"Où donc est ma patrie ? Ma patrie est là où je suis, où personne ne me dérange, où personne ne me demande qui je suis, d’où je viens et ce que je fais."
42º à sombra em Barrancos, onde nos deslocámos bem cedo esta manhã, juntamente com mais de 50 requerentes de asilo e refugiados, para participar na conferência "Refugiados de Ontem, Refugiados de Hoje".
"Em Setembro de 1936 são ocupadas, pelas forças do General Franco, as ultimas povoações republicanas que confinam com a fronteira portuguesa de Barrancos. Tal como na Andaluzia, a violência e o terror invade a Estremadura espanhola. Em Portugal, o apoio de Salazar ao golpe militar marcou desde o primeiro momento a sua política, fundamental à consolidação do regime. As ordens emitidas sobre o destino dos refugiados republicanos são dúbias, por isso compete aos homens no terreno interpretá-las e cumpri-las segundo os seus princípios, profissionais e humanos.
Encurralados entre o fogo das forças nacionalistas e a fronteira portuguesa de Barrancos centenas de republicanos decidem passar linha de fronteira, sem a garantia de serem recebidos como refugiados políticos. Para o efeito foi improvisado um “campo de concentração” na herdade da Coitadinha, com conhecimento de Salazar. Quando até então o procedimento das autoridades portuguesas tinha sido a entrega aos golpistas, marcando para sempre a memória colectiva sobre os fuzilamentos sumários.
A intervenção dos militares portugueses em Barrancos marcou a diferença entre a vida e a morte de 1.020 refugiados, repatriados pelo Governo português para a zona republicana de Tarragona. Resultando num acontecimento singular, que assinala a acção humanitária de homens como o tenente Seixas, posteriormente penalizado por ter ocultado a existência do campo da herdade das Russianas, onde concentrou três centenas de refugiados à revelia do poder central.
Por outro lado, a guerra civil de Espanha também reactivou as relações entre os barranquenhos e os vizinhos espanhóis, escondendo e protegendo refugiados até ao final do conflito. Hoje, ainda aqui permanecem os descendentes e as memórias desse tempo silenciado."
Mais informações sobre o excelente documentário "Los Refugiados de Barrancos", a ler aqui.
Palavras escritas de vários pontos do mundo, deixadas no Livro de Visitas do Posto de Turismo de Barrancos.
Os "refugiados de hoje", que continuam a chegar a Portugal, não são muito diferentes desses refugiados do Passado. Também eles, ao lutarem pela sua sobrevivência, se viram obrigados a abandonar o seu país, os seus bens e, em muitos casos, as suas famílias.
Aqui chegam, na maioria das vezes, sem saberem sequer o destino para onde iam. Não falam a nossa língua, os seus hábitos e cultura são muito diferentes dos nossos. E sentem-se completamente perdidos, como se fizessem parte de uma terra de ninguém! Mas o que os move é um desejo imenso de segurança, num país ao qual possam voltar a chamar a sua Casa.
Os refugiados experimentaram a dor física e psicológica e, durante a fuga, perderam as suas raízes e a própria identidade.
É nessa reestruturação e reafirmação da sua identidade no novo país de acolhimento, através de um constante processo de troca e aprendizagem comum, num local onde as fronteiras físicas deixaram de fazer sentido, que se encontra, precisamente, a riqueza dos dias do nosso trabalho!
E não foram as minhas persistentes arritmias e quebras de tensão (provocadas por este meu mau-estar com o calor - no Alentejo profundo e interior este clima pode tornar-se um verdadeiro inferno, para quem a ele não está habituado!), assim como a questão dos "touros de morte" (com a qual não posso, de modo algum, concordar sequer!), esta viagem foi um sucesso!
Às "Quintas" na Bobadela, passou, há alguns meses atrás, a ser às sextas, derivado de um novo projecto de dinamização da Biblioteca/Mediateca e do acompanhamento a efectuar a uma nova estagiária.
Esta manhã, tivemos a primeira sessão de Hora do Conto, com a presença de 21 crianças de 6 anos, da Escola EB1 da Bobadela (uma das quais havia já sido residente do CAR, juntamente com a sua família; e uma outra de origem estrangeira, cjua mãe aí trabalha).
Inserido no programa de contos tradicionais desta turma, foi ouvida uma estória da República Democrática do Congo, recolhida junto de um dos requerentes de asilo.
Em seguida, numa espécie de oficina improvisada, as crianças puderam dar asas à sua imaginação, concebendo em ráfia um pequeno macaco - protagonista do conto que lhes havia sido contado.
Antes de se irem embora, como a curiosidade era muita, a pedido de uma das professoras, puderam ainda visitar o quarto onde o seu colega esteve alojado com a família.
De regresso à Biblioteca, a pequena C. e o K. - alojados no Centro -, que também acompanharam esta Sessão (apesar de não saberem ainda falar português), divertiram-se sozinhos com os apetrechos utilizados para a mesma.
Chegou hoje ao fim o evento que marca o encerramento de um projecto financiado pela Comissão Europeia onde trabalhei durante 4 anos... com as apresentações finais.
Em tempos de crise, os discursos de abertura e encerramento deste evento, aludem à importância da inovação social (apreendida através destes mesmos projectos financiados, em que tantos de entre nós trabalhámos) como factor de mudança e de melhoria de vida. A ver vamos!...
Por vezes, na agitação do quotidiano, acabamos por "esquecer" os reais motivos pelos quais continuamos a trabalhar nesta área...
E é ao final da noite, ao conversar com uma pessoa que aqui chegou apenas há um mês, que veio de longe, trazendo espelhados no rosto toda a tristeza e sofrimento pelos quais teve que passar... E ao vermos como o seu semblante se iluminou nesta noite tão especial, como não consegue mais esconder um sorriso e nos diz "Tout est beaux ici! Nous sommes tous ensemble, comme une famille!"... Que, com um gesto simples e espontâneo, somos relembradas da importância do nosso trabalho.
Há dias felizes e em que tudo parece valer a pena!...
Enquanto continuarmos a viver nos nossos pequenos mundozinhos, fechando os olhos ao que tantos outros sofrem diariamente, políticas como a "Directiva do Retorno" (nova legislação comunitária contra a imigração ilegal) continuarão a ser aprovadas... impedindo a (verdadeira) livre circulação da grande maioria das pessoas e constituindo um verdadeiro atentado aos direitos humanos!
... Quando, depois de termos passado o dia a preparar o deste ano, todos ficam alegremente a olhar o resultado do nosso trabalho, procurando por entre a miscelânea colorida a frase na sua própria língua materna!
Um evento que deveria ter sido muito melhor divulgado na comunicação social, de modo a que o público em geral se pudesse familiarizar com o que são os Objectivos do Milénio, o Comércio Justo e a Cooperação (conceitos de extrema importância num mundo actual, cada vez mais individualista)!
Assim, acabou por ser, apenas, mais um evento dirigido directamente às ONG's. Com uma adesão tão fraca por parte do público que, a dada altura, apenas os técnicos das diversas ONG's presentes visitavam mutuamente os stands uns dos outros, vendo o trabalho que cada um deles tem desenvolvido.
Juntos podemos!...
A repensar futuramente o alcance deste tipo de eventos.
Na passada 4ª feira, em dia de montagem do nosso stand n' "Os Dias do Desenvolvimento", descobrimos este simpático, acolhedor e muito fashion restaurante.
Na Rua da Junqueira, mesmo em frente à Administração do Porto de Lisboa, por entre o metalizado dos novos edifícios, sobressai o verde-lima do restaurante "Kai Junqueira".
De dia funciona como restaurante, com uma muito caseira e boa comidinha (a 6,90€ o menú); e ao final da tarde/noite, segundo percebi, como ponto de encontro/lounge.
Um espaço muito simpático e bonito, que vale a pena conhecer!...
Fomos ontem à noite, por volta da hora de jantar, conhecer o novo Museu do Oriente (pertença da Fundação com o mesmo nome), localizado no espaço dos antigos Armazéns Frigoríficos do Porto de Lisboa.
Este edifício recuperado numa linha arquitectónica moderna e muito minimalista, passou agora a receber nos seus 5 pisos a abrangente colecção que a Fundação Oriente foi construindo ao longo dos anos de existência; transformando-se, por outro lado, num verdadeiro centro cultural que terá uma programação variada, com espaço para o cinema, música, dança, teatro e exposições, sempre dedicadas à Ásia.
A "Festa do Oriente", marcada para celebrar a inauguração do museu, incluía uma série de actividades, concertos, cinema e teatro de sombras, de entrada gratuita. Infelizmente, como já chegámos tarde, todas essas actividades ("Oficinas") estavam já fechadas, devido ao número limitado de participantes (por ordem de chegada) que cada uma delas podia receber. Aproveitámos, assim, para ver com bastante interesse as infindáveis exposições que se distribuêm por 3 dos seus pisos: "Máscaras da Ásia", "Presença portuguesa no Oriente" e "Deuses da Ásia".
Tivemos pena de não ver in loco (somente atrás dos vidros da sala) a cerimónia do chá japonês, nem tão pouco consultar a leitura do zodíaco chinês (limitada a 14 pessoas, imagine-se! Quando a afluência era tanta!) ou pintar as mãos com hena... mas valeu a pena conhecer este novo espaço cultural que nasce na cidade! E sempre trouxemos para casa os nossos nomes escritos em caligrafia chinesa! "Xie xie"!
A. fez hoje 29 anos. Apesar das rugas e feições denotarem um homem envelhecido por uma vida com algum sofrimento, A. tem o espírito de uma criança: maravilha-se com tudo o que é novo, questiona-nos de uma forma singela e inocente sobre aquilo que não conhece, adora cantar... e sorri espontaneamente, com o sorriso brilhante de uma criança de 6 anos.
A. chegou há quase 7 meses de Caxemira. No Centro é conhecido, carinhosamente, por todos como o "Kashmir".
A. fez hoje 29 anos, apesar de com o seu jeito natural quase parecer uma criança. E, desde a hora de almoço, embrenhou-se na intrincada preparação de um lanche composto por chamuças, fritos e um doce da sua terra natal. As estagiárias ajudaram. E, no final da tarde, todos nos regalámos, num alegre convívio.
A. fazia anos e passou o dia a trabalhar, para que todos os seus "amigos" daquele espaço pudessem partilhar (também) a sua alegria.