho topo de gama (cujo alarme toca todas as noites, ao chegarem a casa) e que subalugava um dos quartos de sua casa a um outro casal de compatriotas (bem mais problemáticos do que eles, na medida em que, antes de terem sido recambiados para outro qualquer quarto subalugado, tinham todas as noites discussões de faca e alguidar).
O único conflito de culturas que temos com eles é o facto de sacudirem sempre na janela da rua principal os seus tapetes e roupas de cama, que acabam por conspurcar as varandas (que ainda não foram fechadas de alto a baixo com o “belo” do alumínio) dos restantes vizinhos.
No 3º Esq. mora o Sr. F, com a esposa e 2 filhos.
Meteorologista de profissão, é quem fornece os relatórios preliminares para os vizinhos (mais antigos) saberem se podem ir de férias no mês X ou no mês Y.
Um casal de imigrantes (portanto!), nada mal sucedido, que já conseguiu arranjar dinheiro para comprar um carrinho topo de gama (cujo alarme toca todas as noites, ao chegarem a casa) e que subalugava um dos quartos de sua casa a um outro casal de compatriotas (bem mais problemáticos do que eles, na medida em que, antes de terem sido recambiados para outro qualquer quarto subalugado, tinham todas as noites discussões de faca e alguidar).
O único conflito de culturas que temos com eles é o facto de sacudirem sempre na janela da rua principal os seus tapetes e roupas de cama, que acabam por conspurcar as varandas (que ainda não foram fechadas de alto a baixo com o “belo” do alumínio) dos restantes vizinhos.
No 3º Esq. mora o Sr. F, com a esposa e 2 filhos.
Meteorologista de profissão, é quem fornece os relatórios preliminares para os vizinhos (mais antigos) saberem se podem ir de férias no mês X ou no mês Y.
É, provavelmente, também, devido ao facto deste senhor saber tanta coisa a propósito das nuvens e da pluviosidade que a sua esposa, cada vez que sacode a toalha do jantar, deixa sempre cair no quintal da vizinha do R/c Dto. os talheres utilizados durante as refeições.
Ao seu lado, no 3º Dto. (casa que, infelizmente, esteve quase para ser minha, devido ao ror de tempo de que precisei para conseguir o empréstimo bancário… e que quase me ia fazendo perder o meu belo 1º Esq.), mora a A e uma outra rapariga.
Praticamente nunca se ouvem, nem incomodam ninguém, salvo quando a A desce as escadas com os seus sapatos fashion de saltos.
Quando ambas as raparigas foram morar para o mesmo apartamento lá no prédio, apesar de todos os vizinhos comentarem que as meninas deveriam ser estudantes e partilharem a casa, estou em crer seriamente que a todos eles tenha mas é passado pelo espírito o mesmo pensamento tortuoso: que, afinal, elas formavam era um casalzinho desses mais para a frentéx. Dúvida que veio, mais recentemente, a ser esclarecida quando a A passou, algumas vezes, a entrar em casa acompanhada por um desses moçoilos finórios, com ar de quem trabalha ao balcão de uma qualquer instituição bancária.
Constatação mais recente sobre os habitantes do meu prédio (depois de ter redigido este post): - à medida que se vai subindo os andares do meu prédio, conheço menos as pessoas que moram nos andares superiores, do que nos inferiores!...
Praticamente nunca se ouvem, nem incomodam ninguém, salvo quando a A desce as escadas com os seus sapatos fashion de saltos.
Quando ambas as raparigas foram morar para o mesmo apartamento lá no prédio, apesar de todos os vizinhos comentarem que as meninas deveriam ser estudantes e partilharem a casa, estou em crer seriamente que a todos eles tenha mas é passado pelo espírito o mesmo pensamento tortuoso: que, afinal, elas formavam era um casalzinho desses mais para a frentéx. Dúvida que veio, mais recentemente, a ser esclarecida quando a A passou, algumas vezes, a entrar em casa acompanhada por um desses moçoilos finórios, com ar de quem trabalha ao balcão de uma qualquer instituição bancária.
Constatação mais recente sobre os habitantes do meu prédio (depois de ter redigido este post): - à medida que se vai subindo os andares do meu prédio, conheço menos as pessoas que moram nos andares superiores, do que nos inferiores!...
Depois faltava ainda falar dos vizinhos dos prédios ao lado… que, também, são umas boas peças sobre as quais divagar!...
Mas a esses dedicarei algum tempo noutro post, porque este já vai longo!







