Acordar de madrugada com (mais) um grande temporal e não conseguir voltar a adormecer. Pelo menos, fiquei com bastante tempo disponível para me ir arranjando
au ralenti, como eu gosto, pois só assim consigo ir acordando de bom humor.
A
chuva não pára de cair há dias consecutivos!...
Ao iniciar o dia, uma boa (e muito inesperada) notícia, ajuda a levantar-me a moral e o ego!...
- Espaços Vazios -
Começo a fotografar, sucessivamente, as diversas salas. Espaços amplos e vazios, onde o novo mobiliário começa a conquistar alguns recantos, conferindo
novas tonalidades ao edifício.
Sinto-me, particularmente, atraída por aqueles
dois pátios interiores, pois, qualquer que seja o estado do tempo (faça um sol radiante ou uma chuva intensa), ganham uma luminosidade e vida muito especiais. Aquelas (ainda) jovens
árvores de folha bordeaux, os "
chorões" junto aos pequenos lagos e os imensos
mantos de flores rosa que se estendem na entrada dão a pincelada final de cor a todo o edifício.
Por breves instantes, começo a imaginar aqueles espaços vazios a encherem-se de vida. Sorrio e penso em como será feita a apropriação de cada um daqueles espaços, por cada um desses indivíduos, vindos de países tão longínquos e culturas tão diferentes.
- Retrato do Artista em Processo Criativo -
Hoje senti-me deliciada ao ouvir um pintor famoso falar, durante horas a fio, sobre um hipotético projecto para dar vida a um mural.
As cores, as formas e o sentimento jorram das suas palavras singelas, ao descrever uma simples ideia. E ficamos como que enfeitiçados, enleados nessa teia mágica que ele próprio vai construindo na sua imaginação, vislumbrando já, por breves instantes, a sua obra em criação.
M. fala, apenas, daquilo que gostaria de fazer se ainda fosse novo, se o tempo pudesse voltar para trás e ele ali ficasse durante algumas noites, junto àquela imensa parede alva, a trabalhar, acompanhado apenas por um termo com chá quente e uma manta, por causa da humidade.
Há alguns anos que as suas mãos começaram a inchar desmesuradamente e as pernas arrastam-se com uma enorme dificuldade, não conseguindo já acompanhar a rapidez do seu raciocínio.
M. tem consciência de que já não é o mesmo. Apesar da sua mente viajar ainda por universos distantes do imaginário, trazendo-lhe um sem número de ideias para hipotéticas obras, o processo criativo é drasticamente castrado pelo seu corpo envelhecido, que lhe coloca algumas restrições a pintar.
- O Fim -Passo toda a manhã fora do escritório e, quando aqui regresso, aproveito para dar uma vista de olhos pelos jornais online e pelo
Bloglines, para ver as actualizações dos blogs que costumo ler diariamente.
Fico perplexa, ao deparar-me com
o fim deste blog.
Um blog que conheci por mero acaso, tendo, algum tempo mais tarde, descoberto tratar-se a sua autora de uma "colega" antropóloga, que até conhecia uma amiga minha dos tempos de Fac. (este mundo é mesmo uma aldeia!).
Durante um ano, acompanhei os seus posts e as suas maravilhosas fotografias e pensamentos. Fiquei com pena deste fim antecipado. Mas compreendo os seus motivos, pois um novo começo lhe deu outro alento para as coisas da vida.
Fico a aguardar novas histórias, para quando o teu "começo" já for mais crescidinho, Reticências!
Tudo de bom para ti, Amiga! :)