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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

1 semana




Faz hoje 1 semana... E a dor parece que ficou mais viva.
Às vezes, nem me parece possível que ela já não esteja aqui connosco... é demasiado estranho ela já não fazer parte da minha vida, como se o seu lugar sempre tivesse sido aqui.

E o dia hoje, também, foi muito estranho!...
Não parei um único minuto, com a quantidade de tarefas em simultâneo que tive esta manhã... O que, por um lado, não me deixou a cabeça liberta para pensar na tristeza que sinto pela sua falta.

À tarde, quando fui tratar desta montra, aconteceram uma série de coincidências estranhas: na sala de espera, uma cadela aguardava com a sua dona para ser, também, ela "adormecida"; um casal interessado em adoptar um gatinho bebé tigrado (ficaram de conhecer, durante o fim-de-semana, um destes bebés); enquanto, num dos consultórios, um pequeno gato preto de 3 meses aguardava quem se rendesse aos seus encantos (sem pensarem nos preconceitos associados à cor do seu pêlo)...

A vida, na maioria das vezes, é feita de pequenos sinais, que nos indicam como agir... nós é que, quase sempre, passamos por eles sem nos apercebermos.








quinta-feira, 9 de outubro de 2008

PARA ADOPÇÃO





Fotografia de MCC




O Risquinhas, o Negrito e o Boneco não são apenas as carinhas larocas que deram origem à concepção deste postal e deste saco...

Tal como os seus restantes 4 irmãos, nasceram num quintal (onde sempre viveu, também, a minha Ninushka), do qual foram retirados para não correrem risco de vida.

Já têm cerca de 5 meses e continuam a aguardar que alguém se encante com eles e lhes queira dar um lar repleto de amor e carinho.

Caso esteja interessado em adoptar um destes 6 gatinhos-maravilha (ou conheça alguém que queira adoptar), por favor, veja este anúncio.







sábado, 4 de outubro de 2008

Muito obrigada...






... a todos os que com os seus comentários, sms's, e-mail's e palavras-proferidas me tentaram reconfortar neste momento tão doloroso!...








sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Ninushka: 1995 (?) - 03/10/08






Outubro 2005



A Ninushka foi a primeira gata dos quintais que comecei a proteger, há 3 anos atrás, quando me mudei para a minha casa.

Certamente que já há muito tempo por ali deambulava no sossego bucólico das traseiras do meu prédio, mas apenas reparei melhor nela quando, em Setembro de 2005, se começou a colocar especada por debaixo da janela do meu quarto, observando-me com um olhar muito atento.
A partir daí, comecei a alimentá-la.

Perde-se já no tempo a memória da forma e motivo de a ter nomeado com tal nome...
Para quem acredita nestas coisas, acho, agora, que foi ela própria quem intuitivamente me transmitiu como se chamava, ao fixar-me com aqueles seus grandes olhos amendoados.




Outubro 2006



Com o passar dos meses, fomos estabelecendo hábitos diário (e horários) com a comida que lhe dava e os mimos e conversas que íamos trocando ao longe.





05 / Maio / 2007




10 / Março / 2007





E, por mais estranho que possa parecer a alguns, uma "relação" foi nascendo entre ambas (penso, mesmo, que nos teremos "enamorado" uma da outra), o que conduziu a que, desde muito cedo, tivesse sentido vontade de a apanhar e trazer para casa.

Tal só viria a acontecer, muitos meses mais tarde, numa madrugada de Novembro de 2007, fruto de muita perseverança e paciência.




Dezembro 2007



A Ninushka viveu comigo (apenas) 11 meses.

Tinha ar de bonequinha de peluche e ficava sempre muito curiosa com uma atenção serena a olhar para nós.
Nunca se deixou tocar ou afagar, nem tão pouco gostava de conviver com outros gatos (apesar de os tolerar). E escolheu para seu próprio leito um cantinho por debaixo da minha cama, coincidente com o local onde por cima eu colocava a minha almofada.

Apesar de ter vivido cerca de 13 anos nos quintais, sem a companhia humana, desde muito cedo se habituou às regalias de uma casa, adorando passar a tarde em cima da máquina de lavar roupa na cozinha, brincando e pesquisando tudo.




Julho 2008








3 / Outubro / 2008




A "minha" Ninushka faleceu esta manhã na clínica veterinária (com uma injecção de "Eutasil" no coração), agarrada com as patinhas da frente à minha mão direita.

Após duas semanas e dois dias desde a confirmação do diagnóstico de insuficiência renal, morreu acompanhada e reconfortada, algo que não sucederia se a tivesse deixado nos quintais.

As suas últimas semanas de vida foram de muito sofrimento para mim, ao ver o seu estado de degradação (minada pela doença) a cada dia que passava...
Mas, também, de muito mimo e carinho aceites (e quase pedidos) por uma gatinha que nunca os tivera.

Durante todo este período, desdobrei-me em duas, fiz tudo o que estava ao meu alcance e muito mais ainda, para lhe tentar minimizar os efeitos da doença - sendo ajudada por alguém que me está muito próximo (e sem quem tudo isto teria sido possível)...

Mas a doença foi mais forte e a minha gatinha fraquejava a cada dia que passava: a sua respiração ficava mais ténue e atacada pela constipação; encontrava-se extremamente magra e letárgica.
Estava muito desidratada (apesar do soro que, diariamente, levava) e, ontem, bebia sofregamente água, colocando as próprias patinhas dianteiras dentro do bebedouro.
Parecia já um pouco desorientada quando caminhava pela casa, ou se ia instalar na mesa da televisão na sala.

Seria profundamente egoísta da minha parte prolongar o inevitável, colocando-a novamente a soro intravenoso (para além de um massacre para o próprio animal).

Penso agora que, apesar do estado grave em que se encontrava, a Ninushka ainda lutava por permanecer viva, talvez, graças ao mimo que ia recebendo.
Recordo-me daquele horrível domingo em que, de tão prostrada que estava, quase parecia estar a desfalecer... Adormeci ao seu lado no chão, amparando-a com festinhas, e, quando acordei, a Ninushka estava mais arrebitada e com o olhar lúcido.

Esta manhã, antes de sairmos para a clínica veterinária, deixou-me pegar-lhe e ficou ao meu colo, embrulhada na sua mantinha, respirando tropegamente e encostando-se toda sobre o meu peito.

Com a sua morte, fechou-se mais um ciclo...











quarta-feira, 1 de outubro de 2008

A doença da minha Ninushka





Há exactamente duas semanas, ao final da tarde, a minha Ninushka ficava internada na clínica veterinária a soro intravenoso.
Deixara de comer há 4 dias e, após análises efectuadas, foi confirmado o (pior) diagnóstico: insuficiência renal - uma das principais causas de morte dos gatos idosos.
Depois de 3 dias a soro no Vet. e de novas análises realizadas (para verificar o estado de desenvolvimento da doença - as quais viriam a confirmar que os índices de creatinina haviam aumentado, ou seja, a doença agravou-se), a nossa vida mudou!...

Não havendo grande esperança de tratamento para esta doença (para além do facto de a idade avançada da Ninushka não ser um bom prognóstico para o evoluir da mesma), o Vet. aconselhou a aplicação diária do soro subcutâneo em casa (para a ir ajudando a manter-se hidratada).

Os primeiros dias foram terríveis e estava quase a desesperar...
Parecia que andava meio anestesiada e, simultaneamente, só me apetecia chorar, ao ver a minha gatinha naquele estado, sem comer, deixando-se morrer mais um pouco a cada dia que passava.
O frigorífico cá de casa passou a estar cheio de latinhas dos mais diversos condimentos, aquecidas às horas das refeições, para tentar que a Ninushka voltasse a comer algo.

Fruto da curiosidade (ou defeito profissional), pus-me a pesquisar na internet sobre a doença... aprendi muita coisa, mas, também, consegui agravar o meu estado de preocupação (pois, quando um leigo se põe a ler sobre matéria alheia, tem sempre tendência a esboçar o pior cenário possível face ao que desconhece).
Aprendi muito sobre esta doença nestes dois sites:
"Feline CRF Information Centre" e "Feline Chronic Renal Failure - Information Centre".

Nos dois primeiros dias, sozinha, fui incapaz de conseguir apanhar a Ninushka para lhe dar o soro (resta dizer que, depois de 10 meses a viver comigo, nunca foi gata de colo ou sequer de festas, talvez por durante mais de 13 anos sempre ter vivido solitária nos quintais)... O que agravou o meu estado de desespero, pois comecei a sentir-me impotente e culpada perante tal situação (quando a última vez que a vira comer efectivamente alguma coisa fora no sábado que regressara a casa, após 3 dias a soro intravenoso).

Nessa altura, cheguei mesmo ao fundo, deixando-me ir muito abaixo...
Lembro-me que, num dos dias, adormeci no chão do quarto, a fazer festas à Ninushka, muito prostrada, deitada por debaixo da cama (onde ela sempre tivera a sua caminha, por se sentir mais resguardada das restantes ‘nininhas cá de casa).
Passava o dia inteiro cheia de dores de estômago e agoniada, temendo sempre como a iria encontrar (ou se ainda a encontraria) ao chegar a casa ao fim do dia.

Finalmente, ao terceiro dia, com a ajuda do H. conseguimos dar-lhe o soro subcutâneo, instalando-a para o efeito na casa-de-banho, dentro da parte de baixo da transportadora, coberta por uma mantinha.
De nada me serviu as informações que andei a ler na Internet sobre como aplicar o soro subcutâneo a um gato, pois, no momento preciso, com a agulha nas mãos, fui incapaz de lha espetar no cachaço, com medo de a aleijar (já me havia sucedido o mesmo com a Amélie, há alguns anos atrás).
Graças ao H. (que, também, tem pavor de agulhas, tal como eu), a partir daí, as nossas noites, transformaram-se num ritual de aplicação do soro à Ninushka: enquanto eu a acalmava com festinhas, ele espetava a grossa agulha, ligando eu depois o soro aquecido (para ela não sentir tanto o efeito do frio no corpo).

Depois do soro, a Ninushka tinha tendência a ficar sempre muito prostrada, mas, no dia seguinte, parecia estar um pouco mais arrebitada.
No início da semana, comecei a encontrá-la de manhã, ao acordar, sentada na sala (local onde ela nunca costumava ir aqui em casa) – provavelmente porque, como as suas patas já se encontravam muito fraquinhas, não conseguia subir para cima da máquina de lavar roupa na varanda da cozinha, onde adorava ficar a apanhar sol.

Dia sim dia não a Ninushka parecia estar pior…
Havia mesmo dias em que ficava com o olhar muito parado, como se tivesse perdido a lucidez… voltando, depois, ao normal.
A sua respiração, no final da semana passada, começou também a ficar mais estranha, como se estivesse constipada; tendo o Vet. dito que seria uma coriza crónica (nunca tratada por sempre ter vivido nos quintais), agravada por o seu organismo se encontrar agora mais debilitado.

Na 6ª feira passada, ao sair para o emprego, deixei-a fechada na casa-de-banho muito murchinha. E passei o dia muito enervada, pensando que a Ninushka não estaria viva quando regressasse a casa. Curiosamente, quando cheguei, ela já estava mais arrebitada.
Nesse dia, levei-a à mesma ao Vet. e pedi conselho sobre a eutanásia, depois de na última semana, dia sim dia não, a ver praticamente a desfalecer à minha frente... mas o Vet. diz que ela ainda não está a sofrer e que alguns gatos conseguem superar estas crises e ainda viver alguns dias, meses ou anos.

A gata dos quintais que nunca me deixara chegar perto para fazer festinhas desde que passara a viver em minha casa, fruto da doença, passou a adorar o contacto físico e até dava jeitinho com a cabeça para as festas e mimos.

Durante 5 dias continuou sem comer, limitando-se a beber muita água. E, no domingo passado, depois de passar o dia inteiro ao seu lado pensando que ela estaria a desfalecer, a conselho do Vet. começámos a forçá-la a alimentar-se através do auxílio de uma seringa especial.
A mistura de frango e o seu caldo, massinhas e ração renal da Hill’s (tudo misturado e feito numa papa com a varinha mágica) passou a ser administrada por mim todas as noites, enquanto o H. a agarrava. A Ninushka fincava ferozmente a boca para não permitir a entrada do que quer que fosse, mas, durante estes 4 últimos dias, temos conseguido alimentá-la antes de lhe dar o soro subcutâneo.

Desde o dia 22 de Setembro (quando as segundas análises confirmaram o agravamento da sua doença), tenho tentado viver um dia de cada vez, como se fosse o último na companhia da minha gatinha... impotente para a curar, tento minimizar os malefícios desta doença e dar-lhe ainda um pouco de qualidade de vida e muito carinho.






segunda-feira, 12 de maio de 2008

Quase...


Uma gata que viveu 13 anos nos quintais, desde sábado à noite, não quer outra coisa senão dormir na minha cama.

E ainda dizem que há gatos "selvagens"!...




quarta-feira, 30 de abril de 2008

Notas Soltas - 122




- Corners of my Home (Once a Week) # 27 -



À semelhança do cantinho da Sónia...
No meu escritório, é assim...


... "Cat's love IKEA".






- 5 meses depois -



Esta tarde, enquanto trabalhava no escritório, apanhei a menina Ninushka, na outra ponta da casa, a brincar debaixo da cama com um cão de peluche.
E esta, ha?!

Para uma gata que viveu mais de 12 anos nos quintais, ninguém diria, não é?!
Mas os animais conseguem surpreender-nos bastante, com a sua capacidade de habituação e reconhecimento pelo bem que lhes é feito.




sábado, 5 de abril de 2008

Notas Soltas - 116



Mal vão os tempos, quando o Homem perdeu todo o respeito para com o meio ambiente e os restantes seres vivos...

E, mais cedo ou mais tarde, todos nós teremos que pagar por esses danos.





- Ninushka: 4 meses e 16 dias depois -


Desde 4ª feira passada, encontrou novo poiso... e passou a comer junto das outras 'nininhas.
Ainda tem algum receio, quando faço inadvertidamente um gesto mais repentino... mas caminhamos no bom sentido!



Breve nota higiénica (para os mais susceptíveis com estas coisas): - a almofada não assenta directamente em cima do microondas, encontrando-se este protegido com uma cobertura plástica, que todas as noites é devidamente limpa.





- À espera de vez... -



Misha (a comer) e Mikado (atrás)... este final de tarde.




terça-feira, 11 de março de 2008

Estórias com Gatos - X



Num quintal não muito longe vivia um casal de idosos, que alimentava esta colónia de felinos, tendo mesmo construído um pequeno abrigo em madeira para se protegerem.
O senhor faleceu há cerca de 3 meses. Tendo, passado um mês, a sua esposa, a senhora que se pintava muito e gostava de andar sempre bem arranjada, sido encontrada morta de desgosto em casa pelo filho.
Dois dos gatos que alimentavam e protegiam no seu quintal, têm sido vistos, à noite, a deambularem lá longe, no outro extremo dos quintais daquela rua.





Mais tarde, através das deambulações felinas pelos quintais das traseiras, apercebeu-se que, afinal, o falecido casal não protegia esta colónia, mas sim dois gatos malhados: um macho branco e tigrado e uma fêmea preta e branca.

Na rua principal, no passeio à frente da entrada do prédio, começaram a aparecer velharias depositadas perto do caixote do lixo. Peças do passado de alguém que vivera naquela casa, do qual os herdeiros se iam aos poucos desfazendo.
Durante quase uma semana, no passeio daquele prédio ali mesmo ao lado, apareciam papéis amarelecidos pelo tempo, onde dantes alguém fizera contas, escrevera com uma letra muito certinha e arredondada, imagens de santos… pisadas pelas gentes que passavam.

E, nos quintais das traseiras, um gato tigrado e branco começou a aparecer todas as noites, miando como que num choro contínuo de quem chama por alguém.


21h30…
Enquanto estendo na janela do quarto a roupa que acabara de centrifugar, acende-se uma luz no quintal do prédio vizinho.
Dª. L. aparece no quintal com a sua cadela Tucha e o marido.
- “Menina” – sussurra, chamando-me. - “Oh m’nina!...”
A cadela Tucha, gorda e anafada com a sua permanente encaracolada, desata num berreiro tremendo a ladrar.
- “Rai’s parta a cadela, que não nos deixa sequer conversar! Leva-a lá para dentro, vá!” – diz a Dª. L. ao seu marido, que, prontamente, leva a cadela para dentro de casa.
No seu quintal (2 quintais ao lado do meu prédio), Dª. L. retoma a conversa:
- “Oh menina, de que cor era o gato a que dava comida?”
Por momentos, sinto uma sensação de déjà vu e começo a ponderar seriamente a hipótese de deixar de estender roupa à janela.
Respondo-lhe que era preta e amarelada, como já lhe dissera da primeira vez que mo perguntara, aproveitando para frisar bem o género feminino.
- “Preto e amarelo? Ah! É porque eu acho que ele voltou a aparecer!”
Respondo que nunca mais a vira, pensando na minha Ninushka, ferrada a dormir debaixo da cama.
- "Ah, pois... então não era. Porque o gato que vi aí era branco e cinzento."
Explico-lhe que, há já algumas semanas, que esse gato me aparecia debaixo da janela e lhe costumava dar alguma comida; pois, segundo me haviam dito, aquele era um dos gatos protegidos pela senhora que havia falecido recentemente.
Nesse ponto, a conversa diverge e Dª. L. informa-me que a senhora que tinha falecido morava não na nossa rua, mas sim na rua paralela à nossa (informação que, até à data, não confirmo, já que tenho 2 vizinhas a dizerem-me precisamente o contrário); e que, para além do gato cinzento e branco, tinha também um gato do "tipo persa, muito gordo", segundo as suas próprias palavras.
A conversa termina com a Dª. L. a informar-me que ia lavar o saco de plástico onde costuma dar comida a uma das outras colónias, que vive do lado do seu quintal.





Entretanto, fiquei sem perceber quem falecera efectivamente... ou se, no fundo, não haviam já falecido duas protectoras distintas de gatos daqueles quintais...
Já que, nas últimas semanas, me têm aparecido a pedir comida 3 gatos diferentes: uma gata preta e branca, o Mikado (gato tigrado e branco) e o Misha.

Teoria do eterno retorno? Acontecimentos que se repetem? Ou lei do Karma?





"Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência (...)"

Fredrich Nietzsche, in "Gaia Ciência" (1882).





quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Notas Soltas - CVII

... depois, a Ninushka já anda menos receosa e não foge a correr quando nos vê aproximar-se ou entrar de repente na divisão em que ela se encontre.
Fez novas amigas e adora passar as manhãs deitada em cima da máquina de lavar roupa a observar os quintais.
Já se aproxima mais de mim quando lhe vou dar comida e, curiosamente, para uma gata que sempre viveu na rua - e sempre comeu qualquer tipo de ração que lhe dei -, passou a ter hábitos de madame (já que torce o focinho a qualquer outra ração que não seja "Eukanuba Senior").

Ainda não é o ideal... mas para lá caminhamos!






- "Cortes" - 2 em 1 (XX e XXI) -


O 2º "Corte" sem vídeo, por não o ter encontrado no You Tube.




Cenas finais de "La Vie Rêvée des Anges", de Erick Zonca (1998).



Porque o quotidiano, por vezes, cansa e nos começa a pesar demasiado...
"Les gens normaux n'ont rien d'exceptionnel"!...




sábado, 9 de fevereiro de 2008

Notas Soltas - CV



- Fábrica de Braço de Prata -


Uma casa imensa...




Deambulamos pelos seus corredores labirínticos, onde o pé direito quase nos faz perder os sentidos, ganhando em contemplação por elementos arquitectónicos que se prestam a inúmeras fotografias (e nos deixam como que num estado de suave encantamento).
E, à medida que avançamos, a casa revela-se-nos surpreendentemente em cada um dos seus cantos mais escondidos. Por detrás de cada porta descobrimos uma surpresa, como num jogo para crianças: uma exposição, uma livraria, um bar, um restaurante, um jogo de Mahjong, uma sala de concertos... e muito, muito mais.
Uma casa imensa... onde tudo pode acontecer e nos sentimos como que de visita a amigos.

A Livraria Ler Devagar e a Livraria Eterno Retorno (outrora no Bairro Alto) juntaram-se ambas aqui, num projecto conjunto, que transformou esta antiga fábrica de material de guerra num verdadeiro espaço cultural.

Mais tarde, viria a descobrir que as histórias que ouvia em criança, a propósito do primeiro emprego que o meu avô tivera aos 18 anos, tiveram lugar nesta mesma fábrica, na Oficina de Electricidade, onde recebeu formação dos ingleses.
Depois de me escutar, o meu avô confessa-me querer ali regressar, para ver naquilo em que o passado se transformou...







- Dia 82 -


A manta tinha ido para lavar. Nova manta colocada na cama da Ninushka, debaixo da minha própria cama. Como sempre, a Ninushka não se deita logo na nova manta, uma vez que não possui o seu cheiro (instinto territorial felino).
A Dulcineia aproveita a manta livre para se aninhar a dormir. Ainda a tento retirar de lá em vão, observada pela Ninushka, sentada ao canto da cama, completamente afastada da manta.

Quando regresso a casa, deparo-me com esta cena de aproximação...



quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Com papas e bolos...




22h…
Algumas janelas dos prédios das traseiras ainda têm as luzes acesas, o resto evade-se na penumbra da noite.
Retiro a roupa já seca estendida no varão da janela do quarto. No quintal do prédio ao lado, acende-se uma luz e aparece a Dª. L.

- “Oh menina, menina… o gato nunca mais apareceu!”

O gato a que se refere é, nada mais nada menos, do que a Ninushka, a qual já lhe dissera (das inúmeras vezes que me via à janela a dar-lhe comida e tentava meter conversa comigo) tratar-se de uma gata e não de um gato.

- “Pois não.” – respondo laconicamente. – “Há mais de um mês que não a voltei a ver.”

- “Se calhar está para aí morto em qualquer lado.” – retorque-me a Dª. L., num tom meio paranóico e abstendo-se de qualquer tipo de sentimento - "De que cor era ele?"

- "Preto e amarelo" - respondo, lembrando-me, por breves momentos, das inúmeras vezes que as minhas gatas se põem à janela da cozinha, que fica bem próxima do campo de alcance visual da janela da Dª. L.

Ela não desarma e continua o interrogatório...

- "Até já tinha perguntado aí à Dª. L. [a minha vizinha de baixo que, curiosamente, tem o mesmo nome que a senhora que comigo falava] o que se passava."

- “Pois…” – insinuo um lamento, que me sai num tom profundamente irritado. Para depois lhe acrescentar…

- “Então e a senhora já não tem aí o seu toldo?” - referindo-me a um toldo branco de dimensões enormes, que lhe cobria toda a parte superior do quintal, impedindo a vizinhança de praticar atitude semelhantes às que a própria Dª. L. costuma ter, quando se coloca toda esticada na sua janela de R/c a verificar o que se passa nas janelas dos vizinhos.

- “Não. Rompeu-se e ficou estragado.”

Em jeito de conclusão, resta dizer que, na véspera, enquanto fumava um cigarro à janela da cozinha, vislumbrara um jovem gato desta colónia dos quintais a passear-se entusiasmado por cima do toldo da Dª. L...
O que me deu uma certa vontade de rir, quando esta noite lhe perguntei pelo seu toldo.








Cena do Quotidano da priminha**

** Ainda montamos uma cadeia de fabrico de Cenas Triviais do Quotidano.





sábado, 26 de janeiro de 2008

Língua-de-Gata


Há uma semana que a Ninushka deixou de se pôr a miar para a janela, e começou a andar mais tempo com a língua assim de fora.
Será mimo?





domingo, 13 de janeiro de 2008

Em cima da cama


Ninushka deitada em cima da cama, observa a chuva que teimosamente continua a cair.







terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Vestígios de Natal - II



Naquele ano, a árvore de Natal era minimalista e, apenas, fora colocada a escassos dias da Consoada.
Mais um ano passara a correr e o espírito natalício era escasso. Mas o jantar fora preparado com muito carinho e todos se divertiram por estarem juntos.

Na véspera de Natal, conseguira, finalmente, aproximar-se mais um pouco, em busca de uma boa fotografia e de alguma confiança...



quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Ninushka... 1 mês depois



Durante 2 anos, todas as manhãs e finais de tarde, religiosamente, lhe dei comida através da janela do meu quarto.

Em determinada altura, até pensei em a apanhar. Mas cedo acabei por esquecer essa ideia, dado que me sentia muito mal ao pensar que iria enclausurar um animal que sempre vivera em liberdade.

O tempo foi passando e acabámos por nos "domesticar" uma à outra!...

Até que, este Verão, descobri, através da Clínica Veterinária que a Ninushka fora a primeira gata dos quintais que eles haviam esterilizado, quando há 11 anos atrás se tinham instalado naquela rua.

A partir desse momento, ao saber que a minha gata "adoptiva" deveria ter uns bons 12 ou 13 anos (idade muito rara de alcançar num gato de rua), não me saía da cabeça que o Inverno rapidamente se aproximava e que eu própria não conseguiria suportar o dia em que a Ninushka deixasse de aparecer por debaixo da minha janela, para comer.
E dessa forma um pouco egoísta, comecei a delinear um plano para a tentar apanhar... para que, se algum dia, lhe acontecesse alguma coisa e deixasse de aparecer, a minha forte imaginação não a soubesse moribundo num dos quintais da vizinhança.

E foram se passando mais de 3 meses, desde que, em Agosto, iniciei as tentativas de apanhar a Ninushka...
E sucederam-se uma infinidade de estratagemas, que envolviam a utilização de uma transportadora lançada através de um mecanismo de fios pela janela, a uma altura de cerca de 2 metros...
Logo na primeira vez, a Ninushka entrou dentro da transportadora, para comer a ração que lhe costumava dar. O problema é que ela nunca entrava completamente, ficando sempre com parte do corpo do lado de fora. E, não a querendo magoar, as tentativas iam-se seguindo umas atrás das outras, num processo interminável.

As poucas pessoas que sabiam das minhas intenções, por momentos, devem ter-me considerado verdadeiramente louca ensandecida.
E a verdade é que, conforme as tentativas se iam sucedendo infrutíferas e o Outono se avizinhava, eu própria começava a desesperar com tamanha frustração (sem nunca porém, perder a esperança).

Até que à 19ª tentativa...



1 mês com a Ninushka em casa



Dia 0 - 20/11/07
Depois de 18 tentativas (desde Agosto/07), às 6h30 desta manhã, consegui
finalmente apanhar a Ninushka.
Quando a vi completamente dentro da transportadora a comer (devido, sobretudo, ao facto de ter começado a chover), nem pensei duas vezes e puxei o cordão do saco que a envolvia e puxei para cima.
Quando pousei a transportadora em cima da cama, para fechar a janela, a Ninushka saiu logo lá de dentro e atirou-se contra parede para tentar fugir.
Por fim, meio assustada, escondeu-se debaixo da minha cama. Saí para o emprego com o coração nas mãos, só de pensar que a gata ali fechada no quarto pudesse atirar-se contra a janela e tentar fugir.
À noite, quando regressei, verifiquei que tinha andado em cima da minha cama (pelas marcas das suas patinhas no edredão) e que tinha utilizado o areão (o que é curioso, para uma gata que, durante 12 anos, apenas viveu na rua).
À noite, quando me deitei, fez um barulho estranho a respirar, que parecia quase um ronronar.





Dia 1
– 21/11/07
Durante o dia, a Ninushka deve ter dormido em cima da cama, no casaco de malha que uso para andar por casa.
Depois de lhe ter dado comida, à noite, deve ter-se posto a brincar com a ficha do leitor de CD de parede, porque conseguiu pô-lo a tocar sozinho.
Decidi abrir a porta do quarto, para que ela ficasse com mais espaço onde andar (corredor e casa-de-banho).
À noite, miou uma vez, quando me fui deitar.





Dia 2 – 22/11/07
Acordei de madrugada com a Ninushka a miar. Falei com ela e parou de miar.
À tarde, quando voltei do emprego e lhe dei de comer, aproximei a minha mão, para ela a cheirar… não teve medo, nem sequer se afastou.
A manta que lhe pus debaixo da cama (para se deitar e ficar mais quente) estava toda babada e os brinquedos escondidos.


Dia 3 – 23/11/07
De madrugada, acordei com Ninushka a miar em cima da borda da cama, a olhar para a janela.
A Miyuki miava fora do quarto (irritada por ver a porta fechada) e lá de dentro a Ninushka respondia-lhe ao miado.
À noite, quando cheguei a casa, decidi abrir as portas todas, deixando-as andar à vontade, para se sociabilizarem.





Dia 4 – 24/11/07
De madrugada, a Ninushka atirou-se contra os estores da janela da cozinha. Parece ter dois tipos de miados, bem distintos: um que se assemelha a medo ou dor, quando se põe a olhar para as janelas e se recorda de ter vivido na rua; e outro que parece ser de chamamento, como o que me fazia quando lhe dava a comida pela janela.
Depois de almoço, fui encontrá-la na
janela da casa-de-banho, a olhar para os quintais. Quando me viu, escondeu-se atrás da sanita e depois passou por mim para o quarto, mas já sem correr com medo.
À noite, liguei no quarto o
aquecimento novo que comprara, e debaixo da cama, a Ninushka ronronava toda deliciada.


Dia 5 – 25/11/07
Quando aspirei debaixo da cama, a Ninushka não demonstrou nenhum medo e deixou-se ficar impávida e serena.
Já se deita enrolada sobre ela própria, parecendo estar mais à vontade.
Saiu debaixo da cama e pôs-se a miar, olhando para o aquecimento, parecendo estar a chamá-lo.


Dia 6 – 26/11/07
Ninushka passou a noite quase toda a miar e andou por cima dos vasos das
estantes da janela da cozinha. Quando a chamava e falava com ela parecia acalmar mais.
De manhã miou, parecendo andar à minha procura.
À noite, quando estava ao computador no escritório, pôs-se à porta do meu quarto a olhar e a miar-me.


Dia 7 – 27/11/07
À noite, quando a Ninushka me viu no escritório, pôs-se novamente a olhar para mim e a miar-me do quarto.
Conseguiu abrir um bocado da janela da cozinha. Tenho que arranjar um esquema, para ter sempre um pouco da janela aberta, sem que ela a empurre mais para sair.
De madrugada continuou a miar na cozinha e, quando acordei, os estores estavam todos desacertados e uma das lâminas partida.


Dia 8 – 28/11/07
A Ninushka ficou um pouco rouca de tanto miar.
Esta manhã foi ter comigo à cozinha, enquanto eu tomava pequeno-almoço.
À noite estava deitada debaixo da cama, na sua mantinha, com a língua de fora, cheia de mimo ao quentinho.





Dia 9 – 29/11/07
Ninushka parece estar mais calma. Mas de madrugada ainda acordei com ela na cozinha, a miar muito triste, olhando para a janela.


Dia 12 – 02/12/07
Quando nos deitámos, a Ninushka miou de uma forma estranha, parecendo um ruído semelhante ao de um vómito.
De madrugada, estava na cozinha à janela e assustou-se quando H. lá foi beber água. Atirou-se contra a janela, tentando fugir e depois escondeu-se atrás da máquina de lavar roupa. Às 2h da manhã, andávamos nós a arredar a máquina, para a retirar de lá. Toquei-lhe pela primeira vez.


Dia 16 – 06/12/07
Às 3h da manhã, fui dar com a Ninushka em cima dos altíssimos armários da cozinha, a inspeccionar o terreno. Ainda estou para conseguir perceber como é que uma gata de 12 anos tem agilidade suficiente para conseguir dar um salto tão alto!...





Dia 18 – 08/12/07
Apesar de mais calma, a Ninushka continua a pôr-se à janela (já com luz da cozinha acesa, e sem ser de madrugada), a miar, parecendo muito triste. De manhã, quando levanto os estores do quarto, também, se põe toda esticada a olhar lá para fora. Começo a ter dúvidas sobre se fiz bem em a apanhar e meter dentro de uma casa, onde nunca viveu!...


Dia 22 – 12/12/07
Das minhas gatas a Ninushka não parece ter nenhum medo, deixando-as ir comer à sua tacinha (excepto a Miyuki, a quem rosna). Comigo ainda parece ter algum receio, apesar de já reagir ao som da minha voz e de me cheirar a mão, quando a aproximo dela.
No entanto, esta manhã, enquanto me arranjava na casa-de-banho, a Ninushka pôs-se aos pés da cama a olhar para mim e a miar, como se me estivesse chamar.


Dia 23 – 13/12/07
A Ninushka parece estar muito mais calma, nos últimos dias. Já não mia de manhã com ar triste, nem vai pôr-se à janela.


Dia 25 – 15/12/07
De manhã, acordei com Ninushka à cabeceira da cama, a miar-me para lhe dar comida.


Dia 29 – 19/12/07
Esta tarde, Ninushka saiu debaixo da cama, para se pôr em frente ao aquecimento, como tem feito nas últimas semanas.
Deixou-me aproximar um pouco mais para lhe tirar uma fotografia.








Apesar deste estar a ser um "trabalho" duma paciência infinita, actualmente, não estou arrependida!...

Sei que, se não tivesse conseguido apanhar a Ninushka naquele preciso momento, muito provavelmente, com o frio e chuva que têm estado, hoje, ela já não estaria viva.





terça-feira, 20 de novembro de 2007

19ª tentativa



Durante cerca de 2 anos, vivemos assim.

Depois de 18 tentativas, o que nos espera agora?





sábado, 15 de setembro de 2007

2 anos...



... depois, a Ninushka continua a aparecer.


quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Notas Soltas - LXXVIII




- Às "Quintas" na Bobadela!... - XIV -


Depois de um interregno mais longo do que o esperado, hoje regressei aqui.

Apesar das obras ainda não se encontrarem totalmente terminadas, foi bom ver que a vida continua a avançar de uma forma veloz.
E o que em Maio era assim, hoje...



O bordeaux continua a imperar...




E o gato da Dª. H. (ou melhor, o gato a quem esta senhora dava comida, porque, na verdade, o animal vive na rua) continua a ser pontual a aparecer, apesar da senhora estar de baixa... e de a ele lhe terem dado um ultimato, quanto à entrada nas instalações.



Nada mudou na Bobadela!...





- A Morte do Íman -



Já não tinha uma parte do seu carrapito. E hoje foi o golpe final da Zazie, que com ela queria brincar... e colocou as suas patinhas no frigorífico, apesar de ser interdito!

Resta-me a consolação de saber que, enquanto foi viva, habitou uma casa feliz, animada e com muitos amiguinhos de outros países!





- Por falar em Zazie... -



... parece que a minha menina de interior e a do exterior se tornaram amigas!!
A Ninushka passou este final de tarde debaixo da janela do meu quarto a olhar, curiosa, para a Zazie (e vice versa).



domingo, 29 de julho de 2007

Notas Soltas - LXXV



- Se este calor continua... -


... juro que, também, eu me ponho de papo para o ar deitada em casa, para ver se me passam estas arritmias e a falta de ar!!







- Estórias com Gatos - II -


Reis & Damas





São cerca de uma dezena e vivem juntos numa casa apalaçada. Têm as mordomias de uma criada ao domicílio, que todos os dias, zelosamente, lhes prepara iguarias especiais. E passam os seus dias ao fresco no imenso jardim de árvores e arbustos exóticos, que circunda a sua habitação.

São reis e damas, de preto e branco vestidos, que, como num jogo de xadrez, persistem em deambular pelas memórias ancestrais de uma casa prestes a cair em esquecimento.






- Sugestão do Sítio do Costume -


De início era para ser um passeio junto ao verde de um jardim de Lisboa. Mas, com o dia de calor que se fez sentir ontem, acabámos por passar a tarde enfiados num centro comercial (com o louvado ar condicionado!), a ver o tão aguardado filme...



A não perder... é de chorar a rir!...