- Os gatos não pertencem às pessoas... Eles pertencem aos lugares -A casa ficou pronta, aguardando a chegada de novos habitantes que a preencham com vida.

Sentada no parapeito da marquise, na janela que ficou entreaberta por esquecimento,
Luana mira o pequeno terraço vazio. Depois salta para o interior da marquise e desaparece do meu campo de visão.
Misha e
Luana continuam a habitar o pequeno terraço que pertencera a Dª. Luísa, como se ela ainda fosse viva.
"Os gatos não pertencem às pessoas. Eles pertencem aos lugares." - Wright Morris
Esta manhã,
Misha e Luana, depois de comerem, ficaram paradas por debaixo da minha janela do quarto mais tempo do que o habitual (depois de saciadas, normalmente, costumam retornar ao terraço onde sempre viveram): pareciam olhar algo ao longe ou, talvez, apenas ansiassem por um abrigo seguro, como o que outrora possuíram.
- Ela vem cá... - ... e eu não tenho dinheiro para
a ir ouvir!
- O Fosso -Almoço com 3 estagiárias de 21 e 22 anos.
A meio da amena conversa, aperceber-me que sou a única que sabe o que é um
Capri-Sonne... enquanto elas me olham incrédulas.
Por momentos, recordo aquele famoso e-mail que andou a circular na internet há algum tempo atrás, onde se falava das infâncias vividas nos anos 80... e uma imensa nostalgia, entremeada com uma ligeira depressão sobrepõem-se em mim.
Mesmo quando nas lojas (ou os vizinhos lá do prédio) nos teimam em apelidar de
"menina", e, por vezes, até nos dizem que parecemos ter 24 anos...
Não há nada que enganar: 10 anos de diferença é um fosso colossal nos contextos e vivências diárias (uma década)...
E sentimo-nos velhas, quando alguém não sabe do que se trata um
Capri-Sonne.