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sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Ninushka: 1995 (?) - 03/10/08






Outubro 2005



A Ninushka foi a primeira gata dos quintais que comecei a proteger, há 3 anos atrás, quando me mudei para a minha casa.

Certamente que já há muito tempo por ali deambulava no sossego bucólico das traseiras do meu prédio, mas apenas reparei melhor nela quando, em Setembro de 2005, se começou a colocar especada por debaixo da janela do meu quarto, observando-me com um olhar muito atento.
A partir daí, comecei a alimentá-la.

Perde-se já no tempo a memória da forma e motivo de a ter nomeado com tal nome...
Para quem acredita nestas coisas, acho, agora, que foi ela própria quem intuitivamente me transmitiu como se chamava, ao fixar-me com aqueles seus grandes olhos amendoados.




Outubro 2006



Com o passar dos meses, fomos estabelecendo hábitos diário (e horários) com a comida que lhe dava e os mimos e conversas que íamos trocando ao longe.





05 / Maio / 2007




10 / Março / 2007





E, por mais estranho que possa parecer a alguns, uma "relação" foi nascendo entre ambas (penso, mesmo, que nos teremos "enamorado" uma da outra), o que conduziu a que, desde muito cedo, tivesse sentido vontade de a apanhar e trazer para casa.

Tal só viria a acontecer, muitos meses mais tarde, numa madrugada de Novembro de 2007, fruto de muita perseverança e paciência.




Dezembro 2007



A Ninushka viveu comigo (apenas) 11 meses.

Tinha ar de bonequinha de peluche e ficava sempre muito curiosa com uma atenção serena a olhar para nós.
Nunca se deixou tocar ou afagar, nem tão pouco gostava de conviver com outros gatos (apesar de os tolerar). E escolheu para seu próprio leito um cantinho por debaixo da minha cama, coincidente com o local onde por cima eu colocava a minha almofada.

Apesar de ter vivido cerca de 13 anos nos quintais, sem a companhia humana, desde muito cedo se habituou às regalias de uma casa, adorando passar a tarde em cima da máquina de lavar roupa na cozinha, brincando e pesquisando tudo.




Julho 2008








3 / Outubro / 2008




A "minha" Ninushka faleceu esta manhã na clínica veterinária (com uma injecção de "Eutasil" no coração), agarrada com as patinhas da frente à minha mão direita.

Após duas semanas e dois dias desde a confirmação do diagnóstico de insuficiência renal, morreu acompanhada e reconfortada, algo que não sucederia se a tivesse deixado nos quintais.

As suas últimas semanas de vida foram de muito sofrimento para mim, ao ver o seu estado de degradação (minada pela doença) a cada dia que passava...
Mas, também, de muito mimo e carinho aceites (e quase pedidos) por uma gatinha que nunca os tivera.

Durante todo este período, desdobrei-me em duas, fiz tudo o que estava ao meu alcance e muito mais ainda, para lhe tentar minimizar os efeitos da doença - sendo ajudada por alguém que me está muito próximo (e sem quem tudo isto teria sido possível)...

Mas a doença foi mais forte e a minha gatinha fraquejava a cada dia que passava: a sua respiração ficava mais ténue e atacada pela constipação; encontrava-se extremamente magra e letárgica.
Estava muito desidratada (apesar do soro que, diariamente, levava) e, ontem, bebia sofregamente água, colocando as próprias patinhas dianteiras dentro do bebedouro.
Parecia já um pouco desorientada quando caminhava pela casa, ou se ia instalar na mesa da televisão na sala.

Seria profundamente egoísta da minha parte prolongar o inevitável, colocando-a novamente a soro intravenoso (para além de um massacre para o próprio animal).

Penso agora que, apesar do estado grave em que se encontrava, a Ninushka ainda lutava por permanecer viva, talvez, graças ao mimo que ia recebendo.
Recordo-me daquele horrível domingo em que, de tão prostrada que estava, quase parecia estar a desfalecer... Adormeci ao seu lado no chão, amparando-a com festinhas, e, quando acordei, a Ninushka estava mais arrebitada e com o olhar lúcido.

Esta manhã, antes de sairmos para a clínica veterinária, deixou-me pegar-lhe e ficou ao meu colo, embrulhada na sua mantinha, respirando tropegamente e encostando-se toda sobre o meu peito.

Com a sua morte, fechou-se mais um ciclo...











quarta-feira, 10 de setembro de 2008

6 gatinhos bebés para adopção






Fotografias de MCC




Parece que o tempo passa sempre por nós a correr... e, desde, a última "aventura felina" em que me envolvi, tanta coisa já se passou, que quase daria para escrever um livro (se, ao menos, eu tivesse ainda tempo disponível para isso!).

O Bolacha e o Neko (nas fotos em cima), assim como os seus 4 irmãos (Risquinhas, Boneco, Negrito e Pantufinha) já estão com cerca de 4 meses.

Chegaram como pequenas e bravias pestezinhas e estão transformados nuns verdadeiros mimalhas, sempre a ronronarem e prontos para a brincadeira (tudo graças à imprescindível ajuda de uma grande Amiga que, contra tudo e contra todas as opiniões, conseguiu sociabilizar estes gatinhos. O meu eterno agradecimento a ela!).

Estes 6 gatinhos continuam a aguardar que apareçam pessoas muito especiais, que lhes queiram dar um lar feliz e muito amor e carinho (sabendo, de antemão, que a adopção de um animal implica responsabilidades para cerca de 15 a 16 anos - esperança média de vida de um gato).

Estes pequerruchos já estão desparasitados e dão-se muito bem com gatos adultos (como as fotografias comprovam).

Caso esteja interessado/a em adoptar um destes bebés (ou conheça alguém que esteja), pff., entre em contacto connosco para palavraseimagens@gmail.com.







segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Abertura do "Bazar dos Ronrons"









Tal como já aqui tinha pré-anunciado, abrimos hoje o "Bazar dos Ronrons"!...

Uma espécie de loja de solidariedade online com produtos home-made, feitos à base de uma das minhas paixões: a Fotografia.


No "Bazar dos Ronrons", através da venda de postais e outros produtos com fotografias (alusivas aos gatos que temos vindo ajudar e a outros temas muito diversificados), esperamos poder ir angariando algumas verbas que nos ajudem a
fazer face aos gastos que temos tidos com os 2 casos que temos vindo a acompanhar.

Ao adquirirem os produtos que aqui passaremos a vender, as pessoas saberão que estão a contribuir para uma causa... para que possamos continuar a ajudar os "Gatos dos Quintais" deste bairro lisboeta em que resido.

Visitem o nosso
"Bazar dos Ronrons" ainda em fase de construção e ajudem, pff., a divulgá-lo junto dos vossos contactos.

Muito obrigada!







sábado, 30 de agosto de 2008

Neko - o gatinho com sorte








Tinha acabado de chegar do supermercado e os sacos das compras ainda estavam espalhados pelo hall de entrada.
No escritório, o sofá novo, que tinha ido levantar depois de almoço, aguardava também que arrumasse tudo e aspirasse, para poder ser colocado no seu lugar.

Quando chego à cozinha, começo a ouvir os gritos de G., o miúdo de 8 anos que mora com a bisavó no 3º andar de um dos prédios das traseiras, que passou a cumprimentar-me de cada vez que me via dar comida à Misha e à Luana.
Aproximo-me da janela e G. diz-me que o gatinho bebé (o único que não conseguíramos apanhar há um mês atrás) acabara de cair naquele preciso instante no quintal vizinho (um quintal abandonado, pertença de uma clínica dentária).

Há já alguns dias que, ao final da tarde, o gatinho bebé, empoleirado no algeroz dos terraços, seguia atentamente com os olhos Misha (a avó) e Luana (a mãe), quando estas vinham comer por debaixo da minha janela, ou quando iam espraiar-se nesse mesmo quintal abandonado.
Pensei então para mim própria que, muito provavelmente, na ânsia de as querer seguir, acabara por tombar.

Comecei a ficar bastante preocupada quando ouvi os miados aflitivos do pobre animal. Sem o conseguir sequer vislumbrar, era G. quem me ia descrevendo o local exacto em que ele se encontrava e que se conseguia mexer, pelo que não deveria estar magoado.
A bisavó de G. apareceu também à janela, tentando acalmar a preocupação do bisneto, dizendo-lhe que o gatinho conseguiria sair dali.
Mas G., tal como eu, não acreditava no que a bisavó lhe dizia.

Depois de um telefonema para a Dª. H. (uma das vizinhas do prédio onde Dª. Luísa morava, que me tem ajudado a ir colocar comida aos gatos), que acabou por também ficar bastante preocupada e aparecer à janela; tentei convencer o G. a pedir avó para falar com os seus 2 vizinhos da cave, que possuem quintais e através dos quais, talvez, pudéssemos tentar passar para o quintal abandonado da clínica dentária e lá ir salvar o pobre bebé.
Infelizmente, a um final de sábado à tarde, nenhum deles por lá se encontrava... e a clínica também se encontra fechada para obras.

Do alto dos seus 8 anos (e de um 3º andar bem mais elevado, em termos de perspectiva visual, do que o meu 1º andar), G. começa então a tentar convencer-me a colocar um banco no telhado da minha vizinha do R/c e saltar para cima do mesmo através da minha janela do quarto, para depois ir buscar o gatinho bebé alguns metros mais à frente, descendo pelo muro bastante alto do quintal da clínica dentária.
A esta altura da estória, um pouco sem saber o que fazer, já eu começava a desconfiar que, certamente, iria sobrar para mim.






Depois de ir falar com a Dª. M., a minha vizinha do R/c Retaguarda, regresso a casa carregada com um escadote das pinturas do seu marido… e sem ter consciência plena daquilo que me preparava para fazer.

Lá desci pelos quase 2 metros que distam da minha janela do quarto ao telhado da vizinha de baixo, com o G. a gritar para a sua bisavó: - “Ela vai descer, ela vai descer!”
E o meu pensamento (e vertigens) a dizerem a mim própria: - “É desta que te vais mesmo estatelar toda! Tu metes-te em cada uma!!”

Calcorreei os telhados e desci com uma escada mais alta do que o escadote (que, entretanto, a filha da Dª. M. me passou para cima do telhado) para o quintal da clínica dentária… com o G., a bisavó e a Dª. H., todos à janela, a darem palpites sobre qual a melhor forma de descer o muro.

Depois de quase 3 voltas dadas por entre aquele matagal repleto de lixo e de pombos mortos (fruto de uma vizinha do 3º andar daquele prédio, que alimenta os pombos locais e todos os restantes que a eles se juntaram), nem vivalma do pobre gatinho bebé.

Entretanto, R., a filha mais nova da minha vizinha Dª. M., já se juntara a mim no quintal abandonado, mau grado o seu receio de escadas e escadotes.

G. e a bisavó diziam-me do alto da sua janela que o gatinho já deveria ter conseguido fugir para outro quintal. Dª. H., no prédio ao lado, observava tudo silenciosamente.

Num misto de desespero e inconformidade com toda aquela situação, decido-me a fazer nova investida por entre aquelas ervas altas, desviando-as mais uma vez, tentando não reparar na imundice que empestava aquele local.

Subitamente, por entre umas ervas mais escuras, mesmo ao lado de um dos muros do quintal, deparo-me com o dorso do gatinho bebé, todo aninhado a esconder-se.
Chamo R. com a mão, sem fazer barulho, e peço-lhe em voz baixa que me traga a transportadora (nesse exacto momento, agradeci a hora em que R. se decidiu a ir ter comigo ao quintal, já que a transportadora se encontrava mesmo no extremo oposto àquele onde o gatinho estava escondido).
Com uma toalha turca lá o consegui apanhar (como sucedera aos seus 5 irmãos). Esperneou um pouco, miou bastante e, já dentro da transportadora, ainda se tentou debater para fugir.

Persistia, agora, a dúvida sobre o que fazer ao pobre animal!...

Se, por um lado, não podia concordar mais com G., quando este dizia que o bebé já aprendera a lição e seria melhor ficar com a mãe com a avó nos terraços (já que Misha é velhota e quando falecesse, Luana ficaria com a companhia do seu filho); por outro lado, não me conseguia imaginar a mim própria em novas façanhas de ginástica, caso o gatinho bebé caísse novamente para aquele quintal (havendo, também, o perigo de poder cair para os dois quintais, do meu lado da rua, onde há 5 meses atrás fizeram queixa e chamaram o Canil/Gatil Municipal de Lisboa para vir apanhar 7 gatos).

Neko, o 6º bebé de Luana, está bem, apesar do valente susto que apanhou ao cair do terraço onde habitava… e já se juntou aos seus irmãos (tal como eles, também se encontra para adopção - caso esteja interessado/a, pff., contacte palavraseimagens@gmail.com).

Quanto a mim, como dizia o marido da minha vizinha Dª. M., enquanto eu subia o escadote para voltar a entrar em minha casa pela janela do quarto, já posso alistar-me nos Bombeiros.





domingo, 17 de agosto de 2008

Notas Soltas - 132




- Estórias com Gatos - XXI -



- Usha, o gato que se passeia -





Ontem à noite, depois de jantar, descemos para ir deitar fora o lixo e tomar um café ali perto de casa.

Enquanto o H. lutava ferozmente com o caixote verde para lá conseguir enfiar o saco do lixo e eu estava parada ao lado a olhar para ele, aparece-nos vinda a correr do outro lado da rua, direitinha a nós, uma gata alaranjada a miar.
Faço-lhe festas na cabeça e começa a roçar-se pelas minhas pernas, enquanto continua a miar; e reparo que tem uma coleira castanha com aplicações em forma de peixinhos.

Seguimos caminho para o café e a gata vem atrás de nós.
A esta altura, começa o meu coração a bater mais forte e o estômago a ficar todo embrulhado, só de pensar na hipótese do pobre animal poder ter sido ali abandonado (devido à existência de uma clínica veterinária naquela rua – e já não ser a primeira vez que realizam tal “feito”), ou de andar por ali perdido.
Duas portas mais adiante, a gata pára e ali fica, especada no meio do passeio, a olhar para nós enquanto nos afastamos.
Continuo a andar e a olhar para trás, deixando de ouvir o que quer que seja que o H. me estava a contar e salientando, apenas, que, de facto, até parece que atraio este tipo de situações inusitadas com gatos.

Quando saímos do café, peço para fazermos o mesmo trajecto.
Nem vivalma da pobre gata, penso. Eis senão quando, vinda do nada, tal como na primeira investida, aparece a felina alaranjada a miar para nós. Faço-lhe festas e aninha-se na soleira de uma porta.





Depois de uns bons 10 minutos ali parados a tentarmos decidir o que fazer, não conseguimos ignorar o pobre animal e levamo-lo para casa, ficando comodamente instalada na minha casa-de-banho.
Uma série de telefonemas mais tarde, chega a hipótese de se tratar de uma gata residente num prédio ali da rua, que alguém já socorrera do ataque de um cão e dizia tratar-se de um felino que costuma fugir de casa através de um quintal.

Esta manhã, comecei em vão a busca desesperada pelos seus donos...
O facto de ser fim-de-semana prolongado não me ajudou em nada, nem tão pouco um casal de vizinhos (muito pouco compreensivo e solidário) dos donos do animal.
Já quase em desespero, ao final da tarde, deixo-lhes um pequeno bilhete com o meu contacto por debaixo da porta.

Finalmente, por volta das 21h, liga-me uma rapariga, intitulando-se como a dona do gato. Sim, porque, afinal de contas, era um gato, castrado como se fazia noutros tempos, o que dava azo a uma certa confusão.
Pego no pobre gato, num estado já meio entre o enfadado por se encontrar fechado numa casa-de-banho e o "feliz da vida e sempre com a cauda a abanar" por estar quentinho e não ao relento, e levo-o a casa da sua dona, do outro lado da rua.

Fico, então, a saber que o velhote gato Usha partilha a casa com duas gatas e que até têm direito a uma daquelas portinholas (ou "gateiras") para poderem entrar e sair de casa da dona para um magnífico quintal.
Usha apareceu há cerca de 2 anos naquele quintal e por ali foi ficando. Gosta de dar as suas voltinhas pelo quarteirão, uma vez que saindo pelo quintal nas traseiras do Mercado, contorna uma rua, dá mais uma volta e vai ter ao início da rua da sua dona... por ali ficando, à espera que alguém lhe abra a porta principal, para voltar a entrar em casa.
As voltinhas de Usha pelo quarteirão são já famosas no bairro (pelo menos para alguns residentes, nos quais eu própria não me incluía!), havendo até uma senhora que já o recolheu por duas vezes.

Segundo uma outra vizinha ("mais antiga" no bairro), Usha teria sido ali deixado naquele quintal, quando os seus donos se mudaram, sendo estes seus hábitos bem ancestrais... e, tendo ele adoptado, a nova moradora.

Usha está velho, escanzelado e enfraquecido. Tem um olhar muito triste, apesar de ser extremamente meigo.

Se apenas os animais pudessem falar... e contar-nos todas as (suas) histórias já vividas!...






- Fim de tarde nos Quintais -




Misha e Luana em contemplação... ou vice versa.





terça-feira, 12 de agosto de 2008

"Os Gatos dos Quintais"








Quando comecei a escrever neste blog sobre "Os Gatos dos Quintais", nunca imaginei que me envolveria de uma forma tão estreita no que se viria a passar nesta, aparentemente tranquila, colónia felina de um bairro de Lisboa!...

Quem me conhece bem, sabe que, apesar de não ter vida (nem tempo) para estas "andanças", o facto é que não consigo ficar indiferente (e, muito menos, de braços cruzados) perante situações de injustiça com seres humanos ou animais.
Há, também, quem diga que tenho o triste defeito de carregar com o peso do mundo, quando ninguém carrega por mim!...

Desde que, em Junho passado, o blog 7 Gatos dos Quintais ficou inacessível ao público em geral (e, verdade seja dita, deixou de ser actualizado), muita coisa aconteceu:

- Esterilizámos e castrámos (a nosso custo e com a ajuda de algumas pessoas) 1 das gatas e os 2 machos;

- 5 dos bebés (das 2 ninhadas) já foram adoptados;

- Os 2 machos foram adoptados juntos;

- O único gato que tinha saído directamente do Canil/Gatil Municipal de Lisboa com dona, passados 3 meses, teve que ser entregue a nova dona (devido a “incompatibilidades”);

- As 2 gatas-mães ainda se encontram comigo por estarem fragilizadas (e necessitarem de mais contacto com humanos, antes de poderem ser dadas para adopção). Já foram ambas esterilizadas (custo suportado unicamente por mim);

- Não consegui resistir aos encantos da 3ª fêmea (que já tinha dona interessada) e acabei por a adoptar;

- A 4ª fêmea ainda se encontra numa outra FAT; tendo já sido esterilizada (a nosso custo).



Entretanto, neste último mês, com a ajuda de uma amiga, apanhei nos mesmos quintais do caso anterior (7 Gatos dos Quintais) 5 bebés de uma outra ninhada (os quais se encontram numa FAT amiga para adopção) e esterilizámos (a nosso custo e com o auxílio de algumas vizinhas do prédio em questão) a gata-mãe, que já regressou aos quintais onde sempre viveu.

Temos estado a acompanhar esta situação muito de perto, bem como a contribuir diariamente para a alimentação da Luana, do seu 6º bebé (que ainda não se deixou apanhar) e da Rabinho de Raposa (dado que uma outra pessoa que, também, os alimentava tem revelado "dificuldades" de ordem variada).

Face a toda esta situação, como poderão calcular, os gastos têm sido mais que muitos (esterilizações, ração, areão, etc.).

Nesse sentido, gostaria de agradecer a todos os amig@s que, de alguma forma nos ajudaram, numa ou noutra fase destes 2 casos!

Um agradecimento especial também para o Leilão Solidário (que nos irá ajudar durante o mês de Setembro)!

Brevemente, re-abriremos apenas a convidados o blog "7 Gatos dos Quintais" (para notícias com mais detalhe desses 7 gatos e seus bebés).
Quanto aos desenvolvimentos correntes do caso actual, poderão continuar a acompanhá-los aqui no "Palavras & Imagens".

E, dentro de algum tempo, dar-vos-ei, também, a conhecer a concretização de uma ideia (com produtos aliciantes "home-made", aqui no blog) para nos auxiliar a angariar verbas para podermos continuar a ajudar estes animais.

Muito obrigada a tod@s!





sábado, 9 de agosto de 2008

Os Bebés da Luana




Fotografia de MCC



O Risquinhas, a Pantufinha, o Negrito, o Bolacha e o Boneco... encontram-se disponíveis para adopção.

Caso esteja interessado/a em dar um lar muito feliz e responsável a um destes gatinhos, pff. contacte através de palavraseimagens@gmail.com.









quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Notas Soltas - 130





- A Dança -







O que estão estes seres humanos a fazer? A dançar.
Na Terra, muitos seres humanos exibem períodos de felicidade, sendo a dança um dos métodos de expressar livremente essa felicidade.
A felicidade e a dança ultrapassam barreiras políticas, ocorrendo em praticamente todas as sociedades humanas.

Matt Harding viajou por diversas nações na Terra, começando a dançar em cada um desses locais e filmando o resultado final (muitas pessoas a ele se juntavam, começando, também, a dançar).
Este vídeo é, talvez, o exemplo dramático de que os seres humanos em toda a Terra sentem uma ligação comum, enquanto membros de uma mesma espécie.
A felicidade é frequentemente contagiosa e poucas são as pessoas capazes de assistir a este vídeo sem sorrirem!







- Esta manhã... -




... Luana veio a correr, juntamente com Misha, comer por debaixo da minha janela.









terça-feira, 5 de agosto de 2008

O Regresso a Casa







As obras na antiga casa de Dª. Luísa começaram no passado dia 1 de Agosto.
A incerteza sobre quem serão os novos moradores e se aceitarão o facto de terem duas gatas residentes no seu pequeno terraço é incomensurável e deixa-nos numa ansiedade muito grande.

Alheia a tudo isso, Rabinho de Raposa (aka Misha) continua a passear-se entre o terraço de Dª. Julieta e o que fora de Dª. Luísa.

De manhãzinha bem cedo, espera-me por debaixo da minha janela do quarto e, à tarde, aproveita o sol quente deitada entre as telhas da minha vizinha do R/c Retaguarda, enquanto aguarda pelas iguarias.

Ao longe, o pequeno filhote, o 6º da ninhada, que não se deixou apanhar nas três tentativas que fiz (como se estivesse decidido a não abandonar aquele terraço), observa a avó, enquanto ela come por debaixo da minha janela. Ainda não consegue aqui chegar, pois a distância entre o terraço onde passa os seus dias e o telhado da minha vizinha é ainda demasiado grande para as suas pequenas patinhas.

Mikado, o pai, continua a aparecer todas as noites, deixando-se antever pelo miado estridente que entoa conforme vai avançando em passo firme quintal a quintal.
O filhote, reconhece-o, recebendo-o sempre com marradinhas e cruzamento de focinhos. Mikado, por seu lado, lambe-o todo.

Enquanto vai apreciando a sua refeição por debaixo da minha janela, Rabinho de Raposa faz pequenos intervalos em que aproveita para me olhar, como que para comprovar se ainda ali estou.
Quando não vejo o pequenote, preocupada, pergunto a Rabinho de Raposa pelo bebé.
Curiosamente, nesse preciso instante, ela pára de comer, vai-se embora a miar suavemente, como se de um chamamento se tratasse. E, ao longe, começo a vislumbrar o bebé a correr, para vir ter com a avó.

Como alguém me dizia outro dia, à Rabinho de Raposa só lhe falta aprender a expressar-se na nossa língua, pois parece compreender tudo aquilo que lhe dizemos (o que é bem verdade, já que a gata apenas tem esta reacção quando lhe pergunto pelo bebé).

Ao fim da tarde, sonolenta, Rabinho de Raposa aninha-se entre os escombros da madeira do que fora um armário no pequeno terraço de Dª. Luísa, mira o horizonte, boceja e adormece... com o neto adoptivo entre as suas patas.






Depois de 15 dias de pós-operatório de esterilização, Luana regressou esta tarde ao terraço onde nasceu e sempre viveu com a sua mãe Rabinho de Raposa e a sua protectora.

O retorno teve contornos meio rocambolescos, já que a pessoa com quem combinara previamente ir esta tarde deixá-la no terraço não apareceu nem me ligou, acabando por me confirmar, quando lhe telefonei, que apenas viria a Lisboa amanhã.

Por mais curioso que possa parecer, Luana acabou por regressar aos quintais através da casa que fora da sua protectora - actualmente em obras (um imenso obrigada aos 2 operários brasileiros que lá estão a trabalhar e nos abriram a porta!).
Há coisas que já parecem ter que ser assim, pressagiadas de forma diferente, como se alguém as tivesse a reescrever!...

Queria ter feito um pequeno filme desta libertação (sobretudo, como forma de agradecimento, para mostrar no Vet. e a quem ajudou nesta história), mas a Luana foi tão rápida que, em plena torreira do sol, às 14h30, mal lhe abri a porta da transportadora e se viu nos quintais, fugiu a sete pés para o terraço do prédio ao lado.
Por isso mesmo, no filme que consegui fazer só aparece o terraço de Dª. Julieta e a minha voz a inquirir para onde Luana fugira.

Depois, ficou, atentamente, a observar-nos ao longe, enquanto colocávamos ração nova nos pratos e mudávamos a água.

Mais tarde, através da janela da minha cozinha, observei Luana enquanto esta aproveitava despreocupadamente o sol ameno de final de tarde, deitada em cima de um dos grandes vasos do prédio vizinho.
No telhado mais abaixo, o seu 6º filhote, brincava com algo, mas, quando a viu ao longe, assanhou-se e começou a recuar. Provavelmente, devido ao tempo de permanência no Vet. e aos novos cheiros que por lá adquiriu não a reconheceram… o que eu mais temia!

Subitamente, Rabinho de Raposa (Misha) salta para o terraço do prédio novo, aproxima-se de Luana e ali fica por breves instantes, voltando depois para o seu terraço. Luana segue-a apressada, como fizera noutros tempos.

E eu fico bem mais tranquila por saber que, afinal, tudo correra pelo melhor, Luana reconhecera o local onde sempre vivera… e fora bem recebida pela sua mãe.








sexta-feira, 1 de agosto de 2008

A "Rabinho de Raposa"




As parcas “aventuras-com-animais” em que, nos últimos anos, me tenho visto enleada têm sido, quase sempre, preenchidas com a descoberta de grandes "personagens"…

Pessoas cujas vidas e pequenos gestos diários trouxeram algo de único e muito precioso ao tempo que passaram neste mundo.
Pessoas que, na maioria dos casos, findaram sozinhas e esquecidas os seus próprios dias…
Mas cujas histórias de vida, certamente, dariam direito a uma bela narração no papel.

Esta é uma homenagem muito sentida a uma dessas "personagens", uma grande Senhora, que, infelizmente, não tive a oportunidade de conhecer senão através das palavras das suas vizinhas (que, nas últimas semanas, tenho escutado atentamente), dos risos quentes que noutros tempos me chegavam vindos do seu terraço… e dos olhos das duas gatas que sempre protegeu em vida.







"Quero, um dia, dizer às pessoas que nada foi em vão...
Que o amor existe,
que vale a pena se doar às amizades e às pessoas,
que a vida é bela sim
e que eu sempre dei o melhor de mim...
e que valeu a pena."

Mário Quintana








Rezam as memórias dos mais antigos que, em tempos idos, aqueles quintais haviam sido habitados por um número infindável de gatos, de todas as cores, pelagens e feitios.

Os felinos viviam em paz e tranquilidade nas suas lides quotidianas: ora espraiando-se ao sol quente da tarde, ora vagabundeando monotonamente de quintal em quintal… naquele pátio interior, fruto da confluência das traseiras dos prédios de duas das principais ruas de Benfica.

Dª. Luísa morava no 1º Esq. do prédio amarelo, num andar cuja cozinha terminava com uma imensa varanda fechada de cortinas alvas, que se abria sobre um pequeno terraço.
No seu pequeno terraço, debruado a buganvílias carmim, Dª. Luísa recebia diariamente a visita de inúmeros desses gatos dos quintais, a quem oferecia alimento e abrigo.

A “Rabinho de Raposa” (também conhecida por alguns como Misha) era bebé quando por ali começou a aparecer há muitos anos atrás (cerca de 18 no total), ainda o "Shaka" (cão da Dª. Julieta, a vizinha do lado e grande amiga de Dª. Luísa) era vivo.
Ninguém sabe ao certo de onde a Rabinho de Raposa apareceu, mas a sua pelagem de Bosques da Noruega deixava indiciar que a sua linhagem seria, eventualmente, originária daquele barracão de alumínio e vidro, à frente dos terraços, onde um vizinho do mesmo prédio amarelo fazia criação de gatos de raça para seu sustento.

Shaka, o Bichon Frisé, nascido na África do Sul, a quem haviam concedido nome de rei, não tolerava a presença dos restantes felinos no terraço da vizinha, apenas se predispondo a entendimento com a bela (e quase nobre pela pose) Rabinho de Raposa.

Dª. Luísa era viúva e, apenas de tempos a tempos, recebia a visita de algum familiar. No entanto, tinha uma perfeita adoração por uma das suas sobrinhas, a qual considerava como o seu “Ai Jesus!”.
Com a distância física e o esquecimento moral dos que lhe eram próximos pelo sangue, Dª. Luísa acabou por ter que tecer a sua própria família no prédio onde viveu durante mais de 30 anos (afinal de contas, sempre possuíra veia de artista e tecia tapetes de Arraiolos como ninguém!): Dª. Julieta, a vizinha do lado, era a amiga de todas as ocasiões, com quem compartilhava o seu amor pelos animais; Dª. Helena, a vizinha do 2º andar, a sua confidente dos últimos anos, quando se apaixonara e não sabia o que as restantes vizinhas iriam comentar nas suas costas por receber visitas diárias do seu homem.

Dª. Luísa era, sobretudo, uma mulher muito avançada e emancipada para o seu próprio tempo!...

Apaixonada sim, mas com as devidas distâncias (e cautelas), mantendo-se cada um na sua própria casa – ou não fora o facto de ser Aquariana lhe conceder essa intempestividade quotidiana de quem anseia sempre por mais liberdade interior.

No que diz respeito aos ciclos reprodutivos dos felinos dos quintais, foi, também, Dª. Luísa que, por sua livre auto-recriação, decidiu passar a dar a pílula a todas as gatas, quando descobriu que a maioria dos gatos que ali nasciam das ninhadas sucessivas da “sua” Rabinho de Raposa terminavam os seus dias envenenados num quintal não muito longe do seu pequeno e aprazível terraço.

E foi assim que no seu pequeno terraço passaram a viver (protegidas) apenas a Rabinho de Raposa e uma das suas filhas que nunca dali se afastara (gata a quem nunca apelidara, talvez, por ser arisca; e a quem alguém, meses mais tarde, viria a nomear como Luana, por ter focinho de lua cheia).
Protegidas por entre as buganvílias e outras flores matizadas, Rabinho de Raposa e Luana tinham, também, o privilégio de pernoitar na varanda fechada de Dª. Luísa e, de vez em quando, de entrarem em sua casa.
Rabinho de Raposa, apesar da atitude de princesa e de nunca arranhar nada dentro de casa (ao contrário de Luana), tinha alma de viandante e, tal como a sua protectora, não gostava de se sentir aprisionada... pelo que gostava de ir sempre dar as suas voltinhas pelos quintais, tendo descoberto um outro 1º Esq. onde abundavam as iguarias para felinos.

Com o passar dos anos e os consequentes achaques de saúde, Dª. Luísa teve, um dia, que ser internada no hospital.
Nesse preciso momento, o seu pensamento encontrava-se muito mais distante da doença que a assolara... percorrendo o seu aprazível terraço, implorando às vizinhas que tratassem das duas gatinhas na sua ausência.

Alguns meses mais tarde, Dª. Luísa foi encontrada sentada na sua cozinha, como que adormecida… para todo o sempre (apenas a alguns dias de completar o seu 78º aniversário, no mês de Fevereiro de 2008).
O seu “enorme” e precioso coração, que todos os seres amava e protegia, havia parado bruscamente.

Rezam as memórias mais recentes que, no seu funeral, o seu apaixonado de outros tempos não conseguira evitar o pranto ao vê-la partir; tal como, no seu aprazível terraço, a Rabinho de Raposa ficara com os seus olhos felinos em lágrimas, enquanto dormitava na varanda fechada que fora de Dª. Luísa.

A família de sangue foi célere em arrecadar os bens e pertences de Dª. Luísa, despindo o outrora aprazível terraço de toda a vida vegetal e animal.
Rabinho de Raposa e Luana foram votadas ao abandono e enxotadas para longe, tendo encontrado abrigo no quintal vizinho de Dª. Julieta, que as continuou a proteger por se tratarem da única herança que a amiga de longa data lhe havia deixado.

Em pleno mês de Março, início da Primavera, os quintais estavam impregnados de um odor a flores murchas… como se a própria natureza sentisse a dor da perda deste imenso coração.

Em Abril, após a morte de Dª. Luísa e de um outro casal, a harmonia e beleza da vida nos quintais pareceram, por momentos, conseguir ser arrebatadas pela desumanidade do Homem.

Felizmente, durante o mês de Maio, a natureza e a própria vida conseguiram vingar por onde a agrura se quis instalar...
Os 6 filhotes de Luana nasceram no tanque da vizinha do R/c. Protegidos, durante meses a fio, das chuvas e do frio, pelo corpo e pêlo da Rabinho de Raposa, sua avó; que, mais tarde, ensinaria a sua filha Luana a pegar-lhes pelo cachaço e a trazê-los para o terraço que outrora pertencera a Dª. Luísa.

Rezam as vozes de quem viveu (bem) de perto toda esta história que não há mãe tão protectora e diligente como a Rabinho de Raposa… que só lhe falta saber expressar-se na nossa própria língua.
Há, ainda, quem diga que os animais adquirem as qualidades dos humanos com quem mais convivem!






quinta-feira, 24 de julho de 2008

O Jardim-Fantasma




Era um pequeno logradouro comprido e estreito, transformado num quintal embelezado por 1001 flores e outras espécies hortícolas de diferente matizes, que constituía a inveja de todos os vizinhos do bairro.

Por mais inaudito que possa parecer, com o intuito de preservar a vida de cada uma das espécies existentes no seu jardim, o patriarca da família ia envenenando todos os gatos que se atreviam a por ali deambular.

Triste fim (ou lei da retribuição kármica) teve o zelador deste quintal envenenado, já que morreu cedo e sem poder tirar grande usufruto do mesmo.

A sua esposa amantíssima continuara o trabalho de preservação daquele quintal com muito carinho. Mas a viuvez deixara-a quase translúcida (com o passar do tempo, assumira aquela tonalidade que não é branca nem rosada, e parece querer determinar o fim de toda a humanidade), carregando a sua corcunda nas vestes negras… e acabou, também, por deixar de aparecer no seu quintal (o qual, não conseguia sequer vislumbrar do seu leito, dado que a janela do quarto onde se encontrava acamada apenas deixava antever o quintal da vizinha do lado).

O belo quintal ficou abandonado, apenas ali jazendo pelo chão algumas folhas das suas flores decrépitas…
De tempos a tempos, duas filhas e um genro do casal vinham regar as plantas, como que tentando perpetuar a beleza de algo que outrora existira.
Mas as plantas continuavam a crescer descoordenadas, criando um quadro demasiado disforme.

Curiosamente, foi nesse preciso momento que os gatos aí regressaram.
Ignorando as atrocidades cometidas noutros tempos em nome da preservação da beleza daquele espaço construído pela mão humana, os gatos vinham de noite famintos em busca de comida.

Mas aquele jardim-fantasma continuava a carregar no seu âmago uma indescritível crueldade… a qual se viria a propagar, alguns meses mais tarde, quando outros vizinhos tiveram semelhante gesto de desumanidade para com os animais que por ali viviam em paz e sossego.

Talvez por isso mesmo o Jardim-Fantasma tenha sido condenado a não mais possuir viv'alma, que o pudesse fruir...





terça-feira, 22 de julho de 2008

Luana e os seus 5 bebés




Há quem diga que tenho bicho-carpinteiro... que não consigo passar os meus dias sem me enlear em grandes peripécias ou histórias "rocambolescas"... que, quando me meto numa, sigo a velocidade tipo TGV.

Ainda mal refeita desta história, deixei de conseguir dormir sossegada quando voltei a ver vida nos quintais das traseiras... pressentindo o que, num futuro próximo, poderia suceder novamente.

Podem considerar loucura, mas como sou eu própria que aqui moro, e deixar de ir às janelas das traseiras estender roupa (por correr o risco de ver gatinhos bebés a morrerem de fome) não estava nos meus planos...
Da ideia à acção, consegui falar com as vizinhas do prédio em questão, conciliar diferentes personalidades e organizar algo.





Luana, a filha e grande comparsa de Misha, foi ontem apanhada, juntamente com 5 dos seus 6 bebés.

Um imenso obrigada à minha amiga S. e ao T., que colaboraram de uma forma indescritível nesta "operação-de-amadores-inexperientes" sem recurso a armadilhas e apenas com a ajuda de um lençol turco e uma transportadora, sob a torreira do sol!!!




A gata Luana foi esta manhã esterilizada, fará o pós-operatório no Vet. e, mais ou menos, daqui a uma semana, seguirá para os quintais onde sempre viveu em paz com a sua mãe e protegida por uma grande senhora.

Os 5 bebés (4 machos e 1 fémea) seguem na próxima 6ª feira para uma FAT (Família de Acolhimento Temporário), que os sociabilizará com os humanos, dado que estes pequerruchos pouco contacto tiveram com pessoas, para além de se encontrarem muito assustados com tudo o que lhes aconteceu (o que mais me impressionou foi ver que os 5 bebés, que se encontravam dentro de uma maternidade-improvisada numa das salas do Vet., conseguiram, durante a noite, esgueirar-se por entre o gradeamento da box e saltar para junto da sua mãe).

Dentro em breve, estes bebés (com cerca de 2 meses) estarão disponíveis para adopção.
Caso estejam interessados ou conheçam alguém responsável que o esteja, entrem em contacto comigo, pff., para o endereço de e-mail que aparece no meu perfil.

Muito obrigada!





terça-feira, 15 de julho de 2008

Quadros antigos com Gatos




Há 3 anos que ali vivia e sempre imaginara aquela vizinha do 3º andar do prédio das traseiras como alguém que possuía um elevado grau de proficiência para passar horas à janela a ver o que os vizinhos dos prédios em frente andavam a fazer (em particular, para a observar todas as manhãs e finais de tarde, com olhar suspeito, enquanto dava comida à Ninushka).
Foi por isso, com algum receio, que decidira finalmente ir falar com a dita cuja senhora, por causa dos novos bebés que tinham dado vida aos quintais, depois da (quase) tragédia sucedida em Abril.

Enquanto subia o último lanço de escadas, foi brindada com um: - “Quem é?”
- “Moro aqui nas traseiras e vinha falar com a senhora por causa dos gatinhos bebés que andam aqui nos vossos terraços”.
- “Ai, é a senhora que alimenta os gatos! Nem a reconhecia!” – retorque com um enorme sorriso nos lábios. – “Entre, entre!”
Repete-lhe que não quer entrar para não estar a incomodar, mas a Dª. C. quase a empurra literalmente para dentro de sua casa.
Ao assomar à entrada da casa da Dª. C., não consegue deixar de dar de caras com um gato em madeira artesanal que ali persiste inerte, como que a cumprimentar os visitantes.
Depois de tal visão, pensa para consigo que, afinal de contas, aquela conversa não iria correr tão mal quanto esperara.

Começa por explicar a Dª. C. o que havia sucedido nos quintais em Abril, quando alguém chamara o Canil/Gatil Municipal de Lisboa e 7 gatos haviam sido levados dali.
Daí o seu medo que algo de semelhante aconteça àqueles 6 gatinhos bebés, quando, desesperados, não encontrarem mais comida ali nos terraços, e se comecem a aventurar por outros quintais.
Não consegue viver constantemente com esse receio, nem com a consciência pesada por algo de mal que lhes venha a suceder. Sempre teve gatos desde criança e ama todos os animais, o que faz com que a sua extrema sensibilidade a impeça de conseguir compreender o sofrimento que o Homem inflinge aos mesmos.
Acaba por lhe propôr recolher os gatinhos bebés para adopção e tentar apanhar a gata-mãe para que seja esterilizada.

Dª. C. ouve atenta. E, quando ela termina, apenas lhe diz: - "Nem imagina a senhora como eu e a Dª. H., a vizinha aqui de baixo, andávamos preocupadas com estes animais! Íamos ainda atirando alguma comidita, mas não sabíamos o que fazer!".
Dª. C.
aproveita, ainda, para louvar o facto da sua interlocutora diariamente dar comida às 2 gatas que vivem nos terraços do seu prédio: - "A Dª. H. até me está sempre a dizer que, se a conhecesse, lhe agradecia por todo o bem que faz àqueles animais!"

Depois, sempre muito sorridente, Dª. C. começa a falar-lhe sobre os animais que tivera no Alentejo, antes de ter vindo para Lisboa. Narra-lhe a história de cada um deles em particular, e remata dizendo que gosta muito de gatos e até ficaria de bom grado com um dos bebés, caso o seu neto não fosse tão alérgico aos felinos.
- "A minha filha, como sabe que gosto muito de gatos, está sempre a oferecer-me objectos com eles. Ora veja a senhora estes quadros que ela me deu!"
Ao entrar na sala de Dª. C. não repara naquele pormenor, de tão focalizada que ia na tarefa que tinha de levar a cabo. Encimando uma das paredes da sala, encontravam-se 3 quadros de tamanho médio, com moldura debruada a talha dourada, como que a imitar as pinturas dos grandes mestres da antiguidade; nesses quadros, as figuras animistas de gatos vestidos de humanos ou em brincadeiras.

Ao observar tal cena, não consegue evitar esboçar um sorriso, recordando-se que, durante 3 anos, imaginara que aquela vizinha reprovava o facto de ela alimentar os gatos dos quintais.

Ao sair, Dª. C. ainda lhe pergunta: - "A senhora não leve a mal a pergunta que lhe vou fazer... Mas ainda tem aquela gatinha preta e branca? É que costumava vê-la sempre à janela com ela e, como nunca mais vi, até pensei que lhe tinha acontecido alguma coisa."






quinta-feira, 26 de junho de 2008

[AVISO-Explicação]- Blog "7 Gatos dos Quintais"




Muita coisa aconteceu desde que esta história começou…
Muitas alegrias e tristezas, apoio de alguns amigos e conhecidos, indiferença e passividade de outros, sofrimento e dissabores…
E, sobretudo, muito envolvimento (físico e emocional) da minha parte e da Cecília.

Perante os últimos acontecimentos, ocorridos nestas semanas, decidi que, a partir de hoje, o blog 7 Gatos dos Quintais passa a poder ser acedido apenas através de convite (a seu tempo, os convidados serão devidamente avisados)...
Porque a exposição em demasia, quando mal canalizada, pode provocar situações que incomodam, desgastam e são perniciosas para os próprios animais.

As minhas sinceras desculpas a tod@s os leitores desconhecidos que seguiam esta história!...





terça-feira, 24 de junho de 2008

Tudo de novo...



Este final de tarde, enquanto retirava roupa da máquina de lavar para estender à janela, deparo-me com esta imagem, nos quintais das traseiras...





Até me arrepiei, só de pensar que poderá começar tudo de novo!...

A gata que costuma acompanhar a Misha (que, contrariamente a esta última, nunca se aventura por terrenos alheios ao terraço em frente às traseiras do meu prédio, talvez, por medo) deve ter engravidado e parido do gato Mikado (o macho que deambula pelos quintais em estridentes miados procurando as fémeas).

Os quintais ganharam nova vida...
Pena que as pessoas que alimentam estes animais não se consciencializem que os mesmos teriam uma vida muito mais sossegada se fossem esterilizados, evitando, assim, a sobre-população felina e todas as histórias da barbárie humana a elas associadas.




quinta-feira, 5 de junho de 2008

"Histoire de Pieds" - 3







Para que estes meninos não caiam no esquecimento de todos...
É só para avisar que eles, ainda, se encontram para adopção!








sexta-feira, 30 de maio de 2008

Notas Soltas - 126



- Fotografia jamais tirada... -


... mais uma que me arrependo profundamente de não ter tirado!




18h. Bairro do Armador, Belavista (Chelas).
Alguns jovens de origem africana jogam à bola no meio do passeio. Duas idosas conversam enquanto passeiam os seus fiéis amigos. Na soleira da porta de um dos enormes prédios, um velho olha o jogo dos adolescentes.

E ao longe, como pano de fundo de toda esta cena de vivência de bairro, as normalmente isoladas e sujas colinas da Belavista (finalmente desmatadas há apenas um mês), onde se vislumbra uma infindade de jovens, subindo velozes e em fila indiana em direcção ao Parque.

Cá em baixo, junto ao Feira Nova e ao metro é o caos completo de carros (tentando estacionar onde quer que seja - até mesmo no mal amado Bairro do Armador), polícias nas suas carrinhas de choque e funcionários municipais transportando caixotes de lixo (que dentro em breve estarão repletos das garrafas de cerveja e comida que os jovens que chegam empunham).




É pena que a Câmara Municipal de Lisboa só se lembre de limpar a cara da Belavista, transformando-a num local limpo e seguro, de dois em dois anos (acção feita expressamente sem ser para os seus moradores)!!!!
É pena que um grande festival de música, que pretende ser "Por Um Mundo Melhor", não faça mais pelo próprio espaço carenciado que utiliza em Lisboa!!!!

Eu não vou ao Rock in Rio... mas trabalho 4 dias por semana na Belavista!







- Encalacrada no Tempo -


Muito perto destas janelas, escondida por arbustos e árvores...








Ermida de Nossa Senhora da Conceição, junto à Quinta do Pombeiro (Parque da Belavista - Chelas) - construção do século XVIII.
Património da Câmara Municipal de Lisboa.







- Estórias com Gatos - XIV -



Os Herdeiros da Ninushka



Desde que esta história começou, os quintais parecem ter ficado amaldiçoados!...

Na verdade, fazendo agora uma retrospectiva de todos os acontecimentos, tudo começara bem antes disso, quando falecera o casal de idosos que protegia os gatos dos quintais e, mais tarde, quando a dona do Bosques da Noruega morrera também.
A queixa hipócrita e velada para o Canil/Gatil Municipal de Lisboa constituira, apenas, a estocada final do Homem sobre a Natureza!...

Hoje em dia, quando me ponho na janela da cozinha a fumar e olho para aqueles quintais desertos e sem vida, invade-me sempre uma sensação muito estranha e agoniante.

Porém, lá longe, na ponta mais à esquerda das traseiras, resistem ainda 2 colónias com cerca de 4 ou 5 gatos.

Em frente às minhas janelas, nos prédios do outro lado, vivem ainda Misha, Mikado e a gata tigrada (que nunca vem para os quintais do lado do meu prédio).



Misha continua a ir aparecendo por debaixo da janela do meu quarto. E, nos últimos tempos, à semelhança do que sucedera com a Ninushka, mal levanto os estores de manhã, ali está já ele à espera de comida, ou corre apressado na minha direcção (miando, enquanto envio para baixo o comedour preso a uns fios). Depois regressa sempre ao pequeno terraço do outro lado, onde vivera a sua dona.

Ainda não tive ocasião de aqui contar, mas, certo final de dia, andava eu completamente embrenhada no início desta outra história, estou a dar comida ao Misha, quando me deparo com a cabeça de uma senhora a espreitar no terraço em frente à minha janela.
Sorrio porque não havia muito mais a fazer perante tal situação.
E é, precisamente, neste ponto que a dita cuja senhora me pergunta como é que eu estava a dar-lhe comida.
Impossibilitada de visualizar toda a cena, vejo a senhora esgueirar-se para o terraço do lado e começar a observar-me.
E é então que me conta que a dona daquela gata havia falecido, mas que ela a continuava a alimentar.
Surpresa geral… afinal Misha era (e sempre foi) uma gata!
Uma gata já muito idosa, segundo me continua a contar a senhora, que, imagine-se, até chorara quando a sua dona falecera.
Pobre Misha… com mais sentimentos do que muitos humanos!



O Mikado perdera, também, este ano os seus protectores, passando a deambular erraticamente pelos diversos quintais, em busca de fémeas.

Aparece poucas vezes por debaixo da minha janela. Se bem que, nas últimas semanas, fruto de acompanhar a Misha para todo o lado (a quem tem muito respeitinho e deixa sempre comer em primeiro lugar), ou, talvez, por andar mais enfraquecido por "andar às gatas", tem aparecido mais frequentemente.
Esta manhã, por exemplo, mal abri a janela, deparei-me com ele assim...




Até já pensei em falar com a vizinha da dona da Misha, a ver se a senhora consegue apanhar o Mikado (que dorme, também, no seu terraço) e o mandamos castrar. Mas o tempo tem sido pouco para tudo aquilo que tenho tido que fazer (em termos pessoais e profissionais)!...





sexta-feira, 25 de abril de 2008

Notas Soltas - 121




- 25 de Abril... sempre! -





Quando outras tarefas nos impedem de sair de casa... são os Amigos que trazem até nós o 25 de Abril!
Muito obrigada, Sónia & Tiago!

Mir, ontem não consegui ir ao Arraial. Quando ligaste já estava a dormir. Espero que tenha sido animado!






-"7 Gatos dos Quintais"... novo espaço -





Desde que esta história começou, não tenho tido sossego... e deixei de ter, também, um bocado de vida própria!...

Quem me conhece bem sabe que é sempre assim, quando me envolvo em determinada "luta" ou causa: faço das tripas coração para conseguir resolver as coisas, e levo-me quase sempre ao meu próprio limite de exaustão... em suma, vivo de tal modo intensamente as situações que parece que me esqueço de mim própria.

Logicamente, tudo isto se reflectiu também aqui no "Palavras & Imagens", acabando por desvirtuar bastante o propósito originário deste blog.

Nesse sentido, e como começo a sentir saudades das pequenas rubricas habituais que aqui deixava, decidi criar um espaço individualizado para que, todos os amigos e pessoas que têm manifestado interesse, continuem a acompanhar o desnvolvimento da história dos 7 Gatos dos Quintais.

Futuramente, e como me sugeriram, será, também, criado um website para a apresentação e descrição de cada um dos gatinhos que se encontra (ou encontrará, no caso dos bebés) para adopção... para que seja mais fácil a sua divulgação conjunta (já que são tantos).

Muito obrigada a todos os que têm seguido este caso pelo vosso apoio!





quinta-feira, 24 de abril de 2008

Yoko






A Yoko foi esterilizada ao final da manhã de hoje. Correu tudo bem.

Quando chegou a casa, escondeu-se atrás do sofá... nem sei bem como o conseguiu, com o colar que tem a envolver-lhe a cabeça.
Mais tarde, fui dar com ela deitada no sofá. Já ontem à noite, quando tive que a deixar em jejum (por causa da operação) e ela miava desesperadamente, me pareceu que tinha acabado por sossegar no sofá.

E é isto uma gata de quintal que, supostamente, para algumas pessoas aqui do bairro (e muitas outras de associações zoófilas), nem sequer se deixava apanhar por ser brava!...

A Yoko agradece à Mónica (dona do Matias) pelo contributo financeiro que ajudará a pagar a sua esterilização.
Muito obrigada do fundo do coração, Amiga!

Entretanto, o bebé preto que veio como "pendura" continua a ter que mamar no biberon, já que os matulões da ninhada da Aiko e os endiabrados filhotes da Saki disputam vigorosamente o melhor lugar para mamar.

Hoje foi a vez do Homem que transportava ao peito uma constelação de Estrelas lhe dar de mamar com biberon... e o jeitinho é inegável!
Muito obrigada, H.!





quarta-feira, 23 de abril de 2008

O novo "Pendura"... e o bebé que partiu.



O Vet. ligou-me esta tarde a informar que a Yoko poderá ser esterilizada amanhã de manhã.
Ainda não sei bem como a irei conseguir retirar debaixo do sofá e enfiar dentro da transportadora, mas isso é outra história!...

Entretanto, parece que alguém terá deixado na Clínica Veterinária um gatinho bebé preto, ainda em fase de amamentação, ferido numa das patinhas traseiras e na cauda, encontrado no meio da rua em risco de ser atropelado.
Como as "boas acções nunca terminam" (palavras do Vet.), pediu-me se haveria possibilidade de o juntar às 2 ninhadas e 2 gatas-mães.
Claro que não iria recusar, não é?!

Final da tarde, passagem pela Clínica para ir buscar o pequerrucho, com uma história rocambolesca à mistura (sobre alguém que queria adoptar o animal e depois, afinal, já não queria).
As histórias rocambolescas têm imperado nestes últimos dias... com uma situação indescritível, passada ontem, com a Dª. L., a senhora que, supostamente, alimentava os 7 gatos que foram parar ao Canil/Gatil Municipal de Lisboa.

Regresso a casa, e, quando abro a maternidade-improvisada, vejo o bebé tigrado da Saki (a quem cortara o cordão umbilical no sábado) de barriga para o ar imóvel, fora da manta onde as gatas-mães e os irmãos e primos se encontram.
Pego-lhe com muito cuidado e a Saki, cada vez melhor da contipação e mais protectora dos seus filhotes, bufa-me. Junto-o à ninhada, mas ele continua sem se mexer, apesar de ainda estar vivo.

Aproveito para juntar o "miúdo" novo às ninhadas, que, depois de ser (bem) cheirado pela Saki, acaba por ser bem aceite por todos. Apenas destabiliza um pouco o ambiente de tranquilidade geral porque não pára de miar, como se ainda não tivesse percebido que já está perto de uma família felina. Por fim, começa a mamar na Saki.

Quando termino os afazeres diários domésticos e regresso à maternidade-improvisada, o filhote tigrado da Saki já falecera, junto dos irmãos.

Não consigo deixar de sentir que poderia ter feito mais por ele e que, de alguma forma, posso ter tido culpa do que aconteceu... apesar de, por outro lado, já me ter apercebido que parecem ser as gatas-mães que, propositadamente, afastam para longe os filhotes mais fracos.

Começo a sentir-me a fraquejar emocionalmente!...
Nunca lidei muito bem com a ideia de morte, seja nos humanos ou nos animais. No entanto, depois da experiência da morte da ninhada preta/branca, começo a não conseguir sequer lidar com o facto de que tenho que ser eu própria a retirar o animal morto, embrulhá-lo e fechá-lo num saco para, mais tarde, ser incinerado...
Não é sequer uma questão de me sentir afeiçoada àqueles animais (como sucederia - sucedeu já - no caso de um animal de estimação de longa data), mas antes o ter sentido aquele pequeno ser vivo tão frágil nas minhas mãos e, de um momento para o outro, tê-lo novamente nas mãos mas morto.