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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

WC novo









Misha e Luana têm, desde ontem ao fim da tarde, um WC com areão nas traseiras da sua casota.




Fotografia com notas
(clicar para ampliar e visualizar melhor)




Como a grande maioria dos leitores deste blog sabe, na zona onde resido, protejo uma série de gatos de quintais, incluindo 2 gatas domésticas cuja dona faleceu há um ano atrás e que deambulam agora entre o terraço que pertencera à sua dona e o terraço do meu prédio (onde tive autorização do condomínio para colocar uma casota para elas se abrigarem no Inverno e onde lhes dou comida e água).

Entretanto, nestes quintais, algumas pessoas não gostam de animais, tendo já havido há um ano atrás uma queixa para o Canil/Gatil Municipal e sido apanhados alguns gatos (que consegui resgatar com a ajuda de pessoas amigas e dar para adopção).

Existem, assim, pessoas que se limitam a enxotar os gatos dos seus quintais e outras pessoas que, em minha opinião, ou são más ou doidas e têm atitudes no mínimo estranhas.

O que se tem vindo a passar é que um vizinho do prédio em frente, por norma, estava sempre a enxotar as gatas Misha e Luana, ainda que as mesmas não se encontrassem sequer no seu quintal.
Há uma semana atrás, assisti a uma cena insólita: Misha, Luana e Mikado encontravam-se no terraço que fora da senhora que faleceu, distando um prédio do quintal onde reside este vizinho. O indivíduo viu-os nesse terraço e não esteve com meias medidas, encheu por duas vezes um balde com água e atirou para o terraço desse outro prédio onde os gatos se encontravam, com um ar completamente alucinado, como se os animais lhe estivessem a fazer mal.
Anteontem, a cena repetiu-se, acrescida com a criança (que me insultara), no quintal ao lado, a incitar esse vizinho a atirar mais água para os gatos.

Por receio (de que ainda lhes fizesse um mal maior), não disse nada quando o vi fazer isto, mas, como podem imaginar, fiquei completamente transtornada.

Ontem à tarde, juntamente com a minha mãe, fomos falar com o vizinho em causa, que começou por alegar que apenas atirara água às gatas por estas se encontrarem no seu quintal e não pararem de lhe escavar os canteiros onde possui algumas plantas (apesar da cena a que eu própria assisti ser consideravelmente diferente da por ele descrita).
Depois de uma conversa inicialmente agreste, chegámos a consenso quando o senhor se comprometeu a deixar de atirar água aos gatos, tendo eu sugerido que iria pedir autorização ao meu condomínio para instalar um WC para as gatas junto à sua casota.

O que mais me impressiona nesta estória toda é o facto de sempre terem existido gatos e outros animais nestes e noutros quintais, mas só agora as pessoas se manifestarem exacerbadamente contra os mesmos.

Entretanto, nos quintais mais baixos, do lado do meu prédio, onde ocorrera a queixa há um ano atrás, abundam agora as ratazanas, que alguns vizinhos tentam caçar.





domingo, 9 de agosto de 2009

As tentativas de apanhar o Mikado








Depois de 6 tentativas (falhadas) para apanhar Mikado, este continua a andar todo lampeiro pelos quintais.

Mikado é o único gato dos quintais que falta ser esterilizado, para além de ter a boca muito inchada (o que sugere que está com algum problema nos dentes ou nas gengivas). Há uns meses atrás, andou muito magro, quase esquelético; nessa altura, dei-lhe o desparasitante interno e começou a comer muito melhor e a engordar um pouco.

No entanto, como fiquei preocupada com o estado de saúde daquele gato, já me havia decidido a tentar apanhá-lo durante estas férias.







Numas das muitas tentativas de o apanhar, coloquei apenas uma transportadora com comida no fundo aberta no terraço, de modo a verificar se ele aí entraria. E Mikado, demonstrando plena confiança em quem o tem vindo a alimentar, de facto, entrou dentro da transportadora para comer, mantendo apenas uma das suas patas traseiras de fora, como quem diz que em caso de emergência, "pernas para que te quero".

Curiosamente, aquando da 4ª tentativa, na 5ª feira passada, ao descer ao terraço para montar a armadilha, Mikado - sempre muito medroso - quase não se assustou com a minha presença, tendo apenas afastado-se um pouco para o telhado de uma das minhas vizinhas e aí ficado durante todo o tempo a observar o que eu fazia.

Voltei a subir para dentro de casa e Mikado, muito curioso, aproximou-se logo da armadilha, onde o cheiro das sardinhas, colocadas dentro de um pratinho, imperava. E Mikado começou a entrar dentro da armadilha.
E eis senão quando, uma criança de 8 anos (que mora num dos prédios das traseiras e, inicialmente, me insultava quando eu alimentava os gatos, tendo depois, desde que eu fui falar com a avó dele, começado a atazanar-me a cabeça com infindáveis conversas sobre gatos), que assistia a toda a cena, começado a bater palmas.
Mikado assustou-se e saíu de dentro da armadilha; tendo, ao sair, destravado o gancho que se encontrava preso na patilha da entrada, e feito com que a armadilha se fechasse mesmo à sua frente.

Mikado assustado fugiu para o telhado da vizinha de baixo, não muito longe, o qual confina com o quintal da tia da dita cuja criança (a quem não foi dada nenhuma educação) que, não contente com o facto de me ter começado a insultar por causa do gato não ter entrado dentro da armadilha, começou a enxotar Mikado para longe (tendo feito o mesmo mais tarde, quando Misha e Luana se preparavam para vir comer).
Esta desagradável situação, que me irritou consideravelmente, foi prontamente resolvida com a avó da criança.

Quanto a Mikado, nos dias seguintes, apesar de ter vindo comer às horas habituais, nem sequer se aproximou mais da armadilha ou sequer da transportadora. O que quer dizer que terei que re-conquistar a sua confiança, perdida assim em poucos minutos devido à falta de educação e maldade de uma criança.









sábado, 1 de agosto de 2009

Estórias com Gatos - 31




- A nova Comensal -



Num dos quintais mais afastados, o qual se assemelhava a um pequeno recanto bucólico, com uma frondosa árvore ao centro, viviam 3 gatas, uma tigrada já velhinha e as suas duas filhas pretas.

Segundo por ali se ouvia dizer, a clínica veterinária local havia esterilizado essas gatas e a dona desse quintal ficara responsável pelas mesmas: apesar destas continuarem a viver nos quintais (e serem, assim, gatas de rua), dormiam mais protegidas no seu telheiro e tinham a garantia de serem alimentadas diariamente.






Há já largos meses que corriam, naquele bairro, os boatos de que essa vizinhas do R/c do quintal mais afastado onde estas gatas viviam iria, brevemente, mudar de casa, mas não levaria consigo as 3 gatas (segundo, também, constava, porque não a deixavam levar animais para a sua nova habitação).

Na altura em que me vieram contar estes rumores, fiquei muito preocupada com a ideia, ao imaginar estas 3 gatas a deambularem pelos quintais em busca de comida: uma vez que, para além delas nunca se aventurarem mais além por apenas estarem habituadas ao local amplo onde vivem e eram protegidas, certamente que por questões territoriais Misha e Luana nunca as deixariam juntar-se a elas (já por diversas vezes assisti a Luana expulsar algumas destas gatas do seu território, quando elas se aventuravam a lá chegar).








Esta manhã, já depois de Misha, Luana e Mikado terem comido, observei ao longe a gata tigrada a olhar para o bebedouro de água por debaixo da minha janela e começar a aproximar-se um pouco a medo.
Desci um dos comedouros e, qual não foi o meu espanto, quando a gata veio a correr veloz e se pôs a comer com uma grande sofreguidão, olhando para todos os lados a medo.

"Maylea" (nome Havaiano que significa "flor silvestre") passou a ser a nova comensal.









terça-feira, 21 de julho de 2009

3ª feira de manhã






Lavagens matinais...









E o pardalito que (não foi adoptado, mas sim) "adoptou" a minha vizinha do R/c.

Ia sendo comido pela sua gata, foi salvo e enclausurado numa gaiola para recuperar, e liberto na manhã seguinte.

Passado um dia regressou ao seu quintal para aí se alimentar - hábito que tem mantido desde então, para gáudio e felicidade da minha vizinha de baixo (pessoa a quem as agruras da vida já muito devem ter tecido).









sexta-feira, 17 de abril de 2009

Os Gatos dos Quintais








A minha vida dava um verdadeiro filme... e com (muitos) gatos à mistura!

Depois da saga da busca pela Luana, desta feita, apareceu-nos nos quintais das traseiras um gato preto enorme, o qual não parava de perseguir desalmadamente Luana e de bater em todos os restantes machos.

Mais tarde, veio a descobrir tratar-se do velhote Pelé, um dos gatos que vive neste jardim comunitário, e daí tinha fugido com o cio.






domingo, 31 de agosto de 2008

Notas Soltas - 134





- Redescoberta -





O famoso Capri-Sonne da nossa infância!...
Ou, pelo menos, da infância de alguns de entre nós, que, quando lêem textos como este, ficam logo com a lágrimazita ao canto do olho!

Actualmente já não existe apenas na versão "laranja", mas numa infindável panóplia de paladares, cores, feitios e novos desenhos nas embalagens.






- "Corners of my Home" (Once a Week)" # 31 -



Depois de (quase) mais de um mês à sua espera, ei-lo, finalmente, no escritório: o meu novo sofá-cama.

Ainda teve que aguardar meio dia (numa ingrata posição) para ser montado e colocado no seu novo lugar...





As fotografias não fazem jus ao produto, porque ficaram péssimas, devido à luminosidade extrema que entrava esta manhã pela janela.

A colcha indiana já rematou o toque final cá de casa!






- Vizinhos -



Os meus vizinhos de cima julgam-se os reis do karaoké (desde que receberam um desses aparelhos de convívio comunitário) ...
Mas, sinceramente, já não pachorra para os ouvir cantar sempre (mal) as mesmas músicas!!!







quinta-feira, 24 de julho de 2008

O Jardim-Fantasma




Era um pequeno logradouro comprido e estreito, transformado num quintal embelezado por 1001 flores e outras espécies hortícolas de diferente matizes, que constituía a inveja de todos os vizinhos do bairro.

Por mais inaudito que possa parecer, com o intuito de preservar a vida de cada uma das espécies existentes no seu jardim, o patriarca da família ia envenenando todos os gatos que se atreviam a por ali deambular.

Triste fim (ou lei da retribuição kármica) teve o zelador deste quintal envenenado, já que morreu cedo e sem poder tirar grande usufruto do mesmo.

A sua esposa amantíssima continuara o trabalho de preservação daquele quintal com muito carinho. Mas a viuvez deixara-a quase translúcida (com o passar do tempo, assumira aquela tonalidade que não é branca nem rosada, e parece querer determinar o fim de toda a humanidade), carregando a sua corcunda nas vestes negras… e acabou, também, por deixar de aparecer no seu quintal (o qual, não conseguia sequer vislumbrar do seu leito, dado que a janela do quarto onde se encontrava acamada apenas deixava antever o quintal da vizinha do lado).

O belo quintal ficou abandonado, apenas ali jazendo pelo chão algumas folhas das suas flores decrépitas…
De tempos a tempos, duas filhas e um genro do casal vinham regar as plantas, como que tentando perpetuar a beleza de algo que outrora existira.
Mas as plantas continuavam a crescer descoordenadas, criando um quadro demasiado disforme.

Curiosamente, foi nesse preciso momento que os gatos aí regressaram.
Ignorando as atrocidades cometidas noutros tempos em nome da preservação da beleza daquele espaço construído pela mão humana, os gatos vinham de noite famintos em busca de comida.

Mas aquele jardim-fantasma continuava a carregar no seu âmago uma indescritível crueldade… a qual se viria a propagar, alguns meses mais tarde, quando outros vizinhos tiveram semelhante gesto de desumanidade para com os animais que por ali viviam em paz e sossego.

Talvez por isso mesmo o Jardim-Fantasma tenha sido condenado a não mais possuir viv'alma, que o pudesse fruir...





terça-feira, 15 de julho de 2008

Quadros antigos com Gatos




Há 3 anos que ali vivia e sempre imaginara aquela vizinha do 3º andar do prédio das traseiras como alguém que possuía um elevado grau de proficiência para passar horas à janela a ver o que os vizinhos dos prédios em frente andavam a fazer (em particular, para a observar todas as manhãs e finais de tarde, com olhar suspeito, enquanto dava comida à Ninushka).
Foi por isso, com algum receio, que decidira finalmente ir falar com a dita cuja senhora, por causa dos novos bebés que tinham dado vida aos quintais, depois da (quase) tragédia sucedida em Abril.

Enquanto subia o último lanço de escadas, foi brindada com um: - “Quem é?”
- “Moro aqui nas traseiras e vinha falar com a senhora por causa dos gatinhos bebés que andam aqui nos vossos terraços”.
- “Ai, é a senhora que alimenta os gatos! Nem a reconhecia!” – retorque com um enorme sorriso nos lábios. – “Entre, entre!”
Repete-lhe que não quer entrar para não estar a incomodar, mas a Dª. C. quase a empurra literalmente para dentro de sua casa.
Ao assomar à entrada da casa da Dª. C., não consegue deixar de dar de caras com um gato em madeira artesanal que ali persiste inerte, como que a cumprimentar os visitantes.
Depois de tal visão, pensa para consigo que, afinal de contas, aquela conversa não iria correr tão mal quanto esperara.

Começa por explicar a Dª. C. o que havia sucedido nos quintais em Abril, quando alguém chamara o Canil/Gatil Municipal de Lisboa e 7 gatos haviam sido levados dali.
Daí o seu medo que algo de semelhante aconteça àqueles 6 gatinhos bebés, quando, desesperados, não encontrarem mais comida ali nos terraços, e se comecem a aventurar por outros quintais.
Não consegue viver constantemente com esse receio, nem com a consciência pesada por algo de mal que lhes venha a suceder. Sempre teve gatos desde criança e ama todos os animais, o que faz com que a sua extrema sensibilidade a impeça de conseguir compreender o sofrimento que o Homem inflinge aos mesmos.
Acaba por lhe propôr recolher os gatinhos bebés para adopção e tentar apanhar a gata-mãe para que seja esterilizada.

Dª. C. ouve atenta. E, quando ela termina, apenas lhe diz: - "Nem imagina a senhora como eu e a Dª. H., a vizinha aqui de baixo, andávamos preocupadas com estes animais! Íamos ainda atirando alguma comidita, mas não sabíamos o que fazer!".
Dª. C.
aproveita, ainda, para louvar o facto da sua interlocutora diariamente dar comida às 2 gatas que vivem nos terraços do seu prédio: - "A Dª. H. até me está sempre a dizer que, se a conhecesse, lhe agradecia por todo o bem que faz àqueles animais!"

Depois, sempre muito sorridente, Dª. C. começa a falar-lhe sobre os animais que tivera no Alentejo, antes de ter vindo para Lisboa. Narra-lhe a história de cada um deles em particular, e remata dizendo que gosta muito de gatos e até ficaria de bom grado com um dos bebés, caso o seu neto não fosse tão alérgico aos felinos.
- "A minha filha, como sabe que gosto muito de gatos, está sempre a oferecer-me objectos com eles. Ora veja a senhora estes quadros que ela me deu!"
Ao entrar na sala de Dª. C. não repara naquele pormenor, de tão focalizada que ia na tarefa que tinha de levar a cabo. Encimando uma das paredes da sala, encontravam-se 3 quadros de tamanho médio, com moldura debruada a talha dourada, como que a imitar as pinturas dos grandes mestres da antiguidade; nesses quadros, as figuras animistas de gatos vestidos de humanos ou em brincadeiras.

Ao observar tal cena, não consegue evitar esboçar um sorriso, recordando-se que, durante 3 anos, imaginara que aquela vizinha reprovava o facto de ela alimentar os gatos dos quintais.

Ao sair, Dª. C. ainda lhe pergunta: - "A senhora não leve a mal a pergunta que lhe vou fazer... Mas ainda tem aquela gatinha preta e branca? É que costumava vê-la sempre à janela com ela e, como nunca mais vi, até pensei que lhe tinha acontecido alguma coisa."






terça-feira, 11 de março de 2008

Estórias com Gatos - X



Num quintal não muito longe vivia um casal de idosos, que alimentava esta colónia de felinos, tendo mesmo construído um pequeno abrigo em madeira para se protegerem.
O senhor faleceu há cerca de 3 meses. Tendo, passado um mês, a sua esposa, a senhora que se pintava muito e gostava de andar sempre bem arranjada, sido encontrada morta de desgosto em casa pelo filho.
Dois dos gatos que alimentavam e protegiam no seu quintal, têm sido vistos, à noite, a deambularem lá longe, no outro extremo dos quintais daquela rua.





Mais tarde, através das deambulações felinas pelos quintais das traseiras, apercebeu-se que, afinal, o falecido casal não protegia esta colónia, mas sim dois gatos malhados: um macho branco e tigrado e uma fêmea preta e branca.

Na rua principal, no passeio à frente da entrada do prédio, começaram a aparecer velharias depositadas perto do caixote do lixo. Peças do passado de alguém que vivera naquela casa, do qual os herdeiros se iam aos poucos desfazendo.
Durante quase uma semana, no passeio daquele prédio ali mesmo ao lado, apareciam papéis amarelecidos pelo tempo, onde dantes alguém fizera contas, escrevera com uma letra muito certinha e arredondada, imagens de santos… pisadas pelas gentes que passavam.

E, nos quintais das traseiras, um gato tigrado e branco começou a aparecer todas as noites, miando como que num choro contínuo de quem chama por alguém.


21h30…
Enquanto estendo na janela do quarto a roupa que acabara de centrifugar, acende-se uma luz no quintal do prédio vizinho.
Dª. L. aparece no quintal com a sua cadela Tucha e o marido.
- “Menina” – sussurra, chamando-me. - “Oh m’nina!...”
A cadela Tucha, gorda e anafada com a sua permanente encaracolada, desata num berreiro tremendo a ladrar.
- “Rai’s parta a cadela, que não nos deixa sequer conversar! Leva-a lá para dentro, vá!” – diz a Dª. L. ao seu marido, que, prontamente, leva a cadela para dentro de casa.
No seu quintal (2 quintais ao lado do meu prédio), Dª. L. retoma a conversa:
- “Oh menina, de que cor era o gato a que dava comida?”
Por momentos, sinto uma sensação de déjà vu e começo a ponderar seriamente a hipótese de deixar de estender roupa à janela.
Respondo-lhe que era preta e amarelada, como já lhe dissera da primeira vez que mo perguntara, aproveitando para frisar bem o género feminino.
- “Preto e amarelo? Ah! É porque eu acho que ele voltou a aparecer!”
Respondo que nunca mais a vira, pensando na minha Ninushka, ferrada a dormir debaixo da cama.
- "Ah, pois... então não era. Porque o gato que vi aí era branco e cinzento."
Explico-lhe que, há já algumas semanas, que esse gato me aparecia debaixo da janela e lhe costumava dar alguma comida; pois, segundo me haviam dito, aquele era um dos gatos protegidos pela senhora que havia falecido recentemente.
Nesse ponto, a conversa diverge e Dª. L. informa-me que a senhora que tinha falecido morava não na nossa rua, mas sim na rua paralela à nossa (informação que, até à data, não confirmo, já que tenho 2 vizinhas a dizerem-me precisamente o contrário); e que, para além do gato cinzento e branco, tinha também um gato do "tipo persa, muito gordo", segundo as suas próprias palavras.
A conversa termina com a Dª. L. a informar-me que ia lavar o saco de plástico onde costuma dar comida a uma das outras colónias, que vive do lado do seu quintal.





Entretanto, fiquei sem perceber quem falecera efectivamente... ou se, no fundo, não haviam já falecido duas protectoras distintas de gatos daqueles quintais...
Já que, nas últimas semanas, me têm aparecido a pedir comida 3 gatos diferentes: uma gata preta e branca, o Mikado (gato tigrado e branco) e o Misha.

Teoria do eterno retorno? Acontecimentos que se repetem? Ou lei do Karma?





"Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência (...)"

Fredrich Nietzsche, in "Gaia Ciência" (1882).





sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Notas Soltas - CIX



- Para Venda - II -




Comparativamente com o final de 2006, a situação aumentou exponencialmente.
Desta vez, só nos dois blocos adjacentes ao meu prédio existem já 4 apartamentos colocados à venda desde o início deste ano.

Que eu tenha conhecimento, nenhum deles é pertença de algum idoso que possa ter falecido recentemente... Pelo que esta situação só vem provar que a questão do aumento das taxas de juros do crédito à habitação tem contribuído para o descalabro financeiro de muitos portugueses (e eu que o diga!).




- Alfazema -


Depois de um Inverno muito triste e acabrunhado, a minha Lavandula stoechas 'Anouk' começou agora a florir, formando esta flor magnífica.

A sua congénere (vinda directamente do Horto da priminha, oferta da tia) esteve sempre em flor, o que permitiu esta produção caseira "grandiosa".




segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Notas Soltas - CVIII



- Post em honra da Priminha -




Veio agarrada a uma mola, enquanto retirava a roupa do estendal.
Por pouco, não me ia parar dentro da boca, devido à minha cabeça sempre no ar... porque tenho esta estranha mania de pegar sempre em três molas (duas com uma única mão, para ir prendendo a roupa no arame, e a terceira agarrada entre os lábios) e, ainda, ia estender mais roupa.

Tentei apanhá-la com uma ponta de papel e coloquei-a no parapeito da janela da cozinha, onde me aparecem sempre diferentes animais (quase se poderia dizer que vivo em pleno campo, nas traseiras do meu prédio), o que sempre é melhor do que as migalhas do almoço e jantar da vizinha do 3º Esq.

Mas não contente com o local onde a pobre criatura ficara, ali meio perdida, tentei apanhá-la de novo, enquanto ia ficando encurralada por uma teia de aranha perto do final do arame da roupa.

E agora, passou a viver, feliz e contente, dentro da minha estufa (que tem abertura lateral, não se preocupem!).

Para uma 2ª feira em que já quase explodia ao pensar em tudo o que me sucedera (e chegava à triste conclusão que, de facto, deveriam proibir a minha saída de casa neste dia da semana), foi mesmo uma boa nova, esta Joaninha!




- A Cusquice -


Depois das atribulações de sábado à noite, não há nada melhor do que, no dia seguinte ao fim da tarde, a Vice-Cusca Mor aqui da rua vir tocar directamente à nossa campaínha e perguntar o que sucedera na véspera!...

Com a Cusca-Mor da rua (que, logo por azar, reside no mesmo prédio que eu!) fora do activo por período incerto, devido aos vapores etílicos a terem feito dar uma queda em que partiu o braço direito e magoou a cabeça, o apoio nas suas lides domésticas e no métier da cusquice tem sido efectuado pela Dª. L. (que, curiosamente, até tem o mesmo nome que ela).

Como me dizia a minha mãe no sábado à noite: - "Amanhã o bairro inteiro já sabe que foste tu que chamaste a Polícia!"







sábado, 23 de fevereiro de 2008

Peripécias de um Sábado à noite



Já passava das 21h, enquanto fumava um cigarro à janela da cozinha (o único local cá em casa onde a Lei do Tabaco ainda não teve interferência).
Nos quintais vizinhos, ao longe, um cão não parava de ladrar insistentemente há já uns bons minutos. Não percebo a linguagem dos canídeos, mas aquele ladrar forte e ameaçador não se parecia nada com o normal ladrar de entusiasmo quando os cães sentem um gato passar.
Terminara o cigarro e preparava-me para fechar a janela da varanda da cozinha, mas, por um qualquer motivo incógnito, decidi ainda ficar mais um pouco a ouvir o ladrar do cão, tentando perceber se vinha mesmo do lado direito, de umas vivendas térreas que ali existem.

E é quando, subitamente, ao olhar para o quintal sobranceiro ao da Dª. L., vejo um fulano a olhar para as janelas das traseiras desse mesmo prédio.
Sem fazer barulho fechei a minha janela e os estores e, com o coração aos pulos, fiquei a espreitar por detrás das lâminas.
Vejo-o saltar o muro, passar para o quintal da Dª. L. e tentar novamente galgar o muro e a rede de arame para o quintal do lado.

Primeira reacção: pegar no telefone e ligar para a esquadra aqui da zona. Linha telefónica interrompida. Relembro, então, as palavras de um agente da PSP que costuma fazer ronda no meu local de trabalho, que me havia dito ser mais rápido chamar o 112 em caso de emergência, uma vez que eles redireccionam logo os pedidos para os carros-patrulha que andam nas zonas em questão.
Ligo para o 112 e, por entre os nervos que me consomem, lá consigo explicar ao operador o que se passa, indicando-lhe, também, a única saída possível daqueles quintais para o lado da rua principal, explicando-lhe que, eventualmente, talvez, fosse melhor a polícia dirigir-se para esse mesmo local.

Ainda meio atordoada com o telefonema para o 112, resolvo ligar à Dª. M., a única vizinha do prédio de quem possuo número de telemóvel, para a avisar do que se passava, dado que a senhora mora no R/c e todas as suas janelas se encontravam facilmente acessíveis para o tal fulano que se passeava àquela hora nos quintais.

Quando regresso à janela da cozinha, por entre os estores, vejo-o já no quintal dos prédios em frente, onde a luz continua acesa e se vislumbram os vultos dos seus moradores a jantar desconhecendo o que se passa cá fora.

Tocam-me à campainha de casa. Vou abrir pensando tratar-se da Dª. M., quando me deparo com 2 jovens e muito altos agentes da Polícia, que me perguntam se fora dali que alguém ligara para o 112 (note-se que nem 15 minutos haviam passado sob o meu telefonema!).
Por momentos, quase perco a voz e o raciocínio, ao lembrar-me que, de tal modo estava nervosa quando ligara para o 112 que apenas dissera o nome da rua onde moro e o número da porta, mas não o andar. Enquanto digo que sim e convido os senhores agentes para entrarem, o meu raciocínio regressa ao seu devido local, e apercebo-me que, muito logicamente, aquando da triagem da chamada que efectuara para o 112, na base de contactos ficara marcado o número de onde ligara, pelo que, facilmente, localizavam o meu andar.

Acompanho, então, os dois agentes até à varanda da cozinha, onde abro a janela, ao pé do areão das minhas gatas (que, ensonadas, permaneciam alheias a tudo no sofá da sala) e lhes explico o que se passara, enquanto um deles lutava por contornar o tabuleiro do areão.

Perguntam-se se consigo descrever o indivíduo que vira e se o mesmo era preto. Respondo que, de noite e com tudo tão pouco iluminado, é difícil dizer, mas que me parecera um indivíduo alto, magro e com um chapéu com pala como os que os miúdos costumam usar.
Nisto, acende-se um foco de luz no quintal da retaguarda e uma sombra começa a surgir subindo para o telhado da Dª. M.
Aparece o Sr. S., seu marido, olhando para todos os lados, procurando se havia alguém nos quintais vizinhos. Olha para a minha janela da cozinha e diz: - “Estão ali do outro lado alguns colegas dos senhores!”
Os dois agentes da polícia, que se encontravam na minha cozinha acedem afirmativamente, informado que alguns colegas se haviam dirigido para o local que eu referira na chamada telefónica para o 112.
Mas do suposto ladrão que andara a percorrer todos os quintais, nem sombra!...

Aproveito para explicar aos dois agentes que já não era a primeira vez que isto sucedia, e que, apesar daquele ser um local bastante tranquilo, já numa manhã de Agosto sucedera algo semelhante, mas que ninguém quisera apresentar queixa. E que seria bom se nas rondas que efectuam passassem a ter mais incidência naquela zona em particular nos dois pontos sensíveis, que dão acesso directo às traseiras daqueles prédios.

Estamos nesta conversa quando o agente mais alto e mais magro aponta uma espécie de mini-lanterna para o quintal em frente ao meu prédio (quintal esse que fica um pouco mais elevado) e diz: - “Mas o que é aquilo que ali vai a correr? É um vulto!”
E não foram os nervos que, ainda, me consumiam por dentro, eu teria dado uma imensa gargalhada, quando tive que lhe responder: - “Não, aquilo é só um gato!” (neste caso, era o Misha, que, possivelmente, andava bem assustado, com tantos humanos a percorrerem os quintais e a subirem aos telhados).

Do suposto ladrão que andara a percorrer todos os quintais, nem sombra... conseguira evadir-se antes da chegada dos agentes da Polícia.

Posto isto, encaminho os dois agentes até à porta da rua, enquanto um deles me diz atenciosamente que, caso seja necessário, lhes ligue novamente.
Ao abrir a porta de casa, o agente mais alto e mais magro ainda me diz, olhando para a Miyuki especada no meio do corredor: - “Cuidado, não vá ela sair!”

E eu que até queria ter um fim-de-semana calminho, para descansar um bocado a cabeça...
Com o Homem que transportava ao peito uma constelação de estrelas ausente de Lisboa, tive logo que meter dois polícias (por sinal, bem jeitosos!) cá em casa!... ;)





quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Com papas e bolos...




22h…
Algumas janelas dos prédios das traseiras ainda têm as luzes acesas, o resto evade-se na penumbra da noite.
Retiro a roupa já seca estendida no varão da janela do quarto. No quintal do prédio ao lado, acende-se uma luz e aparece a Dª. L.

- “Oh menina, menina… o gato nunca mais apareceu!”

O gato a que se refere é, nada mais nada menos, do que a Ninushka, a qual já lhe dissera (das inúmeras vezes que me via à janela a dar-lhe comida e tentava meter conversa comigo) tratar-se de uma gata e não de um gato.

- “Pois não.” – respondo laconicamente. – “Há mais de um mês que não a voltei a ver.”

- “Se calhar está para aí morto em qualquer lado.” – retorque-me a Dª. L., num tom meio paranóico e abstendo-se de qualquer tipo de sentimento - "De que cor era ele?"

- "Preto e amarelo" - respondo, lembrando-me, por breves momentos, das inúmeras vezes que as minhas gatas se põem à janela da cozinha, que fica bem próxima do campo de alcance visual da janela da Dª. L.

Ela não desarma e continua o interrogatório...

- "Até já tinha perguntado aí à Dª. L. [a minha vizinha de baixo que, curiosamente, tem o mesmo nome que a senhora que comigo falava] o que se passava."

- “Pois…” – insinuo um lamento, que me sai num tom profundamente irritado. Para depois lhe acrescentar…

- “Então e a senhora já não tem aí o seu toldo?” - referindo-me a um toldo branco de dimensões enormes, que lhe cobria toda a parte superior do quintal, impedindo a vizinhança de praticar atitude semelhantes às que a própria Dª. L. costuma ter, quando se coloca toda esticada na sua janela de R/c a verificar o que se passa nas janelas dos vizinhos.

- “Não. Rompeu-se e ficou estragado.”

Em jeito de conclusão, resta dizer que, na véspera, enquanto fumava um cigarro à janela da cozinha, vislumbrara um jovem gato desta colónia dos quintais a passear-se entusiasmado por cima do toldo da Dª. L...
O que me deu uma certa vontade de rir, quando esta noite lhe perguntei pelo seu toldo.








Cena do Quotidano da priminha**

** Ainda montamos uma cadeia de fabrico de Cenas Triviais do Quotidano.





terça-feira, 15 de janeiro de 2008

O meu Prédio - II



Os prédios em que habitamos são como as pessoas, na sua longa existência...
As próprias pessoas vão transformando os prédios naquilo que eles são, ou que não são.
E a verdade é que os prédios vão sofrendo diversas e sucessivas fases, consoante os seus habitantes se vão regenerando (entenda-se como: vão vendendo os seus andares, mudando de inquilinos, etc., etc.).

Esta manhã, ao pequeno-almoço, relembrava uma conversa telefónica que tivera na véspera com a filha de uma vizinha já idosa que, supostamente, deveria passar a exercer funções na nova administração do condomínio...
E dei comigo a ter uma daquelas atitudes perfeitamente humanas, mas do mais descarado e incorrecto que possa existir: invejar a casa e o quintal da minha vizinha de baixo (inquilina da dita cuja senhora idosa, que paga uma renda baixissíma, da qual a filha se queixava ao telefone). A páginas tantas, a minha imaginação começava já a deambular por onde poderia abrir um buraco, dentro de minha casa, para fazer passar umas escadas em caracol para o andar de baixo, caso a filha da senhora idosa se decidisse a correr de lá com a inquilina e o colocasse à venda.... e aquele quintal longo e estreito, que tanto jeito daria para colocar as minhas alfazemas, a tamarix e a buganvília que vivem apertadinhas na varanda da frente... isto já para não falar dos gatos ostracizados dos quintais vizinhos, que em vez de serem enxotados com baldes de água fria (como sucede actualmente), passariam a ter comidinha a horas certas e uma vida mais refastelada.
Inveja, pura inveja!... Uma atitude que não costumo ter... mas errar é humano!

Curioso, então, que, depois desta cena matinal... e, mais uma vez, motivada por questões do Condomínio, tenha terminado este dia a ouvir histórias de outros tempos, a propósito dos vizinhos que habitaram o meu prédio há 30 anos atrás!

Devido à passagem de testemunho para a nova administração, reunião ao final da tarde, em minha casa, com um dos sucessores: o médico cujo consultório fica no R/c Esqº. do prédio, cujos antepassados já exerciam a mesma profissão no exacto local.

E, a dada altura, um manancial de informação relembrando os vizinhos de outros tempos e as histórias do prédio começa a sair-lhe, assim a modos que em catadupa, da boca. A minha vizinha de parceria de administração um pouco enfadada, revirava os olhos e pegava constantemente no telemóvel. Enquanto os meus olhinhos fervilhavam, só de pensar no texto que poderia aqui colocar no blog, para complementar este outro que escrevi há algum tempo atrás, quando me mudei para aqui.
Nós, os antropólogos somos assim... mas temos sempre desculpa para esta curiosidade "mórbida" com que ouvimos os detalhes sobre outras vidas.

Infelizmente, ainda, não poderá ser hoje que faço o gostinho ao dedo (literalmente) e aqui deixo mais uma crónica sobre o meu prédio... Valores mais elevados se levantam, com uma reunião plenária no emprego durante todo o dia de amanhã (e ainda tenho que ir redigir prioridades para 2008).





quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Estórias com Gatos - VIII



- Os Desventurados -


1 gato, 2 gatos… 3, 4, 5… 6 gatos… em fila indiana, caminham tranquilamente pelo quintal do R/c Esqº. do prédio vizinho.

O quintal onde outrora, o patriarca daquela família envenenava os gatos que por ali deambulavam, apenas para que os felinos não lhe estragassem as flores.
O quintal onde, desde a sua morte, a esposa amantíssima preservara com muito zelo e carinho as 1001 flores e outras espécies que compunham a beleza daquele espaço invejado por todos os vizinhos.
O quintal onde, com o passar do tempo, a viúva quase translúcida, que carregava a sua corcunda nas vestes negras, deixara há muito tempo de aparecer.
Após a breve passagem de uma empregada brasileira que, mais do que auxiliar nas lides domésticas, passava os dias a fumar e a falar sobre a vida alheia com a Dª. L (vizinha do R/c da retaguarda do mesmo prédio), os estores da janela do quarto não mais foram abertos e os familiares que vinham ao domingo regar as plantas deixaram de aparecer…
Nesse quintal, desde há alguns meses, apenas jazem folhas abandonadas de flores decrépitas… e, curiosamente, os gatos.

Os gatos, ignorando as atrocidades cometidas noutros tempos em nome da preservação da beleza daquele espaço construído pela mão humana, retomaram o seu poder sobre o mesmo a partir do momento em que o R/c Dtº. fora vendido (e sofrera obras que alterariam a vida daqueles gatos para todo o sempre) e a Dª. L deixara de lhes poder aí deitar a sua comida.

Desta forma, os gatos regressam todos os dias àquele quintal.
Depois de saciados, em fila indiana, muito ordeiramente, ultrapassam a rede que delimita o quintal da Dª. L, regressando ao seu poiso favorito, nos quintais dos prédios do início da rua.

Resta dizer que a Dª. L tem 2 cães. Logicamente que a dita senhora apenas dá comida aos gatos no quintal vizinho, quando os seus próprios animais não se encontram por perto. Porém, os felinos regressam, muitas vezes, ao local onde comem, para brincarem e porque sentem o cheiro da gata da outra Dª. L (minha vizinha de baixo, cujo quintal é contíguo àquele onde agora é alimentada esta colónia de gatos).
Pelo que a Dª. L (que alimenta os gatos e tem uma propensão atroz para divagar sobre a vida alheia) já fez, por diversas ocasiões, questão de me contar, primando pelo detalhe acentuado nos pormenores mais sórdidos, que vários gatos haviam já sido mortos pela sua cadela, ao tentarem passar do quintal do R/c Esqº. do prédio vizinho pelo seu quintal.
Extrema nobreza de alma a desta senhora, que tem tanta pena daqueles pobres animais que, mais não faz do que lhes dar alimento para, mais tarde, servirem de alimento à sua própria cadela!
Mentalidades!... Só assim se podendo justificar a infeliz resposta que me deu, quando lhe perguntei porque não tentávamos apanhar as gatas para as esterilizar, de modo a que se controlasse a procriação e aquela colónia pudesse viver mais tranquila.

Por outro lado, também, a minha vizinha de baixo (a outra Dª. L), ao final do dia, quando os vapores etílicos lhe começam a fazer efeito, gosta de atirar baldes de água e gritar desalmadamente, para enxotar os pobres gatos que se aventuram do quintal do prédio vizinho no seu.

Esta é a história da colónia felina mais ostracizada e desventurada dos quintais das traseiras!...

Reza, ainda, a história que num quintal não muito longe vivia um casal de idosos, que alimentava esta colónia de felinos, tendo mesmo construído um pequeno abrigo em madeira para se protegerem.
O senhor faleceu há cerca de 2 meses. Tendo, passado um mês, a sua esposa, a senhora que se pintava muito e gostava de andar sempre bem arranjada, sido encontrada morta de desgosto em casa pelo seu filho.
Dois dos gatos que alimentavam e protegiam no seu quintal, têm sido vistos, à noite, a deambularem lá longe, no outro extremo dos quintais daquela rua.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Cenas Triviais do Quotidiano - XVIII




Quando o caixote do lixo do nosso prédio é utilizado por todos os moradores dos prédios da rua que não possuêm caixote;

Quando uma das próprias vizinhas contribui para essa utilização abusiva trazendo, também, os sacos de lixo dos prédios das amigas para deitar no caixote do nosso prédio...







... urge que sejam tomadas medidas (mais) radicais!

Resta dizer que foi, ainda, incluído um cadeado para que o caixote do lixo se mantenha devidamente fechado durante o dia.

E, apesar de a saga da administração ainda não ter terminado, a originalidade da ideia aqui expressa não foi minha, mas sim de uns vizinhos.



Actualização de 24/11/07: - o prédio do Homem que transportava ao peito uma constelação de estrelas, também, não tem caixote do lixo... por ter sido roubado.




quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Cenas Triviais do Quotidiano - XI



8 horas da manhã.

Termino de me arranjar na casa-de-banho. As minhas manhãs transformaram-se num autêntico corta-mato, para conseguir apanhar o autocarro das 8h11... e demorar 45 minutos até ao emprego, no outro lado da cidade.

Vou até à janela do quarto nas traseiras e preparo-me para estender a toalha de banho, quando, subitamente, me apercebo do vulto de uma vizinha, agachada no seu terraço a espreitar para um dos quintais do lado da minha rua.

Resta dizer que as traseiras de minha casa confluêm com as traseiras dos prédios da rua paralela, formando um aglomerado geométrico de pequenos quintais (como sucede na maioria dos prédios antigos), onde os pássaros começam a cantarolar em uníssono logo de manhãzinha, os gatos vivem numa harmoniosa liberdade e, por breves instantes, sentimos que o campo invadiu a cidade.

Começo a puxar o arame do estendal e apercebo-me então que a dita cuja vizinha do prédio em frente (cujo terraço fica a um nível mais elevado do que o dos restantes quintais, na medida em que se trata do único prédio do pós anos 50/60 ali existente) está a tentar chamar alguém do quintal que se localiza um prédio a seguir ao meu.
Da minha janela, olho para a senhora ao longe. Ela olha para mim e murmura qualquer coisa, de que apenas compreendo a palavra "ladrão" e a frase "veja bem, com duas cadelas e não lhe fizeram nada".

É então que a Dª. L. (vizinha do tal R/c do prédio colado ao meu) aparece no seu quintal, num frenesim e berreiro absolutos, gritando: - "Ladrãaaaao! Ladrão!".

Inicia-se, então, o diálogo da Dª. L. com a vizinha do terraço mais elevado. E, pelo que consegui perceber (dada a distância do meu prédio da ocorrência desta cena), a vizinha do prédio em frente, andava no seu terraço mais elevado a regar as suas inúmeras plantas, quando se apercebe da presença de um homem em cima do seu telheiro.
Assustada gritou-lhe: - "O senhor saia já por onde entrou!".
E o ladrão, desnorteado, saltou para o terraço ao lado, deu alguns passos e, vendo-se num precipício, optou por saltar para o quintal da Dª. L. (o que não queria dizer que tivesse sido por aí que ele entrou), alguns metros consideravelmente mais abaixo.

O dito cujo ladrão teve tanta sorte (apesar da sua notória azelhice para o métier) que, devido à canícula que se fazia sentir nos últimos dias, a Dª. L. deixara a porta de acesso ao quintal aberta, para arejar a casa.
E o ladrão não está de modas e vai de entrar em casa da Dª. L., percorrer todo o corredor até à porta de entrada, meter as mãos à chave, destrancar a porta e sair ligeiro.
E é, precisamente, nesta fase, quando o ladrão abre a porta de sua casa para fugir, que a Dª. L., que dormitava com o marido no seu quarto (mas já andara a estender roupa às 6h30, segundo, mais tarde, haveria de fazer constar na vizinhança), acorda espavorida e começa a berrar.

Salto na história...

E já temos a Dª. L. no seu quintal, após o momento de frenesim e berreiro absolutos, a contar às vizinhas (neste caso, a do terraço mais elevado e eu) o que se passara e como havia tido sorte de não lhe terem feito mal, nem tão pouco roubado o seu ordenado e o telemóvel que deixara pousados na mesa da sala.

Neste ponto, entra em cena a vizinha do 3º andar Dto. do prédio em frente da rua paralela à nossa (minha e da Dª. L.). Mulher muito baixa que, apenas, quando assoma à janela parece crescer um pouco, talvez, devido a algum banco ou acrescento que ali foi feito para que consiga estender a roupa. A sua diminuta estatura é compensada com o elevado grau e proficiência que esta senhora tem para passar horas à janela a ver o que os vizinhos dos prédios em frente andam a fazer (estas duas características terão, certamente, degenerado de família, uma vez que a sua mãezinha também padece de ambas).
Surge então, altaneira, na sua janela a vizinha do 3º Dto. do prédio em frente.
Cá por baixo, ao nivel do terraço mais elevado e do quintal da vizinha visitada pelo ladrão, discute-se a aparência deste último.
- "Coitado, ele até tinha ar de desgraçado!" - profere a vizinha do terraço mais elevado.
- "Coitado??? Coitado? Eu dizia-lhe quem é o coitado, com o enxerto de porrada que lhe dava, se o apanhasse!" - vocifera, indignada, a Dª. L.
E a vizinha diminuta do 3º Dto. do prédio em frente: - "Mas ele era preto?"
Por breves momentos, tive mesmo vontade de largar o meu papel de espectadora de toda aquela cena e perguntar alto e bom som (eu que até costumo falar sempre muito baixinho), da minha janela, se ela achava que o roubo era um qualquer atributo de pessoas de uma cor diferente da nossa.
Mas pensei... "É melhor não! Deixa-te mas é estar quietinha, porque o tempo está a passar e já te estás a atrasar para ir para o emprego!".

- "Então e não acha melhor apresentar queixa na Polícia, Dª. L.?"
- perguntei, então, tentando terminar toda aquela cena que já ia longa.
- "Para quê? Eles não fazem nada!!" - respondeu-me a Dª. L.
Face a tão elucidativa e peremptória resposta, nada mais havia a fazer. Apenas lhe disse que tivesse calma e que descansasse depois daquele susto. E preparava-me já para me despedir, fechar a minha janela e arrancar para o emprego, quando a Dª. L. se aproxima mais do muro do seu quintal que fica do lado da minha janela, e, numa perfeita metamorfose transfigura o seu rosto, dizendo-me: - "Sabe, ontem, estavam aí os seus gatos à janela. São tão lindos!".

E eu vou para o trabalho a pensar que, realmente, há coisas que nunca mudam numa vizinhança.








sábado, 28 de julho de 2007

Notas Soltas - LXXIV



- A Saga das Estantes - III -

Depois de 6 meses e de uma saga que parecia infindável, consegui esta noite (6ª feira) adquirir todo o módulo da estante nº 3 (o dinheiro não é suficiente para comprar os restantes módulos, por isso, está visto que a saga persistirá), que já aqui está à espera dos 3 pacotes que ficaram de cá vir entregar-me.





- O sossego terminou!... -

A vizinha de baixo (a cusca-mor do prédio - aliás, da rua inteira -, que é propensa a vapores etílicos ao final da tarde) regressou de férias.

Durante cerca de 2 semanas, o prédio não foi o mesmo... e a tranquilidade reinava!





- Disparidades -


Telheiras (Esq.) - Chelas, Bairro do Armador (Dir.)

Até no acesso aos bens essenciais!...





- Pequena supresa... -

... para o ZA, que regressa de férias na 2ª feira.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Notas Soltas - LXIV



- Dúvida -


Sempre pensei que, no prédio ao lado, no andar que fica coladinho ao meu, não morasse ninguém há longos anos.
Nunca vi roupa estendida à janela (apenas uma mola vermelha que por lá permanece inerte, sempre no mesmo local), nunca ouvi qualquer barulho que fosse e os estores da sala e cortinas da janela também estão sempre fechados.

Até que há alguns dias atrás, no estendal da janela da cozinha da dita cuja casa, apareceu pendurado este monte de ramagens e verduras.



Por momentos, ainda pensei que fosse alguém de idade que ali morasse, que estivesse em arrumações e tivesse assim ali colocado um centro de mesa a secar.

Eis senão quando, ontem, quando ia a passar de autocarro numa outra rua, vi, também, colocado no estendal de uma outra janela, uma ramagem semelhante a esta.
Será que alguém conhece a simbologia desta colocação? Ou não passará de uma mera coincidência de alguém que arrumou a casa na mesma altura?





- A Quintinha -


Depois do limão




As ameixas do Z.A.







segunda-feira, 11 de junho de 2007

Notas Soltas - LXI


- Alegrias dos Condomínios - IV -

O condómino que devia mais de 2 anos ao condomínio, quitou, no final do mês passado, a sua dívida... depois de um e-mail (ultimato) enviado, que, devido a erro do local onde trabalha, foi, também, parar a um colega seu.

Apesar de todos os restantes vizinhos justificarem o facto deste senhor não pagar o condomínio como os demais, devido ao lugar profissional de destaque que ocupa na socidedade... afinal, a excepção confirma sempre a regra e a vergonha pública embaraça (a maioria) dos caloteiros!!





- "Cortes" - IX -



Cena: "Uma época terrível" , in "Les Invasions Barbares", de Denys Arcand (2003).



"A história da humanidade é uma história de horror."

Um pequeno chef-d'oeuvre este filme canadiano!