... e para o menino controlar os seus acessos de
- O Ataque dos Jornais Gratuitos -
Diariamente, nas mais diferentes situações, somos constantemente "atacados" com publicidade ou folhetos que não nos interessam para nada... mas que, por um motivo ou por outro, acabamos por aceitar, antes de os atirar para o primeiro caixote do lixo por onde passamos (ou os deixar espalhados no meio do chão ou nos assentos do metropolitano).
Telheiras, 9h.
Há já quase uma semana que, para acedermos à entrada do metropolitano, temos que conseguir ultrapassar e desenvencilharmo-nos de 3 senhoras que laboriosa e insistentemente, no cimo do jardim, nos tentam impingir os chamados "
jornais gratuitos".
A primeira a aparecer, já lá vão quase 4 anos, foi a sessentona do
"Destak". Uma loura oxigenada na reforma, que consegue cativar a grande maioria dos que por ali passam a caminho do emprego.
Durante estes 4 longos anos, tenho conseguido sempre evitá-la, respondendo-lhe apenas com um
"Não, muito obrigada", quando diariamente estica o jornal à minha frente, tentando passá-lo para as minhas mãos.
No entanto, devo confessar que nutro uma enorme admiração pelo trabalho desta mulher e o afinco com que o elabora: a forma como convincentemente grita
"É o Destak!"; a indumentária que todos os dias ostenta (t-shirt e boné vermelhos com menção ao nome do jornal... o que numa senhora de 60 anos quase parece meio ridículo - e me leva, quase sempre, a pensar nas necessidades que uma mulher daquela idade não passará, para se ter que sujeitar a um trabalho daqueles); o charme e brejeirice populares com que todos os dias mete conversa com quem passa, acabando por impôr uma "relação" omnipresente a todos os que aceitam aquele jornal. Um verdadeiro caso de sucesso naquilo que faz, esta mulher!
Não fôra o facto de eu própria poder ser considerada como o seu único caso de insucesso... já que nunca lhe aceitei nenhum jornal.
Há cerca de 3 meses, apareceu o
"Meia Hora" que, segundo a jovem que o distribui em Telheiras ao lado da sessentona,
"É o primo do Destak!"... uma vez que até pertencem ambos ao mesmo grupo mediático. Supostamente, este
"Meia Hora" pretende ser algo mais do que o seu primo
"Destak" (daí poder ler-se em 30 minutos), e, simultaneamente, competir com outros jornais diários nacionais (
"Diário de Notícias" e
"Público")... apesar de se tratar de um "gratuito".
Mais recentemente, apareceu (ainda) o
"Global Notícias"...
O que fez com que a amigável coexistência que exstia até à data em Telheiras, à entrada do metropolitano, se reconfigurasse por completo!
A sessentona do
"Destak" passou a tomar a dianteira das operações, encontrando-se agora posicionada quase à saída da paragem de autocarros existente a alguns quilómetros da entrada do metropolitano. Quando um autocarro pára e os passageiros se começam a dirigir para a rampa que desce o jardim (dando acesso ao metropolitano), para além dos
"Bons Dias... É o Destak!", a sessentona vocifera palavras de ordem para a sua colega mais jovem do primo
"Meia Hora".
Posicionada no local outrora ocupado pela sessentona do
"Destak", a sua colega do
"Meia Hora" acotovela a recém chegada jovem do
"Global Notícias" (que, apenas, sorri), tentando conquistar posição entre os transeuntes.
Apesar da feroz guerra que se tem vivido à entrada da estação de metropolitano de Telheiras, no final, olho à minha volta e apercebo-me que todos os indivíduos levam pelo menos 3 jornais nas mãos... havendo alguns que ainda sentem vontade de, já dentro da estação, irem buscar o
"Metro" (que não possui distribuidor humano, mas consegue alcançar alguma supremacia face aos seus congéneres, devido a possuir uma banca dentro das instalações do meio de transporte que lhe dá o nome).
Em 2002, quando vivi em Paris, França assistia incrédula às primeiras
guerras entre os jornais gratuitos, as quais encontravam o seu campo de batalha nas ruas, onde os seus distribuidores se enfrentavam e agrediam fisicamente.
Nunca esperei chegar a assistir a tal espectáculo em Portugal, país de brandos costumes e de povo que "não está para se chatear com nada"... sobretudo, devido a jornais gratuitos que trazem a informação do dia sistematizada bem ao estilo
"fast food", ou seja, lê-se rápido (no tempo de uma viagem de metro), fica-se com uma ligeira ideia, mas, no essencial, o leitor não tem margem de manobra ou pensamento crítico sobre aquilo que acabou de ler.
Dirão, provavelmente, os defensores deste tipo de jornais que os mesmos são gratuitos e, logo, não se poderá esperar muito mais... que a vida actual é demasiado stressante e há pouco tempo para se ler em condições um jornal normal... que este tipo de jornais poderá mesmo vir a cultivar o gosto pela leitura na população portuguesa.
Digo eu, então (e de uma forma jocosa), que talvez seja por todos esses motivs que, existindo 4 jornais gratuitos diferentes, a maioria das pessoas os lê a todos (e não escolhe apenas um), para ficarem com uma ideia mais abrangente sobre a informação do dia (já que é sistematizada de uma forma tão concisa em todos eles, ter-se-á que fazer o apanhado geral do puzzle dos 4 jornais). No que diz respeito ao incremento pelo gosto de ler, infelizmente, não tenho visto muitos indíviduos nos transportes públicos a lerem Livros (com letra maiúscula), como sucedia, por exemplo, no metropolitano de Paris.
O que considero ainda mais curioso é que tanto o
"Meia Hora" como o
"Global Notícias" pertencem a 2 grupos mediáticos que detêm outros jornais diários (não gratuitos) de grande destaque. Ou seja, nesta guerra dos "gratuitos" vale mesmo tudo e parece que o público deste tipo de jornais tem vindo a aumentar consideravelmente (para que grupos de media se dêem ao trabalho de estar a criar novos jornais gratuitos - quando já têm os diários que lhes dão algum lucro).
Lamentavelmente para o sucesso de vendas da sessentona do
"Destak" de Telheiras, tenho muito orgulho em afirmar que eu continuarei a ser a sua maior lacuna... bem como dos distribuidores dos restantes jornais gratuitos.
Não consigo compactuar com informação
"fast food", tendente a criar
analfabetos funcionais. E, nesse sentido, prefiro continuar a tirar algum espaço nas minhas manhãs e horas de almoço para ler dois dos principais jornais diários, na internet.
- A Estrela "Pulada" -
Em miúda já adorava olhar o céu e ir aprendendo os nomes das constelações e estrelas com o meu avô.
A que mais me fascinava era, sem dúvida alguma, a Estrela Polar, sempre brilhante e sobressaindo perante as outras estrelas.
Nas férias de Verão, à noite, em Santa Cruz, o meu avô pedia-me sempre para apontar a famosa estrela de que tanto gostava.
E eis senão quando, uma bela noite de nevoeiro, apontando para o ponto mais luminoso no céu (que, por acaso, se viria a confirmar tratar-se de um candeeiro), eu digo:
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